O Papa Leão XIV deixou o Hospital Gemelli, em Roma, na tarde de sábado, 17 de maio, para voltar ao Vaticano após a remoção de um tumor maligno no pulmão direito. A Santa Sé confirmou que o pontífice de 71 anos recebeu alta médica e já tem compromissos oficiais programados para o domingo.
Cirurgia e avaliação pós‑operatória
A intervenção foi realizada na manhã de sexta‑feira e consistiu na remoção do lobo inferior do pulmão direito, onde foi identificado um nódulo cancerígeno. Os cirurgiões Luigi Carbone e Stefano Margaritora relataram que o procedimento transcorreu sem complicações graves e que o sangramento foi controlado imediatamente.
Após a operação, o papa foi mantido em observação intensiva por 24 horas, período em que foram monitorados os sinais vitais, a oxigenação e a produção de secreções. Os médicos ressaltaram que a estabilidade hemodinâmica foi mantida, o que permitiu a transferência para a enfermaria geral no mesmo dia.
Os exames de sangue realizados na manhã de sábado mostraram níveis normais de hemoglobina, leucócitos e marcadores inflamatórios. A radiografia de tórax, feita imediatamente após a alta, evidenciou a remoção completa do lobo afetado e ausência de derrames pleurais.
Para confirmar a extensão do câncer, a equipe médica solicitou exames complementares, incluindo:
- Tomografia computadorizada de tórax com contraste;
- PET‑CT para avaliação de metástases;
- Biopsia de linfonodos cervicais.
Os resultados desses exames ainda não foram divulgados, mas a Santa Sé informou que a avaliação final determinará a necessidade de tratamento adjuvante, como quimioterapia ou radioterapia.
O papa Leão XIV tem sido descrito como “aptos para receber alta” pelos médicos, baseando‑se nos parâmetros clínicos e laboratoriais. Essa avaliação foi oficializada em nota divulgada pelo Vaticano, que enfatizou a boa resposta do paciente ao procedimento.
Além da avaliação física, a equipe de apoio psicológico acompanha o pontífice, considerando o impacto emocional de um diagnóstico de câncer em uma figura de destaque mundial.
Retorno ao Vaticano e agenda oficial
Ao chegar ao Vaticano, o papa foi recebido pelos membros da Casa Pontifícia e pela equipe de segurança, que o conduziram diretamente ao apartamento papal. O primeiro ato público programado foi a oração do Angelus, que será transmitida ao vivo na manhã de domingo.
Tradicionalmente, o Angelus é recitado a partir de uma das janelas do Palácio Apostólico que dão vista à Praça de São Pedro. Essa prática simboliza a proximidade do pontífice com os fiéis que se reúnem na basílica.
Além do Angelus, a agenda do domingo inclui a celebração de uma missa em honra de São João Paulo II, cujo legado de diálogo interreligioso ainda influencia as ações da Santa Sé.
O papa também deverá participar de uma reunião privada com o Conselho de Cardeais para discutir questões de saúde pública, especialmente relacionadas ao combate ao câncer em países em desenvolvimento.
Em entrevista coletiva, o secretário de imprensa do Vaticano destacou que o pontífice está em condições de viajar, caso seja necessário, para missões diplomáticas ou visitas pastorais.
O retorno ao Vaticano marca, portanto, não apenas a conclusão de um tratamento médico, mas também o reinício de um calendário de compromissos pastorais e diplomáticos intensos.
Dimensões diplomáticas e mensagens de paz
Durante a internação, o papa manteve contato telefônico com líderes mundiais, incluindo o presidente russo Vladimir Putin. Na conversa, Leão XIV solicitou uma trégua humanitária em Oleshki, cidade ucraniana que tem sido palco de intensos confrontos.
A mensagem de paz foi transmitida pela assessoria de imprensa do Vaticano, que ressaltou a importância de proteger civis e garantir o acesso a ajuda humanitária em zonas de conflito.
Além da ligação com a Rússia, o papa enviou mensagens de apoio a autoridades de saúde da América Latina, enfatizando a necessidade de campanhas de prevenção ao câncer e de acesso a tratamentos oncológicos.
Em comunicado oficial, a Santa Sé afirmou que a experiência pessoal do papa com o câncer reforça o compromisso da Igreja em apoiar pacientes, famílias e profissionais de saúde em todo o mundo.
As primeiras imagens divulgadas pelo Vaticano mostram o pontífice diante de um altar improvisado no décimo andar do Hospital Gemelli. Nessas fotos, Leão XIV aparece vestindo a batina branca, com as mãos cruzadas em oração, simbolizando a força espiritual durante a enfermidade.
Segundo a assessoria de imprensa, o papa celebrou missa no mesmo local tanto no sábado quanto na sexta‑feira, demonstrando a importância da liturgia como fonte de consolo e esperança para os enfermos.
Os fiéis que acompanharam as transmissões ao vivo elogiaram a postura resiliente do papa, destacando que sua recuperação serve de exemplo para milhões de pessoas que enfrentam doenças graves.
Com a alta hospitalar, o Vaticano planeja organizar uma série de eventos de sensibilização sobre o câncer, incluindo palestras, campanhas de doação de sangue e apoio a centros de tratamento oncológico.
Em síntese, a saída do Hospital Gemelli representa um marco de superação pessoal e institucional, reforçando a missão da Igreja de cuidar da saúde física e espiritual da humanidade.








