Na noite de domingo, 4 de outubro, o ex-prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, recebeu o resultado do primeiro turno das eleições estaduais e constatou que ficou em segundo lugar, atrás de Douglas Ruas. A apuração foi concluída na capital e nas cidades da Baixada Fluminense, onde Paes fez pronunciamento ao lado de apoiadores.
Desempenho no Primeiro Turno e Reação de Paes
Desde o início da campanha, Paes liderava as pesquisas de intenção de voto, mas a corrida mudou nos últimos dias, com um crescimento acelerado de Ruas. Quando o placar foi divulgado, Paes admitiu que esperava um resultado melhor, mas reforçou a disposição de lutar por uma virada.
Em Duque de Caxias, ele se dirigiu ao público com um discurso breve, destacando que a disputa não seria entre Flávio Bolsonaro e Lula, mas sim entre propostas distintas para o estado. “Não será o Flávio Bolsonaro e não será o Lula que vão governar o Rio”, afirmou.
Ao final da apuração, Paes enfatizou a necessidade de “colocar os pingos nos is” e acusou Ruas de ter enriquecido com a política. “Um jovem político que ficou milionário fazendo política”, disse, prometendo apontar todas as fragilidades do adversário.
Estrategias para o Segundo Turno
Paes indicou que sua campanha pretende fugir da polarização tradicional entre bolsonarismo e esquerda. Ele pretende concentrar a mensagem nos interesses do estado, evitando que o debate seja dominado por figuras nacionais como Flávio Bolsonaro ou o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A estratégia inclui um ataque direto a Ruas, destacando questões de transparência e origem de recursos. Paes também pretende mobilizar eleitores de direita e esquerda que ainda não definiram voto, pedindo que abandonem o “voto crítico” e optem pelo candidato que considera mais capaz de governar.
Para organizar a ofensiva, a equipe de Paes listou os principais pontos que serão abordados:
- Histórico de campanha e financiamento de Ruas;
- Propostas concretas para segurança pública e mobilidade urbana;
- Compromisso com a gestão fiscal responsável;
- Conexão com demandas locais da Baixada Fluminense.
Além disso, Paes contará com o apoio de figuras políticas regionais, como a vice‑governadora Jane Reis (MDB) e o prefeito da capital, Eduardo Cavaliere (PSD), que já participaram da apuração ao seu lado.
Impactos na Política Estadual e Nacional
O resultado do primeiro turno no Rio representa um revés para a estratégia do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que esperava que Paes ganhasse no primeiro turno para garantir apoio ao seu governo. A vitória de Ruas, candidato alinhado ao bolsonarismo, pode alterar a dinâmica da disputa presidencial, já que o estado do Rio é decisivo em termos de votos.
Enquanto o Tribunal Superior Eleitoral ainda não definiu o futuro da candidatura de Anthony Garotinho, cuja elegibilidade está sob julgamento, a possibilidade de anulação dos seus votos poderia antecipar a vitória de Ruas no primeiro turno. Essa incerteza mantém o cenário eleitoral em aberto até a decisão do TSE.
Paes também destacou que a campanha para o segundo turno será marcada por uma comunicação mais agressiva, mas sem perder o foco nas demandas do cidadão. Ele pretende usar redes sociais, com vídeos curtos e infográficos, para explicar suas propostas e contrastá‑las com as de Ruas.
Ao mesmo tempo, a equipe de Ruas deve intensificar a narrativa nacionalista, associando o candidato ao legado de Jair Bolsonaro e ao combate à esquerda. Essa tática pode atrair eleitores que ainda não se decidiram e que veem no Rio um palco para a renovação do bolsonarismo.
Em resumo, a disputa no Rio de Janeiro está longe de ser resolvida. O segundo turno, caso seja confirmado, exigirá dos candidatos uma campanha ainda mais articulada, com foco em alianças regionais, combate à desinformação e, sobretudo, na capacidade de transformar promessas em resultados concretos para a população.








