Na manhã desta sexta‑feira, 16 de outubro de 2026, a Polícia Federal ouviu o banqueiro Augusto Ferreira Lima, ex‑sócio de Alexandre Vorcaro, para esclarecer as tratativas entre o extinto Banco Master e o Banco de Brasília (BRB). O depoimento ocorreu na Superintendência da PF em Brasília, com interrupção para almoço e continuação à tarde.
Contexto da investigação da Polícia Federal
A operação que culminou na oitiva de Augusto Lima faz parte da fase avançada da apuração de supostas irregularidades envolvendo a compra de carteiras de crédito do Banco Master pelo BRB. A PF já havia sinalizado que abriria uma nova etapa de depoimentos, ampliando o leque de investigados.
Inicialmente, o depoimento de Lima estava previsto para agosto de 2026, mas a defesa solicitou adiamento, o que acabou por postergar a data sem divulgação pública de um novo prazo. Quando a data foi finalmente confirmada, a imprensa recebeu o aviso de que a oitiva seria realizada em Brasília, na sede da Superintendência da PF.
Os investigadores utilizam como base principal as conversas extraídas do celular de Alexandre Vorcaro, que apontam estratégias para convencer o BRB a adquirir carteiras do Master e, posteriormente, o próprio banco. Essas mensagens são consideradas evidências cruciais para entender a dinâmica das negociações.
A PF já havia ouvido, em janeiro, dirigentes e ex‑sócios das instituições envolvidas, ampliando o panorama da investigação. Agora, com a presença de Augusto Lima, espera‑se esclarecer o papel de intermediário nas tratativas.
Quem é Augusto Lima e seu histórico no setor bancário
Augusto Ferreira Lima é conhecido no mercado financeiro como controlador do Banco Pleno e ex‑sócio de Alexandre Vorcaro. Além disso, ele ocupou a posição de CEO do Banco Master, instituição que foi alvo de diversas controvérsias nos últimos anos.
Em novembro de 2025, Lima foi preso pela Polícia Federal durante a Operação Compliance Zero, que visava desarticular esquemas de corrupção e lavagem de dinheiro no sistema bancário. Posteriormente, ele recebeu tornozeleira eletrônica e foi solto, permanecendo à disposição das autoridades.
O banqueiro também tem experiência como executivo em outras instituições, o que lhe conferiu uma rede de contatos ampla e influente. Essa rede foi apontada pelos investigadores como um dos fatores que facilitou a aproximação entre Vorcaro e o BRB.
Durante a oitiva, Lima foi questionado sobre sua atuação como controlador do Banco Pleno e sobre os mecanismos usados para viabilizar a compra das carteiras do Master. A defesa, por sua vez, reforçou que ele estava disposto a colaborar e que os fatos investigados eram lícitos.
Além de seu papel no Banco Master, Lima tem participação em outras empresas do setor financeiro, o que amplia a complexidade da investigação e a necessidade de analisar múltiplas linhas de atuação.
Detalhes das negociações entre Banco Master e o Banco de Brasília
Segundo as investigações, as negociações começaram a ganhar força no início de 2025, quando o BRB demonstrou interesse em ampliar seu portfólio de crédito. Vorcaro, então, teria procurado Augusto Lima para usar sua influência e facilitar a compra das carteiras.
- Primeiro contato: reunião informal em São Paulo, onde foram apresentados os principais ativos do Banco Master.
- Negociação preliminar: troca de e‑mails e mensagens de texto entre Vorcaro e Lima, destacando os benefícios da aquisição para o BRB.
- Proposta formal: envio de um dossiê detalhado ao BRB, contendo avaliação de risco e projeções de lucro.
- Fechamento: acordo preliminar para a compra de carteiras, ainda sujeito à aprovação regulatória.
Os investigadores afirmam que Lima atuou como “ponte” entre Vorcaro e os executivos do BRB, facilitando a comunicação e oferecendo garantias de que a transação seria vantajosa para ambas as partes.
Além das carteiras de crédito, há indícios de que a negociação poderia evoluir para a compra integral do Banco Master, o que levantou suspeitas sobre possíveis fraudes e manipulação de valores de mercado.
Os documentos coletados pela PF mostram que havia um cronograma interno para a conclusão da operação, com marcos definidos para avaliação de risco, aprovação de conselho e assinatura de contratos.
Entretanto, a PF ainda não confirmou se houve efetiva transferência de recursos ou se a operação foi interrompida antes de ser concluída.
Repercussões, próximos passos e impactos no mercado
A oitiva de Augusto Lima trouxe novas luzes ao caso, mas também suscitou dúvidas sobre o alcance total das supostas irregularidades. A defesa de Lima declarou que os fatos investigados eram lícitos, enquanto a acusação mantém a tese de que houve tentativa de manipular processos de compra.
Com a continuação das investigações, a PF deve analisar as gravações de áudio e os documentos financeiros apresentados durante a oitiva. A expectativa é que novos depoimentos sejam agendados nos próximos meses.
Para o mercado financeiro, o caso gera preocupação quanto à transparência nas negociações entre bancos públicos e privados. Analistas apontam que a exposição de possíveis falhas regulatórias pode levar a revisões de políticas internas de compliance.
Além disso, a Operação Compliance Zero, que já resultou em prisões e medidas cautelares, pode ganhar nova fase, ampliando o escopo para outras instituições que tenham relações comerciais com o Banco Master.
Os consumidores também podem sentir os efeitos indiretos, caso a compra das carteiras seja anulada ou reavaliada, o que pode impactar linhas de crédito e condições de financiamento oferecidas pelo BRB.
Em resumo, a oitiva de Augusto Lima representa mais um capítulo de uma investigação que ainda tem muitos desdobramentos a serem revelados. A PF continua vigilante e promete aprofundar a apuração para garantir que quaisquer irregularidades sejam devidamente punidas.








