Na manhã da sexta-feira, 16 de maio, a Justiça Federal manteve as prisões preventivas do deputado estadual eleito e ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella, e do delegado e ex-secretário estadual de Polícia Civil, Marcus Amim. As audiências de custódia foram realizadas no Rio de Janeiro, onde também foram confirmadas as prisões de mais quatro investigados da Operação Unha e Carne.
Decisão do Supremo Tribunal Federal
Os mandados de prisão preventiva foram emitidos pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A medida segue a recomendação da Polícia Federal, que concluiu que há risco à ordem pública e à investigação.
Como o processo tramita no STF, a Procuradoria‑Geral da República (PGR) tem a prerrogativa de apresentar denúncia contra os acusados. Caberá ao Supremo decidir sobre o recebimento da acusação e a continuidade do julgamento na mais alta instância do país.
Operação Unha e Carne: a 8ª fase
A oitava fase da Operação Unha e Carne foi deflagrada na quinta‑feira, 15, e cumpriu seis mandados de prisão preventiva e dezesseis de busca e apreensão. Além de Canella e Amim, foram detidos Pablo Jukiá Felix Ferreira (conhecido como Pablo Russo) e os irmãos Giovanni e Christiano Gaspar Fernandes, todos inspetores da Polícia Civil, além de José Carlos Alves de Souza Júnior.
A PF apreendeu um volume expressivo de bens: 20 veículos, 14 celulares, 49 joias e relógios de luxo, 33 armas, munições, equipamentos eletrônicos, documentos e cerca de R$ 90 mil em dinheiro. Todo o material será periciado para identificar possíveis indícios de lavagem de dinheiro e outras infrações.
Esquema de lavagem de dinheiro em postos de combustível
Segundo a Polícia Federal, a investigação aponta para uma organização criminosa que utilizava postos de gasolina como fachada para lavagem de recursos ilícitos. O plano consistia em movimentar dinheiro obtido de atividades ilícitas por meio da compra e venda de combustíveis, disfarçando a origem dos recursos.
O ministro Moraes também autorizou o sequestro de 112 empresas ligadas à rede de lavagem, das quais mais de 85% são postos de gasolina espalhados pelo estado do Rio de Janeiro e outras regiões.
Um Relatório de Inteligência Financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) estimou que o esquema movimentou mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos, evidenciando a magnitude da operação.
Possíveis crimes imputados aos investigados
- Organização criminosa armada
- Lavagem de dinheiro
- Corrupção ativa e passiva
- Violação de sigilo funcional
- Venda ilegal de combustíveis
- Formação de cartel
Os investigadores ressaltam que a responsabilização de cada acusado dependerá da extensão de sua participação nas diferentes fases do esquema. A PF ainda não divulgou detalhes sobre eventuais acordos de colaboração premiada.
Repercussão política e social
A manutenção das prisões de Canella e Amim gera intenso debate nos bastidores políticos do Rio de Janeiro. Enquanto alguns setores defendem a necessidade de combate rigoroso à corrupção, outros acusam o Judiciário de agir de forma precipitada.
Organizações da sociedade civil elogiaram a decisão como um passo importante para a transparência e o combate à impunidade. Já representantes da bancada parlamentar de Belford Roxo alertaram para possíveis prejuízos à administração municipal, caso as acusações se confirmem.
O caso ainda deve ser analisado em plenário do STF, onde serão discutidos aspectos constitucionais, como a validade das prisões preventivas e a necessidade de garantias processuais aos investigados.
Próximos desdobramentos
Nos próximos dias, a PGR deverá decidir se apresenta denúncia formal contra os seis presos. Caso a acusação seja aceita, o processo seguirá para julgamento no Supremo, com possibilidade de recurso para instâncias superiores.
Enquanto isso, a Polícia Federal continuará as investigações, ampliando o escopo da operação para outras empresas suspeitas de integrar a rede de lavagem. O objetivo é desarticular completamente o esquema e recuperar os recursos desviados.
O desfecho da Operação Unha e Carne terá impacto direto na confiança da população nas instituições de segurança pública e no combate à corrupção no estado do Rio de Janeiro.








