Na sexta‑feira (16) os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU registraram vetos contra os sete nomes indicados para suceder António Guterres, que deixará o cargo em 31 de dezembro. O impasse ocorreu durante a primeira consulta informal e anônima, usando cédulas coloridas para sinalizar os vetos. O resultado abre caminho para novas candidaturas e aumenta a incerteza sobre quem liderará a organização nas próximas crises globais.
Cenário político e os vetos
Os cinco países com poder de veto – Reino Unido, França, Estados Unidos, China e Rússia – exerceram, ao menos, um voto negativo contra cada um dos sete concorrentes. Essa prática demonstra a dificuldade de alcançar consenso em um órgão onde um único veto pode bloquear a escolha.
Para ser recomendado ao próximo secretário‑geral, um candidato precisa de no mínimo nove votos favoráveis entre os quinze membros do Conselho e, simultaneamente, não receber nenhum veto dos cinco permanentes. O cumprimento desses dois requisitos garante que o nome siga para a Assembleia Geral, onde todos os Estados‑membros decidem pela confirmação final.
- Reino Unido
- França
- Estados Unidos
- China
- Rússia
A imprensa americana relatou que a administração de Donald Trump se opõe a todos os sete nomes, embora o embaixador dos EUA na ONU, Mike Waltz, tenha evitado comentar diretamente, afirmando apenas que o objetivo é “encontrar a melhor pessoa” para o cargo.
Perfis dos candidatos e a disputa
Entre os concorrentes estão quatro mulheres e três homens, todos com carreiras destacadas em diplomacia, economia ou direitos humanos. A costa‑riquenha Rebeca Grynspan, que já figurou entre os mais bem avaliados nas rodadas anteriores, recebeu o maior número de votos de apoio nesta consulta, mas ainda assim enfrentou cinco votos contrários, dois deles de membros permanentes.
Os demais candidatos incluem:
- Uma ex‑ministra de finanças da Alemanha, conhecida por suas reformas fiscais;
- Um diplomata da Nigéria com ampla experiência em missões de paz;
- Um ex‑representante da União Europeia em negociações climáticas;
- Um acadêmico canadense especializado em direitos humanos;
- Um ex‑governador da província de Guangdong, China, com forte apoio interno;
- Um ex‑embaixador da Austrália para a ONU, com histórico de mediação em conflitos regionais.
Todos eles foram submetidos a avaliações de competência, integridade e capacidade de liderança, mas a presença de vetos impede que qualquer um avance para a fase decisiva.
Desafios da ONU e o caminho futuro
A escolha do próximo secretário‑geral ocorre em um dos períodos mais críticos para a organização. Conflitos armados em várias regiões, crises migratórias, escassez de recursos financeiros e divisões internas no Conselho de Segurança criam um cenário de alta complexidade.
A ONU já anunciou um corte de 10 mil empregos, sinalizando dificuldades orçamentárias que podem comprometer operações humanitárias essenciais. Ao mesmo tempo, a agência enfrenta pressão para reforçar sua capacidade de resposta a emergências, como as tensões no Estreito de Ormuz e os desafios climáticos emergentes.
Com os vetos em aberto, a comunidade internacional espera que novos nomes sejam apresentados, possivelmente com perfis menos polarizadores ou com maior aceitação entre os membros permanentes. A Assembleia Geral, que tem a palavra final, pode exercer influência ao pressionar por um consenso mais amplo.
Enquanto isso, observadores apontam que a falta de um líder claro pode enfraquecer a credibilidade da ONU perante os Estados‑membros e a sociedade civil. A necessidade de uma liderança forte, capaz de unir diferentes interesses e de revitalizar a agenda humanitária, torna‑se ainda mais urgente.
Em resumo, o impasse atual evidencia as limitações do sistema de veto e coloca em foco a necessidade de reformas estruturais no Conselho de Segurança, debate que já se estende há décadas mas que ganha nova relevância diante da crise de governança.








