Na manhã da última quarta‑feira, 7 de maio, a Porsche revelou seu plano estratégico Sportwagenschmiede ’35 durante o Capital Markets Day, realizado no Centro de Desenvolvimento de Weissach, na Alemanha. O novo programa estabelece diretrizes operacionais e metas financeiras que vão até 2035, com foco em reduzir custos, elevar margens e tornar a marca ainda mais exclusiva.
Reestruturação de custos e força de trabalho
Um dos pilares da estratégia consiste em um acordo trabalhista que prevê a eliminação negociada de 9 mil postos de trabalho, mantendo a estabilidade do quadro essencial até 2035. A empresa também planeja cortar 40% dos cargos de gestão, além de reduzir entre 25% e 30% a força de trabalho direta e indireta no médio prazo.
Essas medidas visam simplificar a estrutura organizacional, melhorar a agilidade de decisão e, sobretudo, proteger a saúde financeira da montadora. “O foco principal reside na redução de custos e em tornar a empresa financeiramente mais robusta”, afirmou Michael Leiters, presidente do Conselho de Administração da Porsche AG.
Desinvestimentos e foco nos ativos principais
Para liberar capital e concentrar recursos nas áreas estratégicas, a Porsche iniciou a alienação de ativos secundários. Entre as operações vendidas estão participações na Rimac e na Bugatti Rimac, o acordo de venda da consultoria MHP e a descontinuação das unidades industriais da Cellforce Group, Porsche eBike Performance e Cetitec.
- Venda de fatias na Rimac e Bugatti Rimac
- Desinvestimento da consultoria MHP
- Encerramento das operações da Cellforce Group
- Descontinuação da Porsche eBike Performance
- Desativação da Cetitec
Além disso, as subsidiárias Porsche Engineering e Porsche Digital serão integradas à nova estrutura da Porsche Technologies, fortalecendo a sinergia entre engenharia e soluções digitais.
Metas financeiras e projeções de mercado
Nos próximos anos, a Porsche projeta receitas anuais entre 41 e 45 bilhões de euros. A meta de ponto de equilíbrio foi redefinida para menos de 200 mil veículos vendidos, um patamar baseado em projeções conservadoras para o mercado chinês.
A margem de retorno operacional sobre as vendas deve ficar entre 10% e 15% no médio prazo, com objetivo de alcançar 15% no longo prazo. Jochen Breckner, diretor financeiro e de TI, explicou que o avanço nos resultados dependerá de um valor superior por veículo, um mix de produtos mais atrativo e uma base de custos e capital sustentavelmente mais eficiente.
Novas direções de produto e cronograma industrial
Na linha de produtos, a Porsche reduzirá em cerca de 20% as variantes de modelos para conter a complexidade de desenvolvimento, ao mesmo tempo em que eleva a participação dos segmentos superiores D e E no portfólio. Essa mudança deve fortalecer a percepção de exclusividade da marca.
O calendário industrial indica que os modelos 718 Boxster e Cayman elétricos terão seu primeiro ano pleno de comercialização em 2028. No mesmo ano, a montadora apresentará um novo SUV do segmento B, disponível nas versões a combustão e híbrida plug‑in, que coexistirá com o Macan elétrico.
A estratégia também mantém investimentos conjuntos em motores a combustão interna, propulsores híbridos e novas tecnologias de baterias, garantindo que a Porsche continue na vanguarda da performance e da sustentabilidade.
Em resumo, o Sportwagenschmiede ’35 representa um esforço coordenado para transformar a Porsche em uma marca ainda mais exclusiva, financeiramente saudável e preparada para os desafios da mobilidade do futuro.








