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Netanyahu indica que pode retornar ao Brasil se Flávio Bolsonaro for eleito

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que pode voltar ao Brasil caso o senador Flávio Bolsonaro vença a eleição presidencial em outubro de 2026. A declaração foi feita na quarta‑feira, 14 de outubro, durante a cerimônia de inauguração da embaixada da Colômbia em Jerusalém. Netanyahu lembrou a visita ao país sul‑americano para a posse de Jair Bolsonaro em 2019 e sugeriu nova participação.

Contexto da declaração de Netanyahu

Durante seu discurso, Netanyahu destacou as viagens que realizou à América Latina ao lado de sua esposa, Sara, ressaltando a importância de fortalecer laços diplomáticos. Ele descreveu o Brasil como “um pequeno país” que recebeu a delegação israelense em 2019, e sugeriu que “talvez façamos isso novamente” caso a liderança política do país se alinhe com seus interesses.

O premiê também apontou que Israel está vivenciando um período de reaproximação com governos latino‑americanos que antes mantinham relações distantes. Segundo ele, “algo extraordinário está acontecendo na América Latina”, referindo‑se à volta de nações que se afastaram por aderirem a uma suposta “aliança global woke”.

Essa retórica visa contrastar a postura de governos de esquerda, como o do atual presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, que tem criticado a ofensiva israelense na Faixa de Gaza, rotulando‑a de genocídio. Netanyahu, por sua vez, mantém uma relação conflituosa com Lula, o que reforça a estratégia de buscar aliados conservadores na região.

Repercussões políticas no Brasil

Flávio Bolsonaro, senador pelo Rio de Janeiro e candidato à Presidência pela legenda do Partido Liberal (PL), tem adotado uma postura alinhada ao governo israelense. Em entrevista transmitida pela internet com o presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, o candidato declarou que pretende integrar o Brasil ao “Escudo das Américas” caso seja eleito.

O “Escudo das Américas” é uma coalizão de segurança criada sob a liderança dos Estados Unidos durante a administração de Donald Trump. Flávio Bolsonaro prometeu que, como presidente, o Brasil colaboraria com a iniciativa para combater facções narcoterroristas e fortalecer a troca de informações de inteligência.

Além disso, o senador afirmou que os narcotraficantes já estariam preocupados com sua eventual vitória, indicando que endurecerá a política de segurança pública. Essa promessa reforça a narrativa de que a segurança nacional será prioridade em seu governo, alinhada aos interesses de Israel e dos Estados Unidos.

O Escudo das Américas e a estratégia de Flávio Bolsonaro

O “Escudo das Américas” reúne países latino‑americanos e caribenhos em uma articulação voltada ao combate ao narcotráfico e ao crime organizado. A iniciativa conta atualmente com os seguintes membros:

  • Estados Unidos
  • Colômbia
  • Argentina
  • Bolívia
  • Chile
  • Costa Rica
  • República Dominicana
  • Equador
  • El Salvador
  • Guiana
  • Honduras
  • Panamá
  • Paraguai
  • Peru
  • Trinidad e Tobago

O Brasil ainda não integra o grupo, mas a proposta de Flávio Bolsonaro visa mudar esse cenário. Segundo o candidato, a participação brasileira ampliaria a cooperação em áreas como vigilância eletrônica, treinamento de forças especiais e intercâmbio de dados criminais.

Ao prometer a adesão ao “Escudo das Américas”, Flávio também sinaliza apoio ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que ainda mantém influência sobre setores conservadores da política brasileira. Essa aliança pode servir de contrapeso ao posicionamento crítico de Lula em relação a Israel e à sua política externa mais independente.

Entretanto, especialistas alertam que a integração ao “Escudo das Américas” poderia gerar atritos diplomáticos com países que mantêm relações mais equilibradas com a região. A inclusão do Brasil poderia ser vista como um alinhamento excessivo ao bloco liderado pelos EUA, potencialmente comprometendo a autonomia da política externa brasileira.

Em resumo, a fala de Netanyahu reflete uma estratégia de Israel para reforçar laços com governos conservadores da América Latina, enquanto Flávio Bolsonaro utiliza a proposta de segurança regional como pilar central de sua campanha. O futuro da relação entre Israel, Brasil e os demais membros do “Escudo das Américas” dependerá do resultado das urnas em outubro.

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