A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (8), a operação denominada “Em nome do pai” em Niterói, no Rio de Janeiro. O objetivo foi prender o desembargador Alexandre Eduardo Scisinio e quatro membros da sua família, sob suspeita de corrupção e lavagem de dinheiro.
Operação “Em nome do pai” e seus alvos
A investigação foi iniciada após a Corregedoria Geral do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro encaminhar informações sobre possíveis irregularidades envolvendo o magistrado. O ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça, autorizou seis mandados de busca e apreensão nos endereços da família.
Os alvos da operação foram:
- Esposa do desembargador
- Dois filhos
- Cunhada
- Advogada de confiança
Todos eles foram citados como supostos beneficiários de vantagens indevidas obtidas por meio de decisões judiciais favoráveis a empresas do setor imobiliário e da construção civil.
Detalhes das buscas e apreensões
Os agentes federais cumpriram os mandados nos bairros de Icaraí, em Niterói, onde o desembargador atuou como titular de vara de primeira instância. Em um dos endereços, pertencente a um dos filhos, foram apreendidos documentos fiscais, contratos de compra e venda e a quantia de R$ 27 mil em espécie.
Além do dinheiro, foram encontrados registros de pagamentos indiretos, descontos comerciais excepcionais e notas que apontam para a intermediação de pessoas jurídicas ligadas aos investigados.
Os investigadores apontam que as supostas vantagens foram repassadas à família enquanto o magistrado exercia funções na primeira instância, mas que o esquema de lavagem de dinheiro continuou a operar por um período mais longo.
Possíveis desdobramentos e consequências jurídicas
Os fatos em apuração podem configurar crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva, além de lavagem de dinheiro, conforme a tipificação prevista na Lei nº 12.850/2013 e na Lei nº 9.613/1998.
Se confirmadas, as denúncias podem levar à perda da magistratura, à suspensão dos direitos políticos e à prisão preventiva dos investigados. O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro já sinalizou a intenção de oferecer denúncia contra todos os alvos.
O caso ganha destaque nacional porque envolve um membro do Poder Judiciário, o que levanta questões sobre a integridade das decisões judiciais e a necessidade de reforçar mecanismos de controle interno nos tribunais.
Especialistas em direito penal apontam que a cooperação entre a Corregedoria do TJRJ e a Polícia Federal foi decisiva para o avanço das investigações, permitindo a coleta de provas materiais que dificultam a defesa baseada em alegações de inocência.
Para a sociedade, a operação representa um alerta sobre a vulnerabilidade do sistema judicial frente a práticas corruptas, reforçando a importância da transparência e da fiscalização independente.
Enquanto o processo segue em trâmite, a imprensa acompanha de perto cada nova revelação, que pode impactar não apenas a carreira do desembargador, mas também a reputação de empresas ligadas ao setor da construção civil que supostamente se beneficiaram das decisões judiciais.
O desdobramento da operação ainda pode gerar novas investigações em outras regiões, caso se descubra que o esquema tinha ramificações em outros municípios ou estados.
O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro já anunciou que abrirá uma comissão interna para analisar o caso e propor medidas preventivas, como a revisão de processos de nomeação e a ampliação dos canais de denúncia.
Em síntese, a ação da Polícia Federal demonstra que mesmo altas autoridades do judiciário podem ser alvo de investigações rigorosas quando há indícios concretos de práticas ilícitas.
O próximo passo será a apresentação da denúncia formal pelo Ministério Público, seguida de audiências preliminares que definirão a necessidade de prisão preventiva ou medidas cautelares.
O caso ainda está em fase investigativa, mas já gera expectativas de que a justiça será aplicada de forma exemplar, servindo de exemplo para outros magistrados e servidores públicos.








