Na noite de sábado (17), um incêndio devastador atingiu a sede da prefeitura de Limoges, no centro da França, pouco depois de um grupo de manifestantes invadir o prédio histórico inaugurado em 1883. As chamas consumiram grande parte da estrutura, provocando o colapso do telhado e do campanário, enquanto as forças de segurança tentavam conter o fogo.
A invasão e o início do incêndio
Segundo reportagens do Le Monde e da emissora BFMTV, indivíduos encapuzados arrombaram as vidraças da prefeitura e, em seguida, lançaram fogo no interior do edifício. A ação ocorreu imediatamente após o término de uma grande manifestação contra o alto custo de vida, que reuniu milhares de pessoas nas ruas de Limoges.
Testemunhas relataram que o grupo avançou em direção ao interior do prédio, incendiando um carro da polícia municipal estacionado em frente à entrada. O fogo se alastrou rapidamente, atingindo a torre que abriga o campanário, símbolo da cidade desde o século XIX.
Resposta das autoridades e danos ao patrimônio
O ministro do Interior, Laurent Nuñez, confirmou à BFMTV que o incêndio foi provocado por uma invasão e que, simultaneamente, diversos ataques a prédios públicos, delegacias e comércios foram registrados em várias cidades francesas. Os bombeiros chegaram ao local por volta das 20h e trabalharam intensamente para impedir que as chamas consumissem todo o edifício.
O prefeito regional, Maurice Barate, informou que o telhado desabou sobre os andares inferiores, exceto pela ala oeste, e que aproximadamente dois terços das fachadas já haviam desaparecido. O jornalista Denis Carreaux descreveu os danos como “catastróficos”, ressaltando que o campanário havia ruído completamente.
- Telhado: colapso parcial, afetando três quartos da construção.
- Campanário: desabou totalmente.
- Fachadas: cerca de 66% destruídas.
Centenas de curiosos assistiam ao incêndio à distância, enquanto uma funcionária da prefeitura chorava nos braços de uma representante eleita local, evidenciando o impacto emocional da tragédia na comunidade.
O contexto das manifestações em toda a França
O sábado de protestos marcou um dos maiores momentos de mobilização popular no país. Segundo o ministro do Interior, cerca de 550 mil pessoas participaram de manifestações em diferentes cidades, exigindo redução do custo de vida e melhorias no sistema de ensino.
Em Paris, o número de manifestantes chegou a 110 mil, e as ações de violência incluíram saques, incêndios de veículos policiais e confrontos com as forças de segurança. As autoridades apontaram a participação de grupos ligados à esquerda radical e à extrema esquerda como responsáveis por grande parte da violência.
- Manifestantes em todo o país: ~550.000
- Detidos: ~400
- Policiais feridos: 60 (incluindo 2 inconscientes)
- Cidades com incidentes graves: Paris, Rouen, Nantes, Toulouse, Marselha
O movimento iniciou-se em setembro, nas escolas de ensino médio da periferia norte de Paris, onde estudantes reivindicavam mais professores e melhor infraestrutura. Ao longo das semanas, as reivindicações se ampliaram, incorporando críticas à desigualdade social, ao aumento dos impostos e à perda do poder de compra.
Em Limoges, a manifestação contou com milhares de participantes. Embora a maioria tenha se mantido pacífica, episódios violentos surgiram ao final do trajeto, culminando na invasão da prefeitura e no incêndio que destruiu parte do patrimônio histórico da cidade.
As autoridades locais ainda avaliam a extensão total dos danos e estudam a possibilidade de reconstruir a sede municipal, que tem mais de 130 anos de história. Enquanto isso, a população de Limoges acompanha o processo de investigação para identificar os responsáveis pela ação criminosa que resultou na perda de um ícone arquitetônico.








