O líder do MDB no Senado, Eduardo Braga, anunciou nesta terça‑feira (13) apoio à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, representando a posição dos senadores do partido e defendendo os diretórios estaduais que também sustentam a candidatura do petista no segundo turno. O pronunciamento ocorreu em Brasília, durante reunião do colegiado do partido, e trouxe à tona a complexa divisão interna entre unidades que apoiam Lula e aquelas que preferem Flávio Bolsonaro.
Apoio ao segundo turno
Dez diretórios do MDB nas regiões Norte e Nordeste declararam apoio ao candidato do PT para o segundo turno. A decisão foi tomada na tarde da mesma terça‑feira, refletindo a estratégia do partido de se alinhar com a maioria dos eleitores que votaram no primeiro turno.
- Amazonas
- Alagoas
- Bahia
- Ceará
- Maranhão
- Pará
- Pernambuco
- Piauí
- Paraíba
- Rondônia
Esses estados somam uma parcela significativa do eleitorado, o que, segundo Braga, foi crucial para evitar uma ruptura democrática nos últimos quatro anos. O senador destacou que sem o apoio desses diretórios a aprovação de reformas estruturantes, como a reforma tributária, seria improvável.
Defesa da democracia e comentários de Sarney
Durante o discurso, Eduardo Braga citou o 8 de janeiro como um ponto crítico que poderia ter comprometido a estabilidade institucional se o MDB não tivesse mantido a defesa da democracia. “Nada disso teria acontecido se não estivéssemos vivendo uma democracia plena no Brasil”, afirmou.
Em um momento emotivo, o ex‑presidente José Sarney entrou na conversa por telefone e reforçou a importância de o MDB permanecer ao lado da liberdade, da democracia e da soberania nacional. “Meu filho, o MDB não pode, neste momento histórico, deixar de estar ao lado da liberdade”, disse Sarney.
Divisão interna: Lula vs. Flávio Bolsonaro
Apesar do apoio ao petista, o MDB também registrou apoio significativo a Flávio Bolsonaro, candidato do PL à presidência. Dezessete dos vinte e sete diretórios estaduais do partido optaram por apoiar o senador do PL, criando uma divisão interna que reflete a polarização do eleitorado.
O presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, justificou a escolha citando o desejo de mudança expressado pelos eleitores no primeiro turno. “Tomamos a decisão que o povo tomou nas urnas no primeiro turno, que é o desejo de mudança”, declarou.
Veneziano Vital do Rêgo, senador da Paraíba, também se pronunciou, acusando Flávio Bolsonaro de não querer modernizar a legislação tributária. Segundo ele, a vitória de Bolsonaro poderia reverter avanços aprovados pelo Congresso em 2024.
Impactos nas reformas e no cenário político
A disputa interna do MDB tem implicações diretas nas reformas em curso, sobretudo a tributária. Caso Lula vença o segundo turno, o partido promete apoiar a continuidade das mudanças estruturais. Por outro lado, um triunfo de Flávio Bolsonaro poderia levar a revisões ou até a retrocessos nas propostas já encaminhadas.
Além das reformas, a postura do MDB influencia a composição das alianças no Congresso. O apoio ao presidente Lula pode garantir maior estabilidade para projetos de governo, enquanto o apoio a Bolsonaro pode fortalecer a bancada conservadora.
O senador Eduardo Braga, que preside a Comissão Minha Casa Minha Vida, enfatizou que a decisão do partido será tomada com base no que ele chamou de “soberania popular”. Ele ressaltou que a escolha deve refletir a vontade dos eleitores e não meras conveniências políticas.
O cenário também afeta a relação entre o Executivo e o Legislativo. Um MDB unido ao governo Lula pode facilitar a tramitação de projetos, enquanto uma bancada dividida pode gerar impasses e negociações mais complexas.
Em resumo, a posição do MDB no Senado e a defesa dos diretórios estaduais são indicadores claros de como o partido está se posicionando diante da disputa presidencial. A decisão final ainda está em aberto, mas o que fica evidente é que a partida política está longe de ser decidida.
Os eleitores, por sua vez, acompanham atentamente cada movimento, pois a escolha do MDB pode ser determinante para o futuro das políticas públicas, da estabilidade institucional e da agenda de reformas que o país tanto necessita.








