Uma pesquisa realizada pela AtlasIntel em parceria com a Bloomberg, divulgada nesta sexta‑feira, 9 de outubro de 2026, traz projeções sobre a realocação dos votos dos candidatos que ficaram fora da disputa no primeiro turno. O estudo indica quais candidatos devem receber o apoio dos eleitores que escolheram Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD). Os resultados apontam para uma polarização entre os dois principais nomes da corrida presidencial.
Perfil dos eleitores dos candidatos eliminados
Os três candidatos que obtiveram menos de 3% dos votos válidos apresentaram eleitores com características distintas, mas com um ponto em comum: a insatisfação com os grandes partidos tradicionais. Cury, com 2,89% dos votos, atraiu principalmente eleitores jovens das regiões Sudeste e Centro‑Oeste, que buscam propostas de renovação política.
Renan Santos, responsável por 2,24% dos votos, concentrou seu apoio entre eleitores de classes médias da região Norte e do interior da Bahia, que valorizam a agenda de segurança pública e desenvolvimento regional.
Ronaldo Caiado, com 2,18% dos votos, manteve seu núcleo de apoio no Centro‑Oeste, especialmente entre agricultores e empresários ligados ao agronegócio, que priorizam políticas de livre mercado e desburocratização.
Intenções de voto para o segundo turno
De acordo com a pesquisa, 83% dos eleitores que votaram em Cury, Santos ou Caiado pretendem apoiar Flávio Bolsonaro na segunda rodada. Essa preferência se destaca entre os eleitores de Caiado, que veem no candidato do PL uma continuidade de políticas econômicas liberais.
Por outro lado, 63% dos eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno indicam que votarão em Luiz Inácio Lula da Silva, refletindo a mobilização de eleitores que buscam uma mudança de rumo nas políticas sociais.
Entre os que registraram voto nulo ou em branco, 46% apontam Flávio Bolsonaro como segunda opção, enquanto 31% pretendem repetir a escolha por voto em branco ou nulo. Esse segmento ainda representa um desafio para ambas as campanhas, que precisam converter a indecisão em apoio efetivo.
- Eleitores de Cury: 46% para Flávio Bolsonaro, 34% para Lula, 20% indecisos.
- Eleitores de Santos: 49% para Flávio Bolsonaro, 30% para Lula, 21% indecisos.
- Eleitores de Caiado: 55% para Flávio Bolsonaro, 25% para Lula, 20% indecisos.
Impactos nas estratégias de campanha
Os números indicam que as equipes de Flávio Bolsonaro podem concentrar esforços nas regiões onde os eleitores de Caiado e Santos têm maior presença, reforçando mensagens de continuidade econômica e segurança. A campanha de Lula, por sua vez, deve focar na mobilização dos eleitores que ainda não foram às urnas, oferecendo propostas de inclusão social e combate à desigualdade.
Além disso, a pesquisa revela que 9,3 milhões de eleitores ainda não decidiram entre os dois candidatos principais, o que abre espaço para campanhas de última hora, debates e alianças estratégicas. A capacidade de atrair esses eleitores será decisiva para o resultado final.
Os analistas apontam ainda que a alta taxa de abstenção – 33,5 milhões de eleitores registrados que não votaram – pode influenciar a legitimidade do segundo turno, caso a participação seja inferior ao esperado. As campanhas estão, portanto, investindo em ações de engajamento digital e presencial para reduzir esse número.
Em resumo, a pesquisa AtlasIntel/Bloomberg oferece um panorama detalhado das preferências eleitorais e destaca a importância de estratégias direcionadas para conquistar o eleitorado dos candidatos eliminados, bem como os indecisos e os que ainda não compareceram às urnas.








