Na manhã desta quinta‑feira, a Polícia Civil do Rio de Janeiro realizou uma operação que revelou um esquema de adulteração de taxímetros praticado por motoristas de táxi que atuam no Aeroporto Internacional Tom Jobim, o Galeão. A ação, coordenada por delegados especializados em crimes contra o consumidor, resultou na apreensão de dispositivos eletrônicos que aumentavam a tarifa cobrada dos passageiros.
Como funciona a fraude nos taxímetros
Os motoristas envolvidos utilizavam um aparelho compacto, conectado ao circuito do taxímetro, capaz de modificar a leitura do valor exibido ao cliente. Ao pressionar um botão discreto, o dispositivo adicionava entre 15% e 25% ao preço da corrida, sem que o passageiro percebesse a manipulação.
O equipamento, desenvolvido sob medida, era instalado nas oficinas de manutenção de frotas que fornecem táxis para motoristas autônomos. Cada unidade podia ser operada de forma independente, permitindo que o condutor ativasse o aumento somente quando desejasse.
- Instalação do dispositivo nas caixas de fusíveis do taxímetro;
- Acionamento via botão oculto no painel do veículo;
- Incremento automático de 20% a cada uso, acumulando valores ao longo da viagem;
- Ocultação da alteração ao cliente, que vê apenas o valor final ao final da corrida.
Segundo a perícia, a tecnologia empregada não deixava rastros evidentes nos registros eletrônicos do taxímetro, dificultando a detecção por usuários comuns.
Ação da polícia e resultados da operação
A investigação começou após a denúncia de um passageiro que percebeu um salto abrupto no valor exibido no taxímetro durante sua viagem do Galeão até o centro da cidade. O relato gerou a abertura de um inquérito que culminou em mandados de busca e apreensão em cinco endereços diferentes, incluindo a oficina onde os dispositivos eram montados.
Durante a operação, foram apreendidos quatro aparelhos eletrônicos, documentos que comprovavam a relação entre a empresa de frota e os motoristas autônomos, além de registros de pagamentos suspeitos. A polícia estima que até 200 táxis podem estar equipados com o mesmo mecanismo fraudulento.
Além da fraude nos taxímetros, a ação investigou a atuação de “jóqueis” que, no saguão do aeroporto, encaminhavam turistas para táxis não autorizados. Esses intermediários recebiam comissões por cada cliente captado, e alguns motoristas chegaram a cobrar corridas de até R$ 900 para destinos como Copacabana.
Os investigados também são suspeitos de tentar cooptar taxistas licenciados, pressionando‑os a integrar o esquema para garantir maior cobertura no serviço oficial. Até o momento, não há evidências conclusivas de que os taxistas autorizados tenham colaborado.
Impacto nos passageiros e medidas preventivas
Para os passageiros, a fraude representa um prejuízo direto e gera desconfiança em relação ao transporte oficial. O aumento de até 50% nas tarifas, quando o dispositivo era acionado várias vezes durante a viagem, pode elevar o custo final para valores exorbitantes, sobretudo em trajetos longos.
Especialistas em direito do consumidor recomendam que os usuários verifiquem o número de registro do taxímetro, que deve estar visível no painel e corresponder ao número exibido no recibo. Caso o valor final pareça excessivo, é aconselhável solicitar a nota fiscal e registrar a ocorrência junto à polícia ou ao órgão de defesa do consumidor.
- Confira o número de registro do taxímetro antes de iniciar a corrida;
- Exija a nota fiscal ao final da viagem;
- Desconfie de aumentos repentinos no valor exibido;
- Registre reclamações em sites de avaliação e nas autoridades competentes.
As autoridades reforçam que a operação continuará em curso, com foco na identificação de outros veículos suspeitos e na desarticulação completa da rede de fornecimento dos dispositivos. A expectativa é que, com a divulgação dos resultados, os passageiros se sintam mais seguros ao utilizar os serviços de táxi no Rio de Janeiro.








