O acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia impulsionou as exportações do Brasil em 30% desde sua entrada em vigor, em maio de 2023. A informação foi confirmada nesta terça‑feira (13) pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, durante evento no Ministério da Agricultura. O ministro ressaltou que o crescimento se deu em todo o território nacional, beneficiando produtores de diversas regiões.
Impacto imediato nas exportações agropecuárias
Desde a assinatura do acordo, mais de 700 mercados foram abertos para produtos agropecuários brasileiros. Entre os itens que passaram a ter tarifa zero estão frutas, sucos, peixes, crustáceos, óleos vegetais e café solúvel. O café em grão já circula livre de impostos na Europa, ampliando a competitividade dos nossos produtores.
Além desses produtos, o acordo prevê redução gradual de tarifas para itens considerados sensíveis, como carnes bovina, suína e de frango. Essas reduções são condicionadas a cotas de exportação, o que permite um ajuste gradual das indústrias europeias e protege os agricultores locais.
- Frutas e sucos – tarifa zero;
- Peixes e crustáceos – tarifa zero;
- Óleos vegetais – tarifa zero;
- Café solúvel e moído – tarifa zero;
- Café em grão – livre de impostos;
- Carne bovina, suína e de frango – redução progressiva com cotas.
Essas mudanças tarifárias geraram um aumento de 10,4% nas exportações brasileiras em 2026, segundo dados do próprio ministério. O crescimento não se restringiu ao agronegócio; setores como mineração, têxteis e tecnologia também registraram recordes de vendas para a UE.
Expansão do comércio bilateral
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, destacou que o comércio bilateral entre os países do Mercosul e da União Europeia já soma mais de US$ 6 bilhões desde maio de 2023. Esse volume demonstra a força do acordo e a confiança dos parceiros europeus nos produtos brasileiros.
Vieira apontou ainda que a perspectiva de crescimento futuro é ainda mais promissora, pois o acordo abre caminho para novos investimentos e parcerias estratégicas em áreas como energia renovável, infraestrutura e serviços digitais.
Para aproveitar plenamente esse cenário, o governo tem trabalhado em conjunto com as empresas brasileiras, oferecendo apoio na certificação de produtos, na adequação a padrões sanitários europeus e na facilitação de processos logísticos.
Desafios e estratégias de negociação
Apesar dos avanços, o ministro Elias Rosa reconheceu que o ambiente internacional permanece desafiador. Barreiras tarifárias residuais, bem como barreiras não tarifárias – como normas fitossanitárias e requisitos de origem – ainda representam obstáculos para alguns exportadores.
Em resposta, o Brasil tem intensificado o diálogo com os Estados Unidos, buscando acordos complementares que reduzam essas barreiras e ampliem o acesso a mercados fora da UE. A estratégia inclui a participação em fóruns multilaterais e a negociação de acordos setoriais.
Além disso, o governo enfatiza a necessidade de investimentos privados em tecnologia e inovação, a fim de melhorar a qualidade e a rastreabilidade dos produtos. Essa combinação de políticas públicas e iniciativa empresarial é vista como essencial para manter o ritmo de crescimento registrado até agora.
O cenário internacional, embora complexo, oferece oportunidades significativas para o Brasil consolidar sua posição como fornecedor estratégico de alimentos e commodities de alta qualidade. O acordo Mercosul‑UE funciona como alavanca para diversificar destinos, reduzir custos de exportação e fortalecer a cadeia produtiva nacional.








