Uma investigação conjunta da NordVPN e da Saily revelou que 119,4 milhões de registros de viajantes foram expostos na dark web, em 494 vazamentos ocorridos entre 1º de janeiro de 2021 e 18 de agosto de 2026. O levantamento aponta que a fragmentação de informações entre companhias aéreas, hotéis, agências e plataformas de reserva amplia vulnerabilidades. O alerta chega em um momento em que o turismo global ainda se recupera da pandemia, tornando a segurança digital essencial para quem planeja viagens.
Escala e origem dos vazamentos
Os dados coletados pelo Radar mostram que a maioria dos incidentes está concentrada em plataformas de reserva, agências de viagens on‑line, operadoras de turismo e empresas de passeios, que somam 55,5% de todos os vazamentos. Esses serviços costumam armazenar informações detalhadas de itinerários, documentos de identidade e dados de pagamento, o que os torna alvos atrativos para criminosos cibernéticos.
Em seguida, locadoras de veículos, operadoras de cruzeiros e empresas ferroviárias respondem por 27,7% dos casos. Embora esses setores movimentem menos usuários simultaneamente, a natureza sensível das informações – como números de documentos e histórico de viagens – eleva o potencial de abuso.
Hotéis e resorts representam 23,7% dos incidentes registrados. A prática de coletar dados de hóspedes para fins de check‑in, fidelização e marketing cria bases de dados extensas, muitas vezes pouco protegidas contra invasões.
Por fim, as companhias aéreas são responsáveis por 21,2% dos vazamentos, mas cada incidente nesta categoria chegou a expor, em média, 1,2 milhão de registros. O executivo Marijus Briedis, CTO da NordVPN, enfatiza que o tamanho da empresa não garante segurança; um pequeno fornecedor pode ser mais vulnerável, enquanto um grande vazamento em uma grande companhia aérea tem alcance massivo.
Impactos para os viajantes
Os especialistas destacam que, embora senhas possam ser trocadas rapidamente, informações imutáveis como nome completo, data de nascimento e número de passaporte permanecem fixas ao longo da vida. Quando esses dados são divulgados, aumentam as chances de roubo de identidade, fraudes financeiras e até chantagem.
Além disso, a exposição de dados de pagamento pode gerar compras não autorizadas, enquanto informações de itinerário podem ser usadas para planejar crimes como furtos em hotéis ou sequestros. O risco se multiplica quando o viajante utiliza múltiplos serviços que compartilham seus dados entre si, criando uma teia de vulnerabilidades interconectadas.
Para ilustrar a gravidade, veja a distribuição dos vazamentos por categoria:
- Plataformas de reserva, agências on‑line e operadoras de turismo: 55,5%
- Locadoras de veículos, cruzeiros e ferrovias: 27,7%
- Hotéis e resorts: 23,7%
- Companhias aéreas: 21,2%
Esses números revelam que a fragmentação de dados entre diferentes tipos de fornecedores cria pontos de falha que podem ser explorados individualmente ou em conjunto, comprometendo a privacidade de milhões de viajantes ao redor do mundo.
Como proteger seus dados ao viajar
Especialistas recomendam adotar práticas simples, porém eficazes, para reduzir a exposição de informações pessoais durante a preparação e a realização de viagens. Seguir essas orientações pode impedir que seus dados sejam incluídos em futuros vazamentos.
- Evite cadastros desnecessários: forneça apenas os dados exigidos para a reserva ou compra.
- Remova informações de pagamento após a conclusão da transação: exclua cartões salvos em sites de reserva ou aplicativos de viagem.
- Exclua contas antigas ou pouco usadas: elimine perfis em plataformas que você não utiliza mais.
- Utilize senhas fortes e únicas para cada serviço, e ative a autenticação de dois fatores sempre que possível.
- Monitore suas contas bancárias e de cartão de crédito regularmente, buscando transações suspeitas.
Outra medida preventiva é recorrer a serviços de VPN ao acessar redes públicas, como Wi‑Fi de aeroportos ou hotéis. A criptografia oferecida por essas ferramentas dificulta a interceptação de dados por hackers.
Por fim, mantenha seus dispositivos atualizados com as versões mais recentes de sistemas operacionais e aplicativos. Atualizações frequentes corrigem vulnerabilidades que poderiam ser exploradas para roubo de informações pessoais.
Em síntese, a conscientização sobre a extensão dos vazamentos no setor de turismo e a adoção de hábitos digitais seguros são essenciais para proteger a privacidade dos viajantes. Cada passo dado para limitar a quantidade de dados compartilhados pode fazer a diferença entre uma viagem tranquila e um problema de segurança que se estende muito além da bagagem.








