Os Estados Unidos iniciaram, nesta semana, o envio de um batalhão de 600 soldados para a América Latina, ampliando a ofensiva antidrogas anunciada pelo governo de Donald Trump. A operação, que começou em março, inclui exercícios no Panamá, na Colômbia e em Honduras, e tem como objetivo apoiar forças locais contra organizações criminosas.
Detalhes da mobilização militar
O contingente pertence à 10ª Divisão de Montanha, baseada em Fort Drum, Nova York, e está sendo transportado gradualmente para bases de treinamento na selva panamenha. Os primeiros militares já desembarcaram e iniciaram atividades de adaptação ao clima e ao terreno da região.
Além dos exercícios de campo, parte dos soldados será destinada a apoiar unidades de forças especiais americanas que já atuam ao lado de forças de segurança latino‑americanas. Essa cooperação inclui a proteção de helicópteros de vigilância, o fornecimento de apoio logístico em emergências e a participação em incursões contra suspeitos de tráfico.
O plano prevê ainda a criação de uma estrutura de comando regional, com sede em Miami, que coordenará as ações conjuntas no Hemisfério Ocidental. Essa estrutura deve integrar centenas de militares da mesma divisão, além de especialistas em inteligência e operações cibernéticas.
Contexto da ofensiva antidrogas
A iniciativa faz parte do programa “Escudo das Américas”, lançado em março de 2023 e que reúne os EUA e 14 países da América Latina e Caribe. Entre os membros estão Panamá, Colômbia, Honduras, Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Nicarágua, República Dominicana, Jamaica, Bahamas, Belize, Paraguai, Uruguai e Chile.
Em setembro, a coalizão anunciou medidas coordenadas contra 24 organizações criminosas, destacando o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como alvos prioritários. Apesar da participação de vários países, Brasil e México permaneceram fora da aliança.
Desde o início da campanha, há cerca de um ano, as forças americanas registraram 71 ataques a embarcações suspeitas de tráfico, resultando em pelo menos 239 mortes, segundo dados do Pentágono. O governo dos EUA sustenta que os navios eram usados para contrabando de drogas, embora não tenha divulgado provas concretas.
- Panamá – centro de treinamento da selva;
- Colômbia – apoio a operações terrestres e aéreas;
- Honduras – reforço de unidades de combate ao narcotráfico;
- Miami (EUA) – sede da nova estrutura de comando regional.
Desafios e críticas à presença militar
A ampliação da presença americana reacende temores sobre a soberania dos países latino‑americanos, que lembram intervenções históricas dos EUA na região. Líderes locais têm expressado preocupação com a possibilidade de que as tropas americanas atuem em solo nacional sem consentimento explícito.
Além disso, a campanha se desenvolve em um momento de pressão sobre os recursos militares dos EUA, que estão simultaneamente engajados em conflitos no Oriente Médio, na Europa e na Ásia. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, reconheceu que a falta de objetivos claros pode dificultar a avaliação de resultados.
Especialistas em segurança apontam o risco de escalada caso grupos criminosos ataquem soldados americanos durante operações conjuntas. Essa perspectiva poderia levar a uma ampliação do conflito e a uma maior instabilidade na região.
Em agosto, o Comando Sul dos Estados Unidos criou a Força‑Tarefa Conjunta do Hemisfério Ocidental, destinada a melhorar a cooperação militar com aliados regionais. Um memorando de setembro autorizou um investimento inicial de 20 milhões de dólares para a contratação de pessoal e a organização da unidade.
Apesar das críticas, o general Francis L. Donovan, comandante responsável pela maior parte das operações americanas na América Latina, afirmou que Washington pretende ir além dos ataques a embarcações, preparando o terreno para ações terrestres coordenadas com parceiros locais.
O futuro da ofensiva dependerá da capacidade dos países da coalizão de alinhar suas políticas internas com as exigências americanas, bem como da eficácia das operações conjuntas em reduzir o fluxo de drogas e desarticular redes criminosas.








