A Comissão Europeia adotou recentemente o Element Pro como alternativa ao Microsoft Teams, numa tentativa de reforçar a soberania digital da União. A medida foi anunciada no início de 2024 e já está em fase piloto dentro dos escritórios de Bruxelas.
Contexto da iniciativa de soberania digital
O bloco europeu vem investindo em soluções que reduzam a dependência de tecnologias dos Estados Unidos. Entre os projetos mais visíveis está o plano da Dinamarca de substituir o Windows e o Microsoft 365 por softwares de código aberto.
Dentro desse cenário, o Element Pro foi escolhido por permitir hospedagem em servidores próprios da própria instituição, garantindo maior controle sobre dados sensíveis.
O objetivo da Comissão é criar um “backup” de comunicação que funcione mesmo se o Teams ficar indisponível, reforçando a resiliência tecnológica da entidade.
Funcionários expressam insatisfação
Entretanto, o novo serviço tem gerado críticas contundentes entre os servidores da Comissão. Em um fórum interno anônimo, vários colaboradores registraram descontentamento com o desempenho da ferramenta.
Um dos comentários mais citados dizia: “Eu não entendo o valor agregado disso aqui”. Outro, mais direto, classificou o Element Pro como “uma porcaria completa”.
Um terceiro colaborador comparou o serviço ao Microsoft Teams, afirmando que, sob esse critério, “os Estados Unidos venceriam a guerra instantaneamente”.
- Baixa responsividade nas chamadas de vídeo;
- Problemas de sincronização de arquivos;
- Interface pouco intuitiva para usuários acostumados ao Teams.
Essas observações apontam para uma frustração geral relacionada à usabilidade e à estabilidade da plataforma.
Desafios da migração tecnológica
Especialistas apontam que mudanças de grande escala sempre encontram resistência. O CEO da Element, Matthew Hodgson, reconheceu que “a mudança é sempre dolorosa, principalmente se partir de um programa muito usado como o Teams”.
Além das questões técnicas, há um fator cultural: muitos servidores já dominam o ecossistema da Microsoft e precisam de treinamento intenso para migrar.
Outro ponto crítico é a necessidade de integrar o Element Pro aos sistemas internos já consolidados, como o SharePoint e o Outlook, sem interrupções significativas.
- Treinamento intensivo para usuários;
- Integração de APIs com sistemas legados;
- Monitoramento de desempenho em tempo real.
Essas etapas são essenciais para que a ferramenta deixe de ser vista como um “backup” e passe a ser uma solução plena.
Perspectivas e próximos passos
Apesar das críticas, a Comissão Europeia não indicou intenção de abandonar o Element Pro. A permanência da ferramenta está ligada ao seu funcionamento em infraestrutura própria, sem depender de nuvens de terceiros.
Analistas acreditam que, se a UE conseguir melhorar a performance e oferecer suporte adequado, a solução pode se tornar um modelo para outras instituições públicas europeias.
O sucesso do projeto dependerá, portanto, de investimentos contínuos em desenvolvimento, feedback dos usuários e ajustes rápidos às demandas operacionais.
Enquanto isso, o Microsoft Teams continua sendo a plataforma padrão para a maioria das comunicações internas, sendo acionado sempre que o Element Pro apresentar falhas.
O debate interno evidencia um dilema comum: equilibrar a necessidade de autonomia tecnológica com a exigência de eficiência imediata para milhares de servidores.
Se a UE conseguir transformar essas críticas em melhorias concretas, o Element Pro poderá representar um marco na estratégia de soberania digital europeia.








