O governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), oficializou apoio ao candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) na manhã do dia 4 de outubro de 2024, durante a divulgação de um vídeo nas redes sociais. A manifestação ocorreu logo após a conclusão do primeiro turno das eleições estaduais, que definiu Cleitinho como governador com maioria absoluta.
Resultados da eleição em Minas Gerais
Cleitinho Azevedo venceu o pleito governamental com 6.321.590 votos, correspondentes a 55,4% do total de eleitores habilitados. O resultado foi registrado no mesmo dia em que o primeiro turno das eleições gerais foi concluído, reforçando a visibilidade da vitória em todo o estado.
O segundo colocado, o deputado Patrus Ananias (PT-MG), obteve 3.006.088 votos, menos da metade dos votos de Cleitinho. Curiosamente, Ananias ficou atrás até mesmo de Nikolas Ferreira, líder da bancada bolsonarista no Legislativo estadual, que recebeu mais votos que o candidato do PT.
Esses números colocam Minas Gerais como um dos maiores colégios eleitorais do país, ficando atrás apenas de São Paulo. A participação massiva dos eleitores mineiros costuma ser decisiva nas eleições presidenciais, já que o estado tem histórico de alternar apoio entre diferentes espectros políticos.
Aliança entre Cleitinho e Flávio Bolsonaro
Em um vídeo divulgado nas redes sociais, Cleitinho aparece retirando o adesivo de sua campanha ao governo e substituindo-o por um que o mostra ao lado de Flávio Bolsonaro. A mensagem do governador eleito foi clara: “Minas Gerais é Cleitinho e Flávio Bolsonaro. Bolsonaro é Minas Gerais, Minas Gerais é Flávio Bolsonaro. É 22”.
Esse gesto reforça a aliança entre dois líderes que compartilham a mesma base ideológica, apesar de o PL já ter apresentado um candidato próprio ao governo mineiro, o empresário Flávio Roscoe. A decisão de Cleitinho demonstra que ele prioriza a estratégia nacional em detrimento de possíveis rivalidades internas ao partido.
Além de Cleitinho, outros nomes de peso no cenário político mineiro também declararam apoio a Flávio Bolsonaro. O atual governador Mateus Simões (PSD) e seu antecessor Romeu Zema (Novo) se posicionaram ao lado do candidato presidencial, ampliando a rede de apoio dentro do estado.
- Cleitinho Azevedo – Governador eleito (Republicanos)
- Mateus Simões – Governador em exercício (PSD)
- Romeu Zema – Ex‑governador (Novo)
- Nikolas Ferreira – Líder da bancada bolsonarista
A soma desses apoios cria um bloco que pode dificultar a estratégia de reviravolta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que perdeu Minas Gerais no primeiro turno por 588.612 votos. A presença de Flávio Bolsonaro nas urnas de Minas pode ser decisiva para o resultado final da disputa presidencial.
Impactos para a disputa presidencial
Desde a redemocratização, todos os presidentes eleitos venceram em Minas Gerais. O eleitorado mineiro tem o hábito de funcionar como um pêndulo, alternando o voto entre diferentes correntes políticas. Em 2022, por exemplo, o estado elegeu Lula à Presidência e Zema ao governo estadual, evidenciando a capacidade de dividir o voto.
Com a aliança entre Cleitinho e Flávio Bolsonaro, o cenário para o segundo turno presidencial ganha uma nova variável. Caso Flávio consiga consolidar o apoio de líderes regionais, ele pode melhorar seu desempenho em Minas, reduzindo a margem de vantagem de Lula no estado.
Entretanto, a estratégia de Lula também conta com a mobilização de bases tradicionais, como sindicatos, movimentos sociais e lideranças estaduais que ainda mantêm forte presença em Minas. A disputa será marcada por campanhas intensas, com uso de redes sociais, propaganda em rádio e televisão, além de visitas a cidades estratégicas.
Os analistas políticos apontam que a decisão de Cleitinho pode influenciar não apenas o voto de seus apoiadores diretos, mas também a percepção de eleitores indecisos que valorizam a coesão entre governador e candidato presidencial. Essa percepção pode ser decisiva nos municípios onde a disputa ainda está equilibrada.
Perspectivas para o segundo turno
Com o primeiro turno encerrado, a corrida para o segundo turno já começa a se delinear. O número de eleitores que ainda não definiu sua preferência será crucial para ambos os candidatos. Estratégias de mobilização, como visitas a regiões rurais e urbanas, debates ao vivo e alianças com lideranças locais, deverão ser intensificadas.
Para Flávio Bolsonaro, a aliança com Cleitinho representa um atalho para conquistar o voto de eleitores que ainda não se decidiram. Para Lula, a tarefa será reforçar a mensagem de continuidade e de políticas sociais que historicamente têm atraído o eleitorado mineiro.
Em resumo, a decisão de Cleitinho Azevedo de abraçar a campanha de Flávio Bolsonaro acrescenta mais um elemento de complexidade ao cenário político nacional. O desfecho das eleições dependerá da capacidade de cada candidato de transformar apoio institucional em votos efetivos nas urnas.








