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Divisão interna do MDB no segundo turno: maioria apoia Flávio Bolsonaro, enquanto outros respaldam Lula

No segundo turno da eleição presidencial, o Movimento Democrático Brasileiro (MDB) mostrou sua fragmentação ao anunciar os apoios de seus diretórios estaduais. Na terça‑feira, 13 de outubro, líderes do partido se reuniram em São Paulo para declarar suas preferências. Enquanto dezesseis unidades optaram por Flávio Bolsonaro, dez dirigem seu voto a Luiz Inácio Lula da Silva.

Divisão dos diretórios estaduais

O presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, conduziu um evento no centro da capital paulista onde a maioria dos dirigentes estaduais manifestou apoio ao candidato do PL. Flávio Bolsonaro compareceu ao encontro, acompanhado por autoridades locais como o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, e o vice‑governador Felício Ramuth, ambos filiados ao MDB.

O local da reunião foi o comitê de campanha do governador reeleito Tarcísio de Freitas, do partido Republicanos, que também tem laços estreitos com o senador Bolsonaro. A presença de Tarcísio reforçou a sensação de que a bancada do MDB está inclinada para a direita nas disputas eleitorais de 2024.

Ao mesmo tempo, representantes de outros diretórios estaduais organizaram um segundo encontro na mesma tarde, desta vez para oficializar o apoio ao presidente Lula. Esse grupo contou com lideranças do Nordeste e Norte, regiões onde o MDB historicamente mantém alianças com famílias políticas de longa data.

Os números divulgados revelam a extensão da cisão: 16 diretórios declararam apoio a Flávio Bolsonaro, 10 escolheram Lula e, em apenas um estado, os filiados foram liberados para votar livremente, sem orientação oficial do partido.

Impactos regionais e lideranças

Nos estados do Nordeste, como Alagoas e Pará, o MDB manteve sua tradição de apoio a Lula, apoiado por famílias políticas influentes como os Calheiros e os Barbalho. Essas lideranças têm histórico de cooperação com o presidente ao longo de seu terceiro mandato.

Na região Norte, o apoio ao candidato de esquerda se consolidou em estados como Pará, onde a família Barbalho exerce forte influência sobre a bancada estadual do MDB. A decisão de apoiar Lula foi tomada em consenso com lideranças locais que veem no presidente uma garantia de continuidade de políticas sociais.

Já no Sudeste, a maioria dos diretórios optou por Flávio Bolsonaro, refletindo a estratégia de alinhar o partido com a agenda conservadora do governo atual. Essa escolha foi reforçada pela presença de figuras como Ricardo Nunes, que tem buscado estreitar laços com a base do PL.

O Sul do país apresentou uma divisão mais equilibrada, com alguns estados ainda indecisos e outros já sinalizando apoio a um dos candidatos. Essa heterogeneidade demonstra que o MDB ainda luta para consolidar uma posição única em nível nacional.

Além das famílias políticas, o MDB também considerou o desempenho eleitoral de seus próprios candidatos nas eleições de 2022 e nas projeções para 2026. Em 2026, o partido elegeu sete senadores, alguns dos quais fizeram alianças com Lula, enquanto outros permaneceram na oposição.

Repercussões nas alianças e no cenário político

O apoio de partidos menores ao segundo turno também foi detalhado. Flávio Bolsonaro recebeu o respaldo de Avante, Democracia Cristã (DC), Novo, Podemos, Partido Progressista (PP), PRTB, Republicanos e União Brasil, formando uma ampla coalizão de direita.

Lula, por sua vez, contou com a orientação de voto de partidos de esquerda e centro‑esquerda que não estavam formalmente em sua aliança no primeiro turno, como o Partido Comunista Brasileiro (PCB), PSTU e Unidade Popular (UP). Essa estratégia buscou ampliar a base de apoio em setores que tradicionalmente não votam no PT.

  • Partidos que apoiam Flávio Bolsonaro: Avante, DC, Novo, Podemos, PP, PRTB, Republicanos, União Brasil.
  • Partidos que apoiam Lula: PCB, PSTU, UP.

Os resultados do primeiro turno mostraram que Flávio Bolsonaro obteve 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula recebeu 45,16%, uma diferença histórica de apenas 1,87 ponto percentual. Essa estreita margem fez com que a decisão dos diretórios do MDB fosse ainda mais estratégica.

Outros candidatos que participaram do primeiro turno também declararam suas intenções para o segundo turno. Augusto Cury (Avante) e Ronaldo Caiado (PSD) anunciaram apoio a Flávio, enquanto Renan Santos (Missão) manteve posição neutra. Essa movimentação reforça a importância das alianças pós‑primeiro turno.

Nas eleições de 2026, a estratégia do MDB pode mudar novamente, já que alguns senadores eleitos em 2022 alinharam-se com Lula, enquanto outros permaneceram na oposição. Essa flexibilidade indica que o partido ainda busca seu lugar entre os blocos políticos em formação.

Especialistas apontam que a divisão interna do MDB pode influenciar a votação dos eleitores indecisos, sobretudo nas regiões onde o partido tem forte presença histórica. A capacidade de mobilizar bases regionais pode ser decisiva para o resultado final da disputa presidencial.

Além disso, a liberação de filiados em um estado para escolher livremente demonstra uma tentativa de evitar rupturas internas que poderiam gerar deserções ou a criação de grupos dissidentes. Essa medida pode servir de modelo para outras siglas que enfrentam dilemas semelhantes.

O cenário político brasileiro, marcado por polarização, tem observado um aumento nas alianças pontuais e nas negociações de bastidores. O MDB, ao dividir seus diretórios, reflete a complexidade de conciliar interesses regionais, ideológicos e estratégicos.

Observadores ressaltam que, independentemente do candidato escolhido, o MDB buscará garantir cargos executivos e legislativos nas próximas gestões, mantendo sua relevância como terceira força tradicional do país.

Por fim, a disputa no segundo turno ainda está em curso, e a posição dos 27 diretórios estaduais do MDB poderá ser um termômetro da força de cada candidato nas regiões mais competitivas. O desenrolar desses apoios será acompanhado de perto pelos analistas de opinião pública.

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