Nas eleições gerais de 2022, a federação PSOL/Rede não conseguiu atingir os requisitos da cláusula de barreira, o que resultou na perda do acesso ao Fundo Partidário e à propaganda gratuita em rádio e TV. O obstáculo ocorreu em todo o território nacional, apesar de alguns candidatos individuais terem obtido votação expressiva em seus estados.
Desempenho eleitoral do PSOL
Os candidatos Erika Hilton (SP), Sâmia Bomfim (SP) e Jones Manoel (PE) registraram números relevantes, mas não foram suficientes para levar colegas de partido à Câmara dos Deputados. Cada um desses nomes superou a marca de centenas de milhares de votos, porém a soma estadual ficou abaixo do quociente eleitoral exigido.
No Distrito Federal, Fábio Felix foi o candidato mais votado do partido, mas, sem votos complementares de outros filiados, ficou sozinho na bancada. O mesmo padrão se repetiu em Minas Gerais, onde o PSOL conquistou apenas um mandato, enquanto o PL alcançou 21 vagas graças ao desempenho de Nikolas Ferreira.
Entendendo a cláusula de barreira
A cláusula de barreira estabelece limites claros para o financiamento público e a exposição midiática dos partidos que não atingirem determinados patamares. Ela funciona como um filtro que visa reduzir a fragmentação partidária no Congresso.
- Eleger ao menos 13 deputados distribuídos por no mínimo nove estados;
- Obter 2,5% dos votos válidos para a Câmara em cada um desses nove estados;
- Manter um mínimo de 1,5% de votos válidos em cada um dos estados citados.
O PSOL falhou em cumprir tanto o número de deputados quanto a porcentagem mínima de votos em várias unidades da federação, o que desencadeou a perda de recursos.
Análises de especialistas
Frederico Bertholini, professor de ciência política da UnB, apontou que a organização do Partido Liberal (PL) foi decisiva para superar a cláusula, enquanto o PSOL careceu de uma estratégia de coalizão efetiva. Ele ressaltou que a ausência de alianças estruturadas dificultou a consolidação de votos em múltiplas regiões.
Para o professor, a federação com o PT poderia ter sido uma alternativa viável, mas a decisão de manter a independência da sigla foi mantida pelos psolistas em março de 2022. Essa postura, segundo ele, limitou a capacidade de somar votos e alcançar o quociente eleitoral.
Cenários e estratégias futuras
Especialistas sugerem que, para evitar a exclusão de recursos, o PSOL deve reconsiderar a possibilidade de federações partidárias de longo prazo, que exigem um compromisso mínimo de quatro anos. Nessas alianças, as legendas operam como uma única entidade nos cálculos de distribuição de recursos.
Um exemplo prático vem da Federação Brasil da Esperança (PT, PV e PCdoB), que, mesmo com menos votos totais que o PSOL, conseguiu eleger duas candidaturas no Distrito Federal graças à distribuição equilibrada dos votos entre os estados.
Se o PSOL adotasse uma federação similar, poderia ter garantido pelo menos duas vagas adicionais em São Paulo, contribuindo para o cumprimento da cláusula de barreira.
Além das federações, outra estratégia apontada é a intensificação de campanhas regionais focadas em estados onde o partido já possui base consolidada, como São Paulo e Minas Gerais. A ideia é transformar os “puxadores de voto” em verdadeiros motores de coesão eleitoral.
Por fim, o partido precisa investir em comunicação digital e em mobilização de bases locais, de modo a transformar a votação motivada por opinião em apoio estruturado a múltiplos candidatos. Essa mudança de abordagem pode ser decisiva para o próximo ciclo eleitoral.








