Na noite de sábado, 10 de outubro de 2026, Maria Rita subiu ao palco da casa Vivo Rio, no Rio de Janeiro, para estrear a segunda edição de seu espetáculo “Redescobrir vol. 2”. O concerto marcou o retorno da cantora ao auge vocal que a consagrou em 2003, ao mesmo tempo em que homenageou a memória de sua mãe, Elis Regina.
Um retorno esperado pelos fãs
Depois de anos de projetos que não alcançaram o mesmo brilho, a artista surpreendeu ao apresentar um repertório que mistura clássicos da mãe com composições menos conhecidas. O público, que aguardava ansiosamente a retomada da energia dos primeiros discos, recebeu o show com entusiasmo e emoção.
O discurso de Maria Rita, feito logo após a interpretação de “Como Nossos Pais”, reforçou a ideia de que o legado de Elis continua vivo, mas sem que a filha se torne uma mera cópia. Ela destacou a importância de resgatar a essência da música brasileira, ao mesmo tempo em que traz sua própria identidade.
Curadoria musical e arranjos renovados
O diretor musical Rodrigo Tavares comandou arranjos que equilibram reverência ao original e inovação. Instrumentos de sopro, como o trombone de Samuca e o trompete de Vander Nascimento, dão nova cor a faixas como “Essa Mulher” e “Ladeira da Preguiça”.
Além dos sucessos consagrados, o programa incluiu raridades que poucos artistas ousam revisitar. A lista abaixo destaca algumas delas:
- “Um Por Todos” (João Bosco e Aldir Blanc, 1975)
- “Jardins da Infância” (João Bosco e Aldir Blanc, 1975)
- “Outro Cais” (Marilton Borges e Duca Leal, 1980)
Essas escolhas revelam um mergulho profundo no repertório de Elis, sem a necessidade de agradar ao público com hits fáceis.
Momentos de pura emoção
O ponto alto da noite foi o improviso a capella de “Romaria”, de Renato Teixeira, que surgiu após o bis de “Lança Perfume”. A interpretação, quase como uma oração, emocionou a plateia e consolidou a performance como um dos momentos mais marcantes da turnê.
Ao final, a artista agradeceu ao público e ressaltou o caráter político do espetáculo, lembrando que a música pode ser ferramenta de resistência e reflexão.
Comparativo com a edição de 2012
O primeiro volume de “Redescobrir” foi lançado em 2012 e se tornou referência. Contudo, a versão atual supera o original em termos de produção sonora e dinamismo de palco. Enquanto o show de 2012 apresentava arranjos mais fiéis às gravações da mãe, o novo volume ousa com texturas contemporâneas, sem perder a essência.
Essa evolução reflete a maturidade artística de Maria Rita, que aprendeu a dialogar com o passado sem ficar presa a ele. O resultado é um espetáculo que agrada tanto aos puristas quanto aos novos admiradores da música brasileira.
Conclusão: um futuro promissor
Com “Redescobrir vol. 2”, Maria Rita demonstra que ainda tem muito a oferecer ao cenário musical nacional. Seu talento vocal, aliado a uma curadoria inteligente e a arranjos inovadores, garante que a artista continue a brilhar nos próximos anos.
O show no Vivo Rio, sete meses após o início da turnê em Porto Alegre, confirma que a cantora está pronta para retomar o protagonismo que lhe cabe, honrando a memória de Elis Regina e, ao mesmo tempo, traçando seu próprio caminho.








