Em entrevista concedida à emissora Newsmax na noite de quinta‑feira, 15 de outubro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou como “vergonha” a retomada dos ataques ucranianos contra refinarias de petróleo na Rússia. Ele acusou o governo de Volodymyr Zelensky de elevar os preços globais dos combustíveis ao mirar em alvos estratégicos de produção de diesel.
Reação de Trump aos ataques ucranianos
Trump afirmou que a estratégia de Zelensky de atingir refinarias de diesel é contraproducente para o mundo inteiro. “Quando você mira em refinarias onde se produz óleo diesel, está prejudicando o abastecimento global”, disse o ex‑presidente, reforçando sua crítica ao governo de Kiev.
Além da crítica ao alvo dos ataques, Trump destacou que a medida aumenta a pressão sobre os consumidores americanos, que já enfrentam preços elevados nas bombas. Ele vinculou a decisão de Zelensky a uma suposta “trégua energética” anunciada por ele mesmo, que teria sido desrespeitada por Moscou.
- Trump acusa Zelensky de elevar o preço do petróleo;
- Critica a escolha de alvos estratégicos como refinarias de diesel;
- Relaciona a ação ao fracasso da trégua energética.
Contexto da trégua energética proposta
Na semana anterior, Trump havia anunciado uma “trégua energética” que visava suspender bombardeios contra infraestruturas petrolíferas e usinas elétricas de ambos os lados. A proposta, no entanto, não recebeu confirmação formal nem da Ucrânia nem da Rússia, gerando dúvidas sobre sua efetividade.
Kiev acusou Moscou de violar continuamente o acordo, enquanto Moscou alegou que a Ucrânia também não cumpriu a promessa de cessar os ataques. Essa falta de consenso fez com que a trégua fosse considerada frágil por analistas internacionais.
Em resposta ao impasse, Zelensky anunciou o abandono da trégua energética, justificando a medida como necessária diante da contínua agressão russa contra a infraestrutura energética ucraniana.
Posicionamento de Zelensky e a situação no front
Durante visita a Bruxelas, na sexta‑feira, 16 de outubro, o presidente ucraniano evitou comentar diretamente as declarações de Trump, mas agradeceu o apoio dos líderes europeus. Zelensky reiterou o desejo de encerrar o conflito rapidamente, embora não visse sinais de disposição da Rússia em negociar.
O mandatário ucraniano ressaltou que ataques russos já deixaram cerca de 600 mil cidadãos sem energia elétrica, reforçando a necessidade de pressionar Moscou. Ele também alertou que a Ucrânia não suspenderia seus próprios ataques se a Rússia não retribuísse, mantendo a estratégia de atingir alvos energéticos russos.
Em post nas redes sociais, Zelensky pediu que Washington não se posicionasse ao lado do “agressor”, enfatizando a importância da honestidade dos parceiros internacionais na condução da guerra.
Implicações para o mercado de energia e relações EUA‑Ucrânia
As declarações de Trump coincidem com um acordo que envolve o fornecimento de diesel russo aos Estados Unidos, bem como a suspensão temporária de restrições à exportação do combustível. Essa medida gerou preocupação em Kiev, que teme um enfraquecimento da pressão econômica sobre Vladimir Putin.
Além disso, Trump sugeriu que a Ucrânia deveria substituir Zelensky, alimentando incertezas sobre o apoio americano ao governo de Kiev. A instabilidade nas relações bilaterais se intensificou após ataques russos com mísseis balísticos contra a capital ucraniana, que não foram precedidos por alertas adequados.
Especialistas apontam que a combinação de ataques a refinarias, a disputa sobre a trégua energética e as negociações de diesel russo pode alterar o cenário dos preços globais de energia nos próximos meses, impactando tanto consumidores quanto produtores.
Em resumo, a disputa entre Trump e Zelensky sobre a estratégia de ataques a refinarias destaca a complexidade das alianças internacionais em tempos de guerra, ao mesmo tempo em que coloca em evidência o papel dos combustíveis como instrumento de pressão política e econômica.








