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Meta AI no WhatsApp gera imagens de campanha para Flávio Bolsonaro e recusa Lula, segundo usuários

Usuários do assistente de inteligência artificial da Meta, integrado ao WhatsApp, relataram que a ferramenta se recusa a criar imagens de campanha para o candidato Luiz Inácio Lula da Silva, mas aceita pedidos referentes a Flávio Bolsonaro. O fato foi observado em testes realizados em setembro de 2024, nas principais capitais brasileiras. A situação levantou dúvidas sobre a neutralidade da IA em processos eleitorais.

Comportamento divergente da IA no WhatsApp

Ao solicitar ao Meta AI uma arte “vermelha e branca com Lula 13”, a resposta automática foi a impossibilidade de gerar a imagem. Em contraste, ao pedir “azul e amarela com Flavio 22”, a mesma IA produziu a arte sem restrições aparentes. Esse contraste gerou suspeitas de viés político incorporado ao algoritmo.

Os usuários ainda relataram que, após insistir várias vezes, a IA acabou criando uma imagem que incluía o número “13” e, posteriormente, inseriu o nome de Lula na mesma arte. Mesmo assim, a primeira recusa foi explicada como um “bloqueio automático do sistema de criação de imagens”, sem detalhamento adicional.

Diferenças entre a versão WhatsApp e a versão web

No site da Meta AI, que funciona de maneira similar ao ChatGPT, a ferramenta recusou gerar imagens de campanha tanto para Lula quanto para Flávio Bolsonaro. A divergência entre as duas plataformas indica que o bloqueio pode estar associado a regras específicas de moder ação aplicadas ao canal de mensagens instantâneas.

Essa distinção é relevante porque o WhatsApp tem alcance massivo no Brasil, sendo utilizado por milhões de eleitores para troca de informações políticas. Qualquer diferença de tratamento pode influenciar a percepção do público sobre a igualdade de oportunidades entre candidatos.

Implicações legais segundo a legislação eleitoral

A Lei das Eleições, reforçada pela Resolução 23.755/2026 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), proíbe que qualquer agente, inclusive sistemas automatizados, emita opiniões, indique preferência ou favoreça candidatos de forma direta ou indireta. A recusa seletiva da IA pode ser interpretada como violação dessa norma.

O TSE, em parceria com a Advocacia‑Geral da União (AGU), lançou em agosto de 2024 uma Cartilha de Boas Práticas de Inteligência Artificial. O documento enfatiza a necessidade de neutralidade institucional e a isenção político‑partidária na produção de conteúdos gerados por IA.

  • Neutralidade: a IA não deve favorecer nem prejudicar nenhum candidato.
  • Transparência: os usuários precisam ser informados quando há bloqueios automáticos.
  • Responsabilidade: desenvolvedores devem garantir que algoritmos cumpram a legislação eleitoral.

Até o momento, a assessoria de imprensa da Meta não se pronunciou oficialmente sobre o caso, embora tenha sido contatada pelo g1 para esclarecimentos.

Reações do público e das autoridades

Organizações da sociedade civil que monitoram o uso de tecnologia nas eleições pediram uma investigação aprofundada. Elas argumentam que a falta de clareza sobre os critérios de bloqueio pode comprometer a confiança dos eleitores na imparcialidade das plataformas digitais.

Do lado dos candidatos, representantes do Partido dos Trabalhadores (PT) solicitaram ao TSE que verifique possíveis violações da lei. Já a equipe de campanha de Flávio Bolsonaro destacou que a IA tem sido útil para criar materiais de divulgação, mas reconheceu a necessidade de observar os limites legais.

Especialistas em IA ressaltam que algoritmos de moderação costumam usar listas de palavras sensíveis, o que pode explicar a diferença de tratamento entre os nomes “Lula” e “Flavio”. No entanto, eles alertam que tais listas precisam ser auditadas para evitar preconceitos inadvertidos.

O caso também reacendeu o debate sobre a regulamentação de conteúdos gerados por IA em períodos eleitorais. Enquanto alguns defendem a criação de filtros mais rígidos, outros temem que restrições excessivas limitem a liberdade de expressão e a inovação tecnológica.

Perspectivas para o futuro da IA nas eleições brasileiras

Com a crescente adoção de assistentes virtuais, o TSE tem sinalizado a intenção de atualizar suas normas para incluir regras específicas sobre IA. A expectativa é que novas diretrizes sejam publicadas antes das eleições de 2026, buscando equilibrar a proteção da democracia com o avanço tecnológico.

Enquanto isso, plataformas como a Meta são encorajadas a melhorar a transparência de seus processos de bloqueio, disponibilizando logs ou justificativas mais detalhadas aos usuários que enfrentarem recusas.

Em síntese, o episódio evidencia a necessidade de um diálogo constante entre reguladores, empresas de tecnologia e a sociedade, a fim de garantir que a inteligência artificial sirva ao interesse público sem comprometer a lisura do processo eleitoral.

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