Em 17 de outubro de 2026, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, criticou publicamente a medida adotada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que suspendeu sanções e tarifas contra a Rússia poucos dias antes de sua vigência. A declaração foi feita na rede social X, onde Zelensky alertou que a decisão pode incentivar novos ataques russos contra a Ucrânia.
Reação de Zelensky à suspensão das sanções
Zelensky descreveu a ação de Trump como um “apoio direto a Vladimir Putin” e afirmou que a medida alimenta a satisfação do Kremlin, aumentando o desejo de continuar matando civis. Em seu texto, o líder ucraniano destacou que a Rússia realizou, na sexta‑feira anterior, ataques a mais de quinze instalações de geração e transmissão de energia em território ucraniano.
O presidente ucraniano também acusou Moscou de planejar uma escalada dos bombardeios no oeste da Ucrânia, sinalizando que a suspensão das sanções pode servir como incentivo para intensificar a ofensiva. Segundo Zelensky, “não há nada que interrompa a guerra; ao contrário, a decisão abre espaço para que a Rússia aumente a pressão militar”.
Em tom mais pessoal, Zelensky lamentou a morte do senador Lindsey Graham, autor da lei que originou as sanções, afirmando que a ausência do parlamentar dificulta a manutenção do apoio bipartidário dos EUA a Kiev. “É difícil sem ele, vou ser honesto”, escreveu o presidente ucraniano.
Detalhes da ordem executiva de Trump
A ordem executiva assinada na noite de 16 de outubro suspendeu, temporariamente, as sanções previstas na Lei Graham, que havia sido sancionada em setembro de 2022. A suspensão cobre tarifas de até 100% sobre produtos importados dos cinco maiores compradores de petróleo ou gás russo, além de punições a empresas que adquiram energia russa.
Segundo o texto da ordem, a suspensão permanecerá em vigor até que Trump ou seus principais assessores determinem que “novas medidas são apropriadas”. O presidente americano justificou a decisão alegando que a medida atende aos interesses nacionais dos Estados Unidos.
- Tarifas sobre produtos russos suspensas;
- Punições a compradores de petróleo e gás russo temporariamente revogadas;
- Possibilidade de reativação mediante avaliação do Executivo.
A Lei Graham, nomeada em homenagem ao senador republicano Lindsey Graham, foi criada para aumentar a pressão econômica sobre a Rússia em resposta à invasão da Ucrânia iniciada em fevereiro de 2022. A lei previa que, em 30 dias, seriam impostas tarifas de até 100% a produtos de países que comprassem petróleo ou gás russo em grande escala.
O texto da lei também permitia que o presidente dos EUA suspendesse as sanções, desde que informasse ao Congresso que a medida seria contrária ao interesse nacional. Essa cláusula foi utilizada por Trump para justificar a suspensão anunciada.
Repercussões internacionais e críticas políticas
A decisão gerou reações imediatas de aliados e adversários. China e Índia, dois dos maiores compradores de petróleo russo, manifestaram preocupação. Pequim denunciou a medida como “jurisdição de longo alcance sem base no direito internacional”, enquanto Nova‑Délhi alertou que tarifas adicionais poderiam prejudicar as relações bilaterais com Washington.
Kirill Dmitriev, enviado russo para investimentos, classificou a suspensão como “momento histórico”, argumentando que, se as sanções tivessem entrado em vigor, a cooperação econômica entre Rússia e EUA teria sido interrompida. Dmitriev utilizou o X para divulgar sua posição, reforçando a narrativa de que a ação dos EUA favorece a Rússia.
Nos Estados Unidos, a medida foi duramente criticada por membros do Congresso. O deputado democrata Don Beyer, da Virgínia, acusou Trump de ceder a Putin e de trair os parceiros ucranianos. Beyer ressaltou que a decisão contraria a intenção do Congresso ao aprovar uma lei projetada para punir a Rússia pela guerra.
Além disso, a suspensão das sanções chegou em um momento sensível, semanas antes das eleições de meio de mandato nos EUA, nas quais os republicanos buscam manter a maioria nas duas casas do Congresso. Analistas políticos apontam que a medida pode ser vista como uma tentativa de agradar eleitores favoráveis a relações mais brandas com a Rússia.
- China: oposição diplomática ao alcance da lei;
- Índia: alerta sobre impactos econômicos;
- Deputado Don Beyer: acusação de concessão a Putin;
- Eleitores republicanos: possível influência nas eleições.
O presidente ucraniano também avaliou que o governo Trump pode continuar afrouxando as sanções. Zelensky escreveu que o acordo sobre diesel e a suspensão da Lei Lindsey Graham “não são o fim disso” e que, infelizmente, a tendência parece ser de relaxamento das pressões econômicas sobre Moscou.
Em paralelo, Trump tem se aproximado de Moscou e criticado publicamente Zelensky, chegando a sugerir que Kiev precisaria de um novo líder. Essa retórica alimenta a percepção de que a administração americana está adotando uma postura mais conciliadora com a Rússia, o que aumenta a apreensão em Kiev e entre os aliados da OTAN.
Em resumo, a suspensão das sanções representa um ponto de inflexão nas relações entre Estados Unidos, Ucrânia e Rússia. Enquanto Zelensky vê a medida como um incentivo direto a novos ataques russos, críticos nos EUA e em outros países a consideram um retrocesso nas estratégias de pressão econômica contra Moscou. O desenrolar desse cenário dependerá das próximas decisões do Executivo americano e da resposta da comunidade internacional ao conflito em curso.








