A startup francesa Mistral AI apresentou nesta terça‑feira, 6 de junho, em Paris, a versão de pré‑visualização pública do modelo Mistral Large 4, conhecido como “Le Chonk”. O novo sistema combina texto e imagem em uma arquitetura multimodal e tem como objetivo colocar a Europa na dianteira dos modelos de IA de código aberto. A iniciativa chega em um momento em que governos e empresas buscam alternativas aos provedores norte‑americanos e chineses.
Características técnicas e inovação
Le Chonk conta com aproximadamente 1,05 trilhão de parâmetros, mas utiliza apenas 49 bilhões por tarefa graças à arquitetura de Mistura de Especialistas (MoE). Essa abordagem permite que o modelo selecione sub‑redes especializadas para responder a cada pergunta, reduzindo drasticamente o custo de processamento.
O treinamento foi realizado do zero em dois meses nos próprios data centers europeus da Mistral, com um parque de 4 000 GPUs Nvidia Grace Blackwell, consumindo cerca de 10 megawatts de energia. O esforço fez parte da rodada de financiamento Série D, que arrecadou 3 bilhões de euros em setembro.
- Parâmetros totais: 1,05 trilhão
- Parâmetros ativos por tarefa: 49 bilhões
- Arquitetura: Mistura de Especialistas (MoE)
- Hardware: 4 000 GPUs Nvidia Grace Blackwell
- Consumo energético: ~10 MW
Além disso, o modelo suporta mais de 160 idiomas, incluindo todas as línguas oficiais da União Europeia, o que amplia seu potencial de uso em contextos multilíngues e globais.
Aplicações e desempenho comparativo
Le Chonk já está disponível via API, permitindo que desenvolvedores integrem a IA em suas plataformas. A Mistral planeja liberar os pesos do modelo de forma gratuita e pública em 27 de outubro, possibilitando que organizações rodem a IA em seus próprios servidores.
Nos benchmarks preliminares, o modelo superou concorrentes de código aberto em várias áreas. No DeepSWE v1.1, de engenharia de software, atingiu 62 % de precisão, à frente do chinês GLM‑5.3 (61 %) e do DeepSeek V4 Pro (57 %). No FinWorkBench, de finanças, marcou 67 %, e no DIOR‑RSVG, de localização em imagens de sensoriamento remoto, chegou a 73 %.
Esses resultados indicam que Le Chonk pode ser aplicado em setores como finanças, engenharia, manufatura, análise espacial e projeto de chips, oferecendo desempenho competitivo sem depender de soluções proprietárias.
Estratégia de soberania digital e futuro
A Mistral posiciona a segurança cibernética e a autonomia digital como pilares da sua estratégia comercial. Segundo o cofundador e cientista‑chefe Guillaume Lample, a abertura dos pesos permitirá que governos e empresas defendam seus dados contra ameaças que exploram modelos fechados.
Arthur Mensch, CEO da Mistral, afirmou que a narrativa de que a Europa não pode competir com os EUA e a China é falsa. A empresa pretende provar essa tese ao disponibilizar um modelo de alta performance, aberto e controlável.
Nas próximas três semanas, Le Chonk passará por testes em condições reais e por novas etapas de aprendizado por reforço, técnica que aprimora a IA a partir de acertos e erros. Uma versão com restrições de moderação reduzidas será oferecida a órgãos governamentais, empresas de cibersegurança e parceiros estratégicos.
Com os pesos abertos a partir de 27 de outubro, as organizações poderão baixar, adaptar e executar o modelo em suas próprias infraestruturas, garantindo total controle sobre dados sensíveis e redes de comunicação.








