Na manhã deste domingo, 11 de outubro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva dirigiu-se aos participantes da Marcha pela Democracia, que reuniu milhares de pessoas na Avenida Paulista, em São Paulo. Em meio ao trio elétrico que percorria a avenida, ele fez um agradecimento especial aos fãs organizados em torno de artistas internacionais e nacionais, destacando o papel desses grupos na campanha de reeleição.
O discurso, que durou poucos minutos, foi marcado por uma linguagem incomum para a política tradicional, ao citar diretamente os “fandoms” como aliados estratégicos. Lula brincou ao dizer que não sabia se deveria iniciar a fala com “companheiros e companheiras” ou com “fandoms do Brasil, obrigado pela iniciativa de vocês”.
A presença dos fandoms na política brasileira
Fandoms são comunidades virtuais que se unem por admiração a um artista, grupo musical ou obra cultural. No Brasil, essas comunidades ganharam força nos últimos anos, especialmente com a popularização do K‑pop, da música pop internacional e da produção nacional.
Durante a marcha, foram identificados grupos ligados a BTS, Taylor Swift, Beyoncé e Anitta. Cada um desses fandoms possui nomes próprios – ARMY, swifties, BeyHive e, no caso da cantora brasileira, simplesmente “fandom Anitta” – que facilitam a identificação e a organização interna.
- ARMY (fãs de BTS)
- Swifties (fãs de Taylor Swift)
- BeyHive (fãs de Beyoncé)
- Fandom Anitta (fãs da cantora brasileira)
Essas comunidades não se limitam a curtir músicas; elas criam conteúdo, traduzem entrevistas, moderam fóruns e mobilizam seus membros para causas diversas, inclusive políticas.
Como as comunidades organizam a mobilização
Uma das características mais marcantes dos fandoms é a divisão de tarefas. Em grupos maiores, como o ARMY, há equipes responsáveis por tradução simultânea de entrevistas, produção de memes, gerenciamento de redes sociais e até logística de eventos presenciais.
Na campanha de Lula, essas competências foram redirecionadas para a divulgação de mensagens de apoio ao candidato. Posts nas redes sociais foram adaptados para o português, legendas foram criadas para vídeos de discursos e chamadas foram enviadas para grupos de WhatsApp, incentivando a participação nas urnas.
Algumas ações específicas incluíram:
- Tradução de trechos de entrevistas do presidente para o idioma dos fãs.
- Criação de artes gráficas com slogans da campanha adaptados ao estilo visual de cada fandom.
- Organização de encontros presenciais em pontos estratégicos da cidade, como a própria Avenida Paulista.
- Divulgação de guias de voto para eleitores indecisos, com linguagem acessível e memes que facilitam a compreensão.
Essas estratégias visam alcançar principalmente o público jovem, que costuma consumir informação em formatos curtos e visualmente atrativos.
Além da produção de conteúdo, os fandoms também desempenham um papel de “câmbio cultural”, trazendo referências de artistas internacionais para o debate político nacional. Essa troca enriquece o discurso ao inserir linguagem contemporânea e símbolos reconhecidos pelos jovens.
Impactos e perspectivas para a campanha
O engajamento dos fandoms pode gerar efeitos multiplicadores. Cada postagem compartilhada por um membro tem o potencial de alcançar dezenas, senão centenas, de outras contas, ampliando a mensagem de apoio ao candidato de forma orgânica.
Especialistas em comunicação digital apontam que a presença desses grupos pode influenciar eleitores indecisos, especialmente aqueles que ainda não têm vínculo forte com nenhum partido. Ao receberem informações de fontes que consideram confiáveis – como amigos dentro do fandom – esses eleitores tendem a prestar mais atenção às propostas apresentadas.
Outro ponto relevante é a capacidade de mobilização em dias de votação. Fandoms já demonstraram, em outras campanhas, a habilidade de organizar transporte coletivo, distribuir material informativo e até monitorar a presença de eleitores nas seções eleitorais.
Entretanto, há desafios. A atuação de grupos de fãs em campanhas políticas levanta questões sobre a transparência das fontes de financiamento e a eventual influência de marcas estrangeiras. Autoridades eleitorais ainda estão avaliando como regulamentar esse tipo de participação.
Para a campanha de Lula, a estratégia de integrar fandoms ao discurso parece ter sido bem recebida. Nas redes sociais, a hashtag #FandomsPorLula ganhou milhares de menções nas primeiras horas após a marcha, indicando um engajamento imediato.
O futuro desse tipo de colaboração ainda depende de como os partidos políticos vão adaptar suas estratégias de comunicação. Caso o modelo se mostre eficaz, é provável que vejamos uma expansão desse tipo de parceria nas próximas eleições.
Em síntese, a presença dos fandoms na Avenida Paulista simboliza a intersecção entre cultura pop e política contemporânea, mostrando que movimentos digitais podem ter peso significativo no cenário eleitoral.








