Em um almoço realizado no Shopping Light, no centro de São Paulo, neste domingo (11), o senador Flávio Bolsonaro afirmou que a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva está usando um canal no WhatsApp para espalhar “mentiras em massa”. O senador, que também é candidato à Presidência nas eleições de 2026, denunciou a suposta estratégia de desinformação e reforçou que a sua equipe já solicitou a suspensão do referido canal. A declaração ocorreu durante encontro com prefeitos paulistas, organizado pelo prefeito da capital, Ricardo Nunes.
Acusações de mentiras e o canal “Exército do Lula”
Flávio Bolsonaro descreveu o que ele chamou de “principal instrumento” da campanha de Lula: um canal de transmissão no WhatsApp que, segundo ele, tem como objetivo difundir informações falsas para milhares de eleitores. O senador não revelou o nome exato do canal, mas a imprensa identificou o “Exército do Lula”, criado e coordenado pelo deputado André Janones (Rede-MG). O canal conta com mais de três milhões de inscritos e funciona como um hub de áudios, vídeos e orientações para os apoiadores do presidente.
Para ilustrar a gravidade da situação, Flávio enumerou os tipos de conteúdo que, segundo ele, são veiculados:
- Áudios que distorcem declarações de opositores.
- Vídeos editados que apresentam fatos fora de contexto.
- Orientações de mobilização que incentivam a disseminação de informações não verificadas.
Ele ressaltou que a estratégia de “mentira deliberada” faz parte de um plano de campanha que visa criar revolta e descrédito nas instituições governamentais. “De um lado, um governo mentiroso. É uma coisa que causa uma revolta, a quantidade de mentiras que eles tão inventando, e é de propósito, é estratégia de campanha a mentira”, afirmou o candidato.
Decisões judiciais e o impasse no TSE
Na mesma manhã de domingo, o ministro Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou a suspensão temporária do canal “Exército do Lula” após pedido formal da campanha de Flávio Bolsonaro. A medida foi justificada pela suposta violação das normas eleitorais, que proíbem a difusão de conteúdo comprovadamente inverídico em massa.
No entanto, a suspensão foi rapidamente revertida pelo corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, que reabilitou o funcionamento do canal de forma preliminar. O corregedor argumentou que a decisão ainda precisa ser analisada pelo plenário do TSE, que discutirá se a estrutura de transmissão a milhões de pessoas configura, de fato, uma violação das regras eleitorais.
A controvérsia jurídica trouxe à tona questões importantes sobre a regulação de plataformas digitais durante períodos eleitorais. Enquanto a campanha de Flávio defende que a medida é necessária para proteger o eleitorado de desinformação, a equipe de Lula sustenta que a suspensão seria uma censura ao direito de expressão e organização política.
O debate também levantou dúvidas sobre a responsabilidade das próprias plataformas, como o WhatsApp, que ainda não tem políticas claras para lidar com canais de massa que podem ser usados para fins eleitorais. Especialistas em direito digital apontam que a jurisprudência ainda está em construção, e que decisões como a do TSE podem servir de precedente para futuros pleitos.
Encontro com prefeitos e posicionamentos de campanha
Durante o almoço, Flávio Bolsonaro aproveitou a presença de diversos prefeitos paulistas para reforçar suas propostas e esclarecer dúvidas sobre sua agenda política. Entre os convidados estavam o governador reeleito Tarcísio de Freitas (Republicanos), bem como os senadores eleitos André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP).
Em resposta a críticas recorrentes, o senador negou que pretende acabar com o Bolsa Família, assegurando que o programa continuará ativo e que sua gestão manterá o aumento do salário mínimo acima da inflação. “Não vamos acabar com o Bolsa Família. Vamos preservar o programa e garantir que o salário mínimo continue crescendo em ritmo real”, afirmou.
Flávio também destacou que o cenário para sua vitória nas eleições de 2026 está “favorável”, mas alertou seus apoiadores para que não baixem a guarda. Ele enfatizou a importância da mobilização contínua, especialmente no segundo turno das eleições, marcado para o dia 25 de outubro.
“Essas pessoas que já votaram em nós, precisamos trabalhar para que elas vão às urnas no domingo de novo”, disse o candidato, enfatizando a necessidade de campanha de base e contato direto com eleitores.
Além das declarações sobre a suposta campanha de mentiras, o senador aproveitou o momento para lançar um plano de ação que inclui:
- Fortalecimento da presença nas redes sociais, com foco em conteúdo verificado.
- Criação de um comitê de combate à desinformação, integrado por especialistas em comunicação e direito eleitoral.
- Parcerias com órgãos de imprensa para garantir transparência nas informações divulgadas.
O evento também foi marcado por momentos de descontração, com os participantes compartilhando refeições e discutindo desafios locais, como mobilidade urbana, segurança pública e investimentos em infraestrutura. Flávio Bolsonaro aproveitou a ocasião para ouvir demandas dos prefeitos e prometer apoio a projetos que beneficiem as cidades menores.
Ao final do encontro, o senador reforçou seu compromisso de manter a agenda econômica, destacando que a prioridade será a geração de empregos e a redução da carga tributária para micro e pequenas empresas. “Precisamos de um país que ofereça oportunidades reais, sem burocracia excessiva, e que incentive o empreendedorismo”, concluiu.








