No domingo, 11 de outubro, milhares de apoiadores se reuniram na Avenida Paulista, em São Paulo, para um grande ato em defesa da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O evento, marcado por faixas vermelhas e cantos de campanha, foi amplamente divulgado pela imprensa estrangeira, que analisou seu significado no contexto da disputa presidencial. A manifestação ocorreu poucos dias antes do segundo turno, programado para 25 de outubro, e buscou mobilizar eleitores indecisos e reforçar a presença do PT nas ruas.
Cobertura da imprensa estrangeira
Agências como Reuters, El País e EFE dedicaram espaço de destaque à concentração paulistana, ressaltando seu papel como demonstração de força do candidato à esquerda. A Reuters enfatizou a simultaneidade das agendas de Lula e do senador Flávio Bolsonaro, que naquele mesmo domingo se encontrou com o governador Tarcísio de Freitas para consolidar alianças. O contraste entre o discurso de segurança pública de Lula e a estratégia de Bolsonaro de reforçar vínculos regionais foi apontado como indicativo da polarização que marca a campanha.
O jornal espanhol El País descreveu a ação como uma “maré vermelha” que invadiu as ruas da maior avenida do Brasil, aludindo à cor tradicional do Partido dos Trabalhadores. O texto destacou a presença de jovens, da comunidade LGBTQIA+ e de idosos, grupos que o presidente tentou atrair para o segundo turno. Além disso, o veículo relacionou o evento à defesa da democracia frente ao avanço do bolsonarismo, sugerindo que a mobilização seria também simbólica, além de eleitoral.
A agência EFE, por sua vez, focou no clima festivo da concentração, mencionando manifestantes vestindo vermelho e entoando palavras de ordem contra a direita. Em um
- relato detalhado
- que inclui imagens do público
- e declarações de lideranças petistas
, a EFE apontou que a ação pretendia reverter a vantagem de 1,87 ponto percentual que Flávio Bolsonaro havia conquistado no primeiro turno. A cobertura espanhola ressaltou ainda a urgência da campanha, com menos de duas semanas para o duelo final.
Estratégia de campanha de Lula
Lula utilizou o ato na Paulista como palco para anunciar um reforço na atuação federal em segurança pública, tema que tem sido central nas preocupações dos eleitores. Em discurso, o presidente prometeu ampliar a presença de forças federais nas cidades mais violentas, ao mesmo tempo em que buscou conectar essa proposta a um discurso de esperança e inclusão social. A mensagem foi direcionada especialmente a jovens e idosos, segmentos que, segundo pesquisas, ainda apresentam índices de comparecimento abaixo da média nas urnas.
Além das promessas de segurança, a campanha petista tem investido em uma narrativa de defesa da democracia, apresentando-se como guardiã dos direitos civis frente a ameaças autoritárias. Essa linha de argumentação foi reforçada nas redes sociais, onde vídeos da manifestação foram amplamente compartilhados, gerando engajamento e reforçando a imagem de Lula como líder de um movimento amplo e diverso. A presença de grupos LGBTQIA+ e de movimentos sociais reforçou a mensagem de pluralismo.
Para alcançar eleitores que não votaram no primeiro turno, a equipe de campanha adotou táticas de mobilização de base, como visitas a comunidades, debates em universidades e uso intensivo de microtargeting digital. A estratégia inclui ainda a criação de comícios regionais em estados-chave, como Minas Gerais e Rio Grande do Sul, onde a disputa está mais equilibrada. O ato na Avenida Paulista serviu, portanto, como um ponto de partida para essa série de ações coordenadas.
Impactos na reta final da eleição
Analistas políticos apontam que a demonstração de força na Paulista pode influenciar indecisos, sobretudo em áreas metropolitanas onde a presença de jovens e de trabalhadores informais é mais marcante. O clima de festa e a visibilidade internacional podem gerar um efeito de “onda” nas redes, ampliando a percepção de que o candidato tem apoio massivo. Essa percepção pode ser decisiva nas urnas, já que eleitores tendem a se alinhar com quem consideram vencedor.
Entretanto, críticos argumentam que a mobilização nas ruas não garante votos, especialmente em um cenário de alta polarização e desconfiança nas instituições. A vantagem de 1,87 ponto percentual de Flávio Bolsonaro no primeiro turno ainda representa um obstáculo significativo, exigindo que Lula conquiste não apenas novos eleitores, mas também recupere parte daqueles que abstiveram ou votaram em outros candidatos. A campanha tem, portanto, um duplo desafio: ampliar a base e reverter a abstinência.
Com o segundo turno marcado para 25 de outubro, os próximos dias serão decisivos para consolidar alianças, intensificar a propaganda nas mídias tradicionais e digitais, e garantir a presença dos eleitores nas urnas. A cobertura internacional do ato na Paulista serve como um termômetro da campanha, indicando que a disputa está se intensificando e que cada movimento tem potencial para mudar o rumo da eleição.








