Na manhã de domingo, 11 de outubro de 2024, o grupo rebelde iemenita Houthis divulgou um alerta de risco para novos ataques a aeroportos da Arábia Saudita, após o bombardeio que matou 12 pessoas e feriu mais de 300 no Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riade. O comunicado foi feito nas redes sociais, um dia depois do atentado que deixou a capital saudita em estado de emergência. Autoridades locais pedem que companhias aéreas, viajantes e funcionários se mantenham afastados das áreas afetadas.
Alerta dos Houthis e contexto do ataque
Os Houthis, apoiados pelo Irã, justificam a ação como retaliação aos bombardeios sauditas contra o território iemenita. Mohammed al‑Bukhaiti, porta‑voz do grupo, afirmou que a ofensiva tem como objetivo pressionar a Arábia Saudita a cessar suas operações militares no Iêmen. O ataque de sábado, por volta das 15h (horário local), foi o mais letal registrado no reino em mais de dez anos.
Segundo relatos, o sistema de alerta de ameaças da Arábia Saudita não emitiu nenhum aviso prévio, o que surpreendeu as autoridades de segurança. O bombardeio provocou uma coluna de fumaça densa e danificou gravemente um avião da Saudi Arabian Airlines, que ainda estava no solo. Esse incidente segue um ataque anterior, na quinta‑feira (8), que também atingiu o mesmo aeroporto.
Impactos imediatos e medidas de segurança
Imediatamente após a explosão, o Aeroporto Internacional Rei Khalid foi fechado temporariamente para permitir a evacuação de vítimas e a inspeção de danos estruturais. O Ministério da Energia saudita confirmou que a conferência internacional de energia, organizada pela WPC, permanecerá confirmada para domingo, apesar da crise.
Autoridades educacionais determinaram que as escolas de Riade adotem o ensino remoto por uma semana, reduzindo o fluxo de pessoas na cidade. Ambulâncias e equipes de socorro foram mobilizadas rapidamente, atendendo a mais de 300 feridos, entre eles civis e funcionários do aeroporto.
Repercussões internacionais e respostas de companhias aéreas
Várias embaixadas emitiram alertas de viagem. Os Estados Unidos, Reino Unido, Espanha e Alemanha recomendaram que seus cidadãos evitassem o aeroporto e, no caso dos EUA, exigiram autorização especial para funcionários que precisassem utilizá‑lo. O Canadá também alertou sobre a interrupção das operações devido à atividade militar na região.
Companhias aéreas reagiram suspendendo ou cancelando voos para a capital saudita. Entre as que anunciaram mudanças estão:
- Kuwait Airways – cancelamento de todos os voos para Riade;
- Etihad Airways – suspensão parcial até segunda‑feira (12);
- Qatar Airways – interrupção de voos, com possibilidade de retomada após avaliação de segurança.
Além disso, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que seu governo está avaliando a possibilidade de participar dos bombardeios sauditas contra os Houthis, aumentando a tensão diplomática na região.
Perspectivas para a região e próximos passos
O conflito no Iêmen, que já dura mais de uma década, entrou em nova fase de intensificação. No início de outubro, forças governamentais iemenitas, apoiadas pela Arábia Saudita, lançaram uma grande operação militar contra os Houthis, que respondeu com uma série de lançamentos de mísseis contra alvos sauditas.
Os Houthis reiteraram que apenas voos humanitários previamente autorizados poderão pousar em Riade, reforçando a mensagem de que o espaço aéreo saudita foi declarado zona de operações militares. Essa postura pode impactar ainda mais o tráfego aéreo internacional e a logística de energia, já que a conferência da WPC reúne mais de 70 ministros e 300 executivos de empresas globais.
Analistas de segurança apontam que o próximo passo dos Houthis pode ser a ampliação dos ataques a infraestruturas civis, caso a pressão militar saudita continue. Por outro lado, a comunidade internacional tem pressionado por um cessar‑fogo que permita a entrega de ajuda humanitária ao Iêmen, que enfrenta uma das maiores crises de fome do mundo.
Enquanto isso, a população de Riade vive dias de incerteza, com escolas em ensino remoto, aeroportos fechados e a presença de forças de segurança reforçadas nas áreas críticas. O futuro próximo dependerá das negociações diplomáticas entre os atores regionais e da capacidade das autoridades sauditas de garantir a segurança dos viajantes e das instalações estratégicas.
Em resumo, o alerta dos Houthis representa um novo capítulo na escalada de violência que ameaça não apenas a segurança aérea da Arábia Saudita, mas também a estabilidade econômica da região, especialmente no setor de energia, que depende da livre circulação de executivos e representantes de organizações internacionais.








