Em 2026, o Ministério da Saúde confirmou a ocorrência de 52 casos de sarampo no território nacional, todos provenientes do exterior. Os casos foram distribuídos entre São Paulo (41), Amazonas (10) e Rio de Janeiro (1). A situação exige resposta rápida das autoridades de saúde para evitar a propagação da doença.
Situação atual dos casos
Os 52 pacientes identificados apresentaram histórico de viagem ou contato com pessoas infectadas fora do Brasil. As investigações epidemiológicas apontam que nenhum caso foi resultante de transmissão comunitária interna.
O Painel de Doenças Exantemáticas registrou mais de 3,8 mil notificações de sarampo ao longo do ano. Deste total, 2,3 mil foram descartados após análise laboratorial, enquanto cerca de 1,4 mil permanecem sob investigação.
Apesar do número de notificações, o Ministério da Saúde reforça que o país continua livre da circulação endêmica do vírus, conforme avaliação da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).
Medidas de controle e vacinação
Para conter a transmissão, as equipes de saúde adotam busca ativa, investigação de casos, monitoramento de contatos e bloqueio vacinal. Essas ações são complementadas por campanhas de vacinação em locais de grande circulação.
Em 2026, foram realizadas quatro grandes mobilizações de vacinação, totalizando mais de 3,8 milhões de doses aplicadas em São Paulo e aproximadamente 192 mil no Amazonas.
- Busca ativa em áreas de risco
- Investigação de casos suspeitos
- Coleta de amostras para laboratório
- Identificação e acompanhamento de contatos
- Bloqueio vacinal nas comunidades afetadas
Além das estratégias tradicionais, foi introduzida a chamada “dose zero” para crianças de 6 a 11 meses e 29 dias, complementando as doses de rotina aos 12 e 15 meses.
Contexto histórico e certificação
Em 2019, o Brasil enfrentou um surto de mais de 20 mil casos de sarampo, resultante de baixas coberturas vacinais e interrupção da transmissão por mais de 12 meses. Na época, o país perdeu a certificação internacional de eliminação do vírus.
No entanto, a partir de 2020, políticas intensivas de vacinação elevaram a cobertura da primeira dose da tríplice viral para 93,10% em 2025, com destaque para 94,39% em São Paulo e 89,54% no Amazonas.
Em novembro de 2024, a OPAS recertificou o Brasil como livre da circulação endêmica, reconhecendo a eficácia das medidas adotadas nos últimos anos.
Desafios e perspectivas
O avanço do sarampo nos Estados Unidos e em outras nações das Américas representa um risco potencial para o Brasil, especialmente considerando a alta proporção de casos em indivíduos não vacinados ou com status vacinal desconhecido.
Segundo o CDC, os EUA registraram o maior número anual de casos em mais de 35 anos, com mais de 90% dos infectados sem vacinação adequada, predominantemente jovens menores de 19 anos.
Os países que concentram mais de 95% dos casos confirmados em 2026 são Estados Unidos, Guatemala, México, Peru e Canadá, o que reforça a necessidade de vigilância transfronteiriça.
Para enfrentar esses desafios, o Ministério da Saúde recomenda que pessoas com vacinas em atraso procurem unidades do SUS e atualizem suas cadernetas, seguindo as diretrizes do Programa Nacional de Imunizações (PNI).
Além das ações de campo, a comunicação digital tem sido intensificada, com campanhas nas redes sociais, sites oficiais e aplicativos de saúde, visando esclarecer dúvidas e combater a desinformação sobre a vacina.
O engajamento da população é crucial: a adesão às campanhas de vacinação não só protege o indivíduo, mas também fortalece a imunidade coletiva, impedindo a reintrodução do vírus no país.
Especialistas apontam que a manutenção de altas coberturas vacinais, aliada ao monitoramento epidemiológico contínuo, é a estratégia mais eficaz para garantir que o Brasil permaneça livre da circulação endêmica do sarampo nos próximos anos.








