Na manhã da quinta‑feira, 8 de junho, o reitor em exercício da Universidade Federal Fluminense (UFF), Fábio Passos, alertou que estudantes da instituição estavam recebendo ameaças graves nas redes sociais, incluindo sugestões de ataques ao campus. O comunicado foi divulgado em vídeo nas redes oficiais da universidade, que também informou que o caso foi encaminhado à Polícia Federal para investigação.
Ameaças nas redes sociais e a resposta da UFF
Segundo o reitor, as ameaças começaram a circular na última terça‑feira, atingindo alunos de diferentes cursos e campus da UFF. As mensagens continham incitações violentas e menções a possíveis explosões em edifícios universitários, gerando temor entre a comunidade acadêmica.
Em resposta, a administração da UFF adotou um conjunto de medidas emergenciais para reforçar a segurança nos campi. Entre as ações imediatas, foram instalados pontos de controle de acesso, aumentada a presença de vigilância eletrônica e reforçada a patrulha de segurança interna.
- Instalação de câmeras de alta definição nas entradas principais;
- Ampliação da equipe de segurança com profissionais treinados em gestão de crises;
- Criação de um canal de denúncia 24 horas, acessível via aplicativo institucional;
- Coordenação direta com a Polícia Federal para monitoramento das ameaças online.
Além das ações físicas, a UFF lançou uma campanha de conscientização digital, orientando estudantes e servidores sobre como identificar e denunciar conteúdos suspeitos nas redes sociais. A campanha inclui webinars, material informativo e suporte psicológico para quem se sentir ameaçado.
Contexto político e manifestações estudantis
O clima de tensão se intensificou após a série de protestos organizados por estudantes da UFF ao longo da semana. Os manifestantes, em sua maioria, apoiam o candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e se opõem ao avanço da extrema‑direita no cenário nacional, especialmente ao discurso de Flávio Bolsonaro (PL).
Essas manifestações foram marcadas por atos pacíficos, como marchas, faixas e discursos nas praças dos campi. No entanto, a polarização política tem gerado reações adversas nas redes, onde grupos contrários utilizam plataformas digitais para intimidar e ameaçar a comunidade acadêmica.
O deputado federal eleito Jones Manoel (PSOL) também se pronunciou, relatando que recebeu mensagens contendo ameaças de “explodir o departamento” pouco antes de um incêndio que ocorreu na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Embora o incêndio não tenha causado feridos, o episódio reforçou a percepção de que a violência pode ser direcionada a instituições de ensino.
Esses episódios evidenciam como a disputa política nacional está se refletindo nos ambientes universitários, transformando debates acadêmicos em campos de batalha digitais.
Investigação e medidas de segurança
A Polícia Federal já iniciou a coleta de provas digitais, rastreando a origem das mensagens e analisando perfis suspeitos nas redes sociais. O objetivo é identificar possíveis autores ou grupos responsáveis pelas ameaças e, se comprovada a intenção criminosa, levar os responsáveis à justiça.
Paralelamente, o Ministério Público Federal foi acionado para acompanhar o caso, garantindo que as investigações ocorram com transparência e respeito aos direitos civis dos envolvidos.
Dentro da universidade, foram criados protocolos de emergência que incluem evacuação rápida, comunicação instantânea via aplicativos e treinamento de funcionários para lidar com situações de risco.
Os estudantes também foram convidados a participar de sessões de diálogo com a direção da UFF, buscando soluções colaborativas e reforçando a importância da união frente a ameaças externas.
Com a combinação de ações preventivas, apoio institucional e investigação policial, a UFF pretende restaurar a sensação de segurança e garantir que o ambiente acadêmico continue sendo um espaço de livre expressão e aprendizado.








