O Índice de Atenção ao Bem‑Estar Psicológico nas corporações brasileiras caiu de 8,19 em 2025 para 8,02 em 2026, segundo o Anuário Saúde Mental nas Empresas 2026, divulgado no Dia Mundial da Saúde Mental, em 10 de outubro. O recuo acontece em meio a um crescimento de 17 % nos afastamentos por transtornos mentais entre 2024 e 2025, evidenciando um cenário de contraste entre políticas corporativas e a realidade dos trabalhadores.
Contexto do declínio e os números alarmantes
O relatório, elaborado pelo Instituto Philos Org, reúne dados de relatórios públicos e documentos internos das companhias, avaliando como elas comunicam e implementam ações de apoio psicológico. A nova metodologia adotada em 2026 inclui autoavaliações das empresas, bem como a análise dos impactos da vida digital e dos riscos psicossociais, ampliando a visão sobre fatores que afetam a saúde mental no ambiente de trabalho.
Apesar da queda de 0,17 ponto no índice geral, a diferença entre setores permanece acentuada. As áreas de Finanças e Tecnologia lideram com 10,08 e 8,77 pontos, respectivamente, demonstrando maior comprometimento com programas de bem‑estar, enquanto Alimentos e Bebidas (6,09) e Agronegócio (5,78) apresentam as menores pontuações.
Setores em destaque: quem avança e quem recua
Os números revelam que a cultura de atenção à saúde mental ainda é desigual. No segmento de Finanças, investimentos em programas de apoio psicológico, treinamentos de resiliência e plataformas de telemedicina contribuíram para a pontuação mais alta. Em Tecnologia, a alta rotatividade e a pressão por inovação foram mitigadas por políticas de flexibilidade e ambientes de trabalho híbridos.
Por outro lado, Alimentos e Bebidas e Agronegócio enfrentam desafios estruturais. A natureza das cadeias produtivas, a presença de trabalho remoto limitado e a cultura de alta exigência física e mental dificultam a implementação de iniciativas eficazes.
- Finanças: 10,08 pontos – programas de coaching e apoio 24h.
- Tecnologia: 8,77 pontos – flexibilidade de horário e acesso a apps de mindfulness.
- Alimentos e Bebidas: 6,09 pontos – baixa adesão a programas de saúde.
- Agronegócio: 5,78 pontos – alta exposição a estresse físico e mental.
Impactos econômicos globais e a perspectiva da OIT
A Organização Internacional do Trabalho (OIT) estima que ansiedade e depressão geram a perda de 12 bilhões de dias de trabalho por ano em todo o mundo, resultando em um custo aproximado de 1 trilhão de dólares. Esses números reforçam a importância de políticas corporativas robustas, pois o impacto econômico se traduz em menor produtividade, aumento de rotatividade e custos elevados de seguro e assistência médica.
No Brasil, o aumento de 17 % nos afastamentos por transtornos mentais entre 2024 e 2025 indica que a demanda por intervenções eficazes está crescendo rapidamente. As empresas que ainda não incorporaram estratégias preventivas correm o risco de sofrer perdas financeiras significativas e danos à reputação.
O que as empresas podem fazer a partir de agora
Especialistas recomendam que as organizações adotem um plano de ação em três frentes: prevenção, intervenção e acompanhamento. Na fase de prevenção, é essencial promover a educação sobre saúde mental, criar ambientes de trabalho que reduzam o estresse e oferecer recursos digitais de apoio.
Durante a intervenção, a disponibilidade de psicólogos, linhas de apoio confidenciais e programas de retorno ao trabalho são fundamentais. Já o acompanhamento requer métricas claras, feedback contínuo dos colaboradores e ajustes constantes nas políticas.
Além disso, a integração de tecnologias de monitoramento de bem‑estar, como aplicativos que medem níveis de estresse e qualidade do sono, pode ajudar a identificar sinais precoces e direcionar ações corretivas antes que o problema se agrave.
Empresas que adotarem essas práticas não apenas melhorarão a saúde dos seus colaboradores, mas também poderão observar um retorno sobre investimento (ROI) positivo, com redução de custos com afastamentos e aumento da produtividade.
Perspectivas para 2027 e o papel da sociedade
O próximo ano será decisivo para reverter a tendência de queda no índice de atenção ao bem‑estar. A expectativa é que, com a divulgação dos dados completos neste sábado, 10 de outubro, haja maior pressão de investidores, sindicatos e consumidores por transparência e ação efetiva.
Organizações da sociedade civil, associações de psicologia e órgãos reguladores têm chamado a atenção para a necessidade de normatizar políticas de saúde mental no ambiente corporativo, estabelecendo indicadores padronizados e sanções para o não cumprimento.
Se a tendência de aumento dos afastamentos continuar, o custo econômico e humano pode ultrapassar os limites atuais, reforçando a urgência de medidas concretas e sustentáveis.








