Itaguaí, município da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, enfrentará uma eleição suplementar neste domingo, 25 de outubro de 2025, para escolher o novo prefeito após a anulação da candidatura de Dr. Rubão. A população de cerca de 116 mil habitantes será chamada às urnas para decidir quem conduzirá a gestão municipal nos próximos quatro anos. O pleito ocorre em meio a uma série de decisões judiciais que deixaram o cenário político da cidade extremamente volátil.
Antecedentes da crise
O embate começou a se intensificar nas eleições de 2020, quando Rubem Vieira de Souza, conhecido como Dr. Rubão, assumiu a presidência da Câmara Municipal e, posteriormente, a prefeitura de forma interina. A ascensão de Rubão ao cargo executivo foi motivada pelo afastamento simultâneo do prefeito e do vice‑prefeito, criando uma situação de emergência administrativa.
Naquele mesmo ano, Dr. Rubão concorreu à prefeitura e foi eleito com a maioria dos votos, mas sua vitória foi contestada por questões constitucionais. A Constituição Federal proíbe a reeleição para um terceiro mandato consecutivo, e o Ministério Público Eleitoral (MPE) alegou que o mandato de Rubão já contava como terceiro, invalidando sua candidatura.
Em 2024, a disputa voltou ao centro quando Rubão tentou novamente se eleger, mas o processo judicial já havia se tornado um labirinto de recursos, liminares e decisões contraditórias. A instabilidade se aprofundou quando o presidente da Câmara, Haroldinho Jesus (PDT), assumiu o cargo de prefeito interino em 2025, apenas para ser substituído novamente por Rubão após uma liminar favorável.
Decisões judiciais que mudaram o cenário
O retorno de Rubão ao comando municipal foi breve. No final de 2025, o Supremo Tribunal Federal (STF) revogou a liminar, devolvendo a prefeitura ao presidente da Câmara, que retomou a gestão de forma interina. Em junho de 2025, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu barrar definitivamente a candidatura de Rubão, determinando a realização de uma eleição suplementar.
O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) também interferiu no processo ao indeferir a candidatura de Keilane Goulart (Novo) no dia 15 de outubro. A decisão baseou‑se no artigo do Código Eleitoral que impede que a mesma pessoa registre candidaturas para cargos diferentes em mais de uma circunscrição eleitoral. Keilane mantinha registros simultâneos para deputado federal (circunscrição estadual) e para prefeita de Itaguaí (circunscrição municipal).
O relator do caso, desembargador Bruno Bodart, destacou que a dupla candidatura compromete a isonomia entre os concorrentes, gera risco de confusão contábil e patrimonial, e dificulta a fiscalização dos recursos de campanha. Ele ressaltou que a medida visa preservar a transparência e o equilíbrio da disputa eleitoral.
Candidatos em disputa
Com a exclusão de Rubão e Keilane, a corrida para a prefeitura de Itaguaí ficou composta por seis chapas. Cada candidato apresenta propostas distintas para enfrentar os desafios de infraestrutura, saúde e educação que afetam a cidade.
- Haroldinho Jesus (PDT) – atual presidente da Câmara e candidato oficial, promete regularizar os serviços públicos e melhorar a segurança urbana.
- Alexandre Valle (PL) – empresário local, foca em incentivos econômicos e parcerias público‑privadas para gerar empregos.
- Hélio Cristóvão de Carvalho da Silva, o Dr. Helinho (PRD) – ex‑vereador, destaca a necessidade de investimentos em saúde e educação básica.
- Luciano Mota (PT) – sindicalista, propõe políticas de inclusão social e fortalecimento das escolas municipais.
- Marcelo Cunha (Democratas) – advogado, enfatiza a importância da transparência fiscal e da modernização da gestão municipal.
Os debates entre os candidatos têm sido marcados por acusações de irregularidades e promessas de reformas estruturais. A população acompanha de perto cada discurso, ciente de que a escolha determinará o futuro imediato da cidade.
Impactos para a população
A instabilidade política tem reflexos diretos nos serviços públicos. A falta de um gestor definitivo dificulta a aprovação de projetos de obras, a liberação de verbas e a contratação de profissionais de saúde. Moradores de bairros periféricos relatam atrasos na coleta de lixo, falta de iluminação pública e interrupções no abastecimento de água.
Além disso, a crise tem gerado insegurança jurídica para investidores. Empresas que consideram expandir suas atividades em Itaguaí hesitam diante da imprevisibilidade das políticas municipais. Esse cenário pode comprometer a geração de empregos e o desenvolvimento econômico local.
Especialistas em direito eleitoral apontam que o caso de Itaguaí pode servir de precedente para outras cidades que enfrentam disputas semelhantes. A interpretação rigorosa do Código Eleitoral pelo TRE reforça a necessidade de candidatos manterem registros claros e separados para cada circunscrição.
Para a população, a eleição suplementar representa uma oportunidade de romper com a sequência de impasses e estabelecer um governo estável. As urnas abertas neste domingo serão o palco de um momento decisivo, onde o voto consciente pode trazer a tão esperada normalidade ao calendário político da cidade.
Os partidos têm intensificado a campanha nas redes sociais, utilizando vídeos curtos, transmissões ao vivo e mensagens de texto para alcançar eleitores em todas as faixas etárias. A estratégia digital tem se mostrado eficaz, sobretudo entre os jovens, que representam um segmento significativo do eleitorado de Itaguaí.
Enquanto isso, organizações da sociedade civil organizam debates presenciais em escolas e centros comunitários, buscando informar o eleitor sobre as propostas e o histórico de cada candidato. Essas iniciativas visam reduzir a desinformação e estimular a participação cidadã.
O cenário de Itaguaí evidencia como disputas judiciais podem transformar o calendário eleitoral, exigindo adaptações rápidas por parte dos órgãos de gestão e da própria população. O resultado da votação será observado de perto pelos observadores nacionais, que avaliam o cumprimento das normas democráticas no contexto de crises locais.
Independentemente do vencedor, a cidade precisará de um plano de ação imediato para restabelecer a confiança dos cidadãos nas instituições. A consolidação de políticas de transparência, o fortalecimento da auditoria pública e o investimento em infraestrutura são passos essenciais para romper o ciclo de instabilidade.
Assim, a eleição suplementar de 25 de outubro não é apenas um procedimento burocrático; é o ponto de inflexão que pode definir a trajetória de Itaguaí nos próximos anos. O futuro da cidade depende agora da capacidade dos eleitores de escolherem um líder comprometido com a legalidade, a eficiência administrativa e o bem‑estar da população.








