Na manhã de sexta‑feira, 9 de outubro, o secretário de Segurança Interna dos Estados Unidos, Markwayne Mullin, criticou publicamente o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, após este exigir que o Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE) deixe a cidade e seja extinto. O episódio aconteceu depois que agentes do ICE atiraram em um homem dominicano durante uma operação policial na capital americana.
Reação do secretário de Segurança Interna
Mullin descreveu as declarações do prefeito como “perigosas” e acusou‑as de incitar hostilidade contra agentes federais. Em sua defesa, o secretário ressaltou que o indivíduo alvejado, Oscar Belgal, de 28 anos, possuía antecedentes criminais e tentava fugir da prisão.
Segundo Mullin, os agentes não tinham conhecimento da presença de uma criança no veículo no momento do disparo, o que, segundo ele, elimina a intenção de colocar civis em risco. O secretário também enfatizou que o uso de força foi necessário para garantir a segurança da operação.
Posição do prefeito e a demanda pela retirada do ICE
Zohran Mamdani, ao publicar no X, pediu que o ICE saia imediatamente de Nova York, alegando que a presença da agência tornava a cidade “menos segura” e “aterrorizada”. O prefeito afirmou que os agentes vestiam coletes semelhantes aos de operários da construção civil e máscaras que dificultavam sua identificação.
Após o tiroteio, a polícia municipal encontrou Belgal algemado no chão, mas ele foi transferido para a custódia do ICE, enquanto a criança, presumida ser seu filho, ficou sob cuidados de parentes. Mamdani declarou ter conversado com o presidente Donald Trump e com o próprio Mullin, mas disse que as negociações não resultaram em liberação.
- Objetivo da operação: prender Oscar Belgal por suposta ligação à gangue Trinitarios.
- Antecedentes de Belgal: furto qualificado, agressão, roubo, posse de drogas e porte de armas.
- Consequência do disparo: ferimento no pescoço, sem risco de morte; criança ilesa.
O prefeito também mobilizou centenas de manifestantes que se reuniram no local do incidente para protestar contra a política de linha dura do governo federal em relação à imigração.
Contexto nacional das ações do ICE e repercussões
O episódio ocorre em meio ao endurecimento da política migratória do governo Trump, que tem intensificado operações de fiscalização em várias cidades dos Estados Unidos. Segundo a Reuters, agentes federais de imigração dispararam contra pelo menos 21 pessoas desde o retorno do presidente ao cargo, com sete mortes confirmadas.
Essas ações têm gerado protestos em diferentes regiões, enquanto críticos apontam para o uso excessivo da força e a falta de responsabilização dos agentes envolvidos. Organizações de direitos humanos denunciam que a estratégia de “tolerância zero” cria um clima de medo entre comunidades imigrantes.
O Departamento de Segurança Interna (DHS) defende que as operações visam prender indivíduos com histórico criminal e prevenir crimes violentos. No entanto, a falta de transparência sobre os critérios de uso de força tem alimentado o debate público.
Especialistas em segurança pública ressaltam que a presença do ICE em áreas urbanas pode gerar tensões entre autoridades locais e federais, prejudicando a cooperação necessária para combater o crime organizado. Eles recomendam a criação de protocolos claros que equilibrem a aplicação da lei com a proteção dos direitos civis.
Enquanto isso, a cidade de Nova York continua a enfrentar desafios relacionados à segurança pública, ao mesmo tempo em que busca atender às demandas de comunidades vulneráveis. O debate sobre a presença do ICE provavelmente permanecerá central nas discussões políticas nas próximas semanas.








