Lula sofreu uma derrota inesperada no primeiro turno das eleições de 2024, realizado no domingo, 4 de outubro, em todo o território nacional. O presidente e seu partido, o PT, passaram a buscar culpados dentro da própria estrutura, apontando falhas de campanha, comunicação e liderança.
Culpados internos: a gestão da campanha
Um dos nomes mais citados foi Edinho Silva, comandante do PT e coordenador da campanha de reeleição. Nos bastidores, a centralização excessiva de tarefas por parte de Edinho foi denunciada como um obstáculo à captação de votos em regiões distintas.
Em reunião logo após a votação, Lula expressou sua insatisfação, dizendo que a campanha foi “a menos organizada que eu participei desde 1989”. O presidente lembrou que a colheita depende do que se planta, referindo‑se à perda de 3,38 milhões de votos em relação ao pleito de 2022.
Nos três maiores colégios eleitorais do Nordeste – Ceará, Bahia e Piauí – a diferença foi de pouco mais de 230 mil votos. Diante desse cenário, Lula reforçou a coordenação com Camilo Santana, Rui Costa e Rafael Fonteles, buscando equilibrar a estratégia regional.
- Edinho Silva – coordenador centralizado
- Camilo Santana – senador e ex‑governador do Ceará
- Rui Costa – ex‑governador e senador da Bahia
- Rafael Fonteles – governador reeleito do Piauí
Falhas na comunicação e no marketing
O ministro da Comunicação Social, Sidônio Palmeira, também foi alvo de críticas. Embora não tenha deixado o cargo para atuar diretamente na campanha, ele colocou seu sócio Raul Rabelo como responsável pelo marketing eleitoral.
O desempenho de Rabelo foi considerado aquém das expectativas, gerando desconforto entre os petistas. Rumores surgiram de que Lula poderia recontratar João Santana, estrategista das campanhas vitoriosas de 2006 e de Dilma Rousseff, mas a contratação não se concretizou.
Mesmo sem a presença de Santana, a campanha recebeu apoio de marqueteiros indicados por políticos que obtiveram bons resultados nas eleições deste ano, tentando compensar a lacuna deixada por Rabelo.
- Sidônio Palmeira – ministro da Comunicação
- Raul Rabelo – marqueteiro da campanha
- João Santana – estrategista não contratado
Reação nas redes sociais e mudança de discurso
Seguindo a orientação dos novos colaboradores, Lula mudou a postura nas redes sociais. Abandonou o formalismo habitual e passou a usar uma linguagem mais direta, focada na desqualificação de Flávio Bolsonaro.
Em postagens recentes, o presidente alertou que a proposta de “tesouraço” de Flávio resultaria em cortes em programas sociais, moradias populares e merenda escolar. Em outra publicação, destacou que a continuidade do legado do pai de Flávio traria desemprego, aumento da pobreza e falta de vacinas.
Essa estratégia visa atrair o eleitorado digital, que responde melhor a mensagens curtas, emotivas e de confronto direto.
A primeira‑dama e as tensões internas
Rosângela da Silva, conhecida como Janja, também foi mencionada como fonte de atrito. Críticos afirmam que sua busca por protagonismo pode afastar eleitores que já têm uma imagem desgastada.
Kátia Abreu, ex‑senadora, chegou a defender “menos Janja e mais Alckmin” para ampliar a base de apoio do presidente no segundo turno. Essa postura evidencia a divisão interna entre aqueles que defendem a manutenção da linha de esquerda e os que buscam alianças mais amplas.
Apesar das críticas, a cultura partidária do PT ainda protege Lula de erros abertos, reforçando a ideia de que o líder nunca erra, mesmo quando os fatos apontam o contrário.








