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Polícia recorre a gás lacrimogêneo e enfrenta manifestantes em protestos contra o custo de vida na França

Neste sábado (17), a polícia francesa utilizou gás lacrimogêneo e se envolveu em confrontos com manifestantes em diversas cidades do país, enquanto a população sai às ruas para protestar contra o alto custo de vida e a deterioração dos serviços públicos. Os episódios aconteceram em cidades como Paris, Marselha e Lyon, marcando uma das ondas de protestos mais intensas dos últimos anos.

Origem e evolução das manifestações

Os protestos tiveram início no mês passado, quando estudantes de escolas secundárias de bairros periféricos ao norte de Paris começaram a reivindicar mais professores e melhorias na infraestrutura das escolas. O movimento rapidamente ganhou tração, incorporando críticas à desigualdade social, ao aumento dos preços de combustíveis e à queda do poder de compra da população.

Com o tempo, a mobilização se expandiu para além dos estudantes, atraindo trabalhadores, aposentados e pequenos comerciantes que compartilham a mesma insatisfação com o cenário econômico. A pressão sobre o governo se intensificou, levando a dezenas de manifestações simultâneas em diferentes regiões do país.

Até o meio‑dia do sábado, o Ministério do Interior registrou cerca de 140 manifestações fora de Paris, com um total estimado de 32,8 mil participantes. As autoridades apontam grupos de “ultraesquerda” como responsáveis pelos episódios mais violentos.

Principais cidades e pontos de tensão

Em Paris, a polícia montou um forte esquema de segurança ao redor de pontos turísticos como a Avenida Champs‑Élysées e o Arco do Triunfo, áreas que foram oficialmente excluídas dos trajetos de protesto. Manifestantes vestindo coletes de alta visibilidade bloquearam ruas, lembrando o movimento dos “coletes amarelos” que marcou o mandato anterior de Emmanuel Macron.

Na cidade de Marselha, a sede da prefeitura foi alvo de vandalismo, e o prefeito declarou estado de emergência local. O governo enviou reforços policiais após reunião com o primeiro‑ministro e o ministro do Interior.

Lyon, outra capital regional, registrou confrontos entre manifestantes e policiais, com uso de fogos de artifício improvisados e barricadas feitas de veículos abandonados. Em todas as cidades, a presença de repórteres foi alvo de agressões, gerando preocupação entre organizações de imprensa.

  • Principais reivindicações: aumento de salários, redução dos preços de energia, ampliação do número de professores.
  • Demandas específicas: suspensão da taxa de carbono, revisão dos impostos sobre combustíveis.
  • Exigências adicionais: criação de programas de apoio a famílias de baixa renda.

Reação do governo e da sociedade

O presidente Emmanuel Macron, que se aproxima do fim de seu mandato, pediu calma na sexta‑feira (16) e ressaltou a necessidade de reformas estruturais para estabilizar a economia. Contudo, a mensagem não foi suficiente para conter a onda de protestos que se espalha pelo território nacional.

O primeiro‑ministro Sébastien Lecornu informou que mais de 900 policiais ficaram feridos durante os confrontos, enquanto o órgão de fiscalização policial abriu ao menos 24 denúncias de abuso de autoridade. Entre os casos mais graves, um adolescente perdeu a mão ao tentar manusear uma granada de efeito moral.

O ministro do Interior, Laurent Nuñez, declarou que o uso de granadas de efeito moral, suspenso anteriormente, poderia ser retomado, gerando novo debate sobre a proporcionalidade da força policial.

Organizações de direitos humanos condenaram o uso excessivo de força e pediram investigações independentes. Ao mesmo tempo, sindicatos de trabalhadores apoiaram as reivindicações, organizando assembleias e convocando novas mobilizações nas redes sociais.

Entrevistas com manifestantes revelam a profundidade da frustração: “Estamos lutando porque o custo de vida está insuportável, os combustíveis são caros e nossos jovens são violentados por simplesmente exigir melhores condições de ensino”, afirmou Lola, de 19 anos, em Paris.

Testemunhas relataram que cerca de 100 pessoas avançaram em direção ao ponto de concentração, gritando palavras de ordem contra a polícia, como “Todos os policiais são bastardos”, intensificando o clima de hostilidade.

O debate sobre o futuro da política econômica francesa ganha contornos mais urgentes, já que os custos de financiamento do Estado atingiram níveis não vistos em mais de duas décadas, pressionando ainda mais a confiança dos investidores.

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