Fandoms de K‑pop e de artistas internacionais passaram a apoiar a campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante o segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 30 de outubro de 2024, em todo o Brasil. Essas comunidades, acostumadas a organizar mutirões para impulsionar músicas nas plataformas digitais, agora canalizam sua capacidade de mobilização para o cenário político. A iniciativa ganhou força nas redes sociais, especialmente no X (antigo Twitter), onde hashtags como #ARMYSCOMLULA e #BLINKSCOMLULA se espalharam rapidamente.
Fandoms e sua nova missão política
Após o primeiro turno, páginas dedicadas a estrelas da música pop e do K‑pop começaram a declarar apoio à reeleição de Lula, oferecendo seus canais para a divulgação de informações da campanha. Entre as fanbases que se juntaram ao movimento estão seguidores do BTS, do BLACKPINK, de Beyoncé, de Taylor Swift, de Lady Gaga, de Dua Lipa e de Billie Eilish.
- #ARMYSCOMLULA – fãs do BTS
- #BLINKSCOMLULA – fãs do BLACKPINK
- #Beyoncé4Lula – comunidade de Beyoncé
- #SwiftiesPorLula – admiradores de Taylor Swift
- #GagaLula – apoiadores de Lady Gaga
Essas hashtags foram acompanhadas por perfis que produziram conteúdos em vídeo, imagens e textos explicativos, direcionando seus seguidores para sites oficiais da campanha e incentivando o comparecimento às urnas. Em um levantamento divulgado em 6 de outubro, uma das publicações do perfil dedicado ao BTS já havia superado 145 mil visualizações.
Além das redes sociais, representantes de diversas fanbases participaram de um encontro no Palácio do Planalto em agosto, onde o presidente assinou medidas de proteção ao consumidor em grandes eventos, incluindo ações contra o cambismo digital e a garantia de acesso à água. A presença de líderes como Mariana Faciroli, codiretora do ARMY Help The Planet, mostrou que a mobilização dos fãs pode se estender a causas socioambientais.
A mobilização digital dos fãs de K‑pop
Os fãs de K‑pop desenvolveram uma estrutura digital altamente eficiente, capaz de reunir milhares de pessoas em poucos minutos para alcançar um objetivo comum. Esse modelo de organização foi originalmente criado para colocar músicas no topo das paradas, votar em premiações e gerar tendências nas redes.
Quando aplicado ao cenário político, o mesmo mecanismo permite difundir mensagens de campanha, estimular o comparecimento às urnas e colocar temas de interesse público entre os assuntos mais comentados. O uso de hashtags coordenadas, listas de transmissão e grupos de mensagens garante que a informação circule rapidamente entre os membros da comunidade.
Um exemplo concreto foi a campanha lançada pelo ARMY Help The Planet em parceria com o Instituto Plena Cidadania e o projeto Votinho. A iniciativa, que não indicava candidatos, utilizou referências ao BTS para incentivar jovens a se registrarem e votarem, reforçando a importância da cidadania sem tomar partido.
- Criação de vídeos curtos com chamadas para o voto
- Distribuição de infográficos sobre como votar
- Organização de encontros virtuais para tirar dúvidas sobre o processo eleitoral
- Parcerias com ONGs como Greenpeace, Unicef e Fiocruz para projetos de arrecadação
Essas ações demonstram que a expertise dos fandoms vai além do entretenimento, alcançando áreas como educação cívica e engajamento social.
Impactos e limites da participação nas urnas
O ingresso dos fandoms na discussão política traz à tona um fenômeno que ultrapassa a paixão pela música. Em um país onde o K‑pop conta com uma comunidade numerosa e altamente conectada, a capacidade de mobilização digital pode influenciar a agenda pública e até mesmo o resultado das eleições.
No entanto, é importante ressaltar que a manifestação das fanbases não equivale ao apoio oficial dos artistas representados. As páginas são administradas por fãs, que mantêm autonomia em relação aos artistas e às empresas que os representam.
Além disso, a participação dos fandoms pode gerar debates sobre a neutralidade das redes sociais e sobre a influência de grupos organizados em processos democráticos. Enquanto alguns veem a mobilização como um reforço à participação cidadã, outros alertam para o risco de polarização e de manipulação de informações.
Os dados oficiais sobre o segundo turno – percentuais de votação, número de eleitores e resultados finais – ainda dependem da divulgação do Tribunal Superior Eleitoral. Enquanto isso, as fanbases continuam a monitorar a campanha, atualizar seus seguidores e ajustar estratégias de comunicação.
Em resumo, a presença dos fandoms nas urnas evidencia como a cultura pop pode se transformar em ferramenta de engajamento político, trazendo à luz novas formas de participação cidadã que combinam entretenimento, tecnologia e ativismo.








