Flávio Bolsonaro (PL) conquistou a maioria dos votos no primeiro turno das eleições de 2024 em Aparecida do Norte, no interior de São Paulo, no dia 6 de outubro. O senador recebeu 58,30% dos votos, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ficou com 32,12%. O resultado reflete a força da campanha local, mesmo após a circulação de informações falsas sobre a padroeira do Brasil.
Contexto da disputa eleitoral em Aparecida do Norte
A cidade sedia a Basílica de Nossa Senhora Aparecida, o maior santuário católico do país, e costuma ser um termômetro político nas eleições nacionais. Em 2024, o município contou com quase 27 mil eleitores aptos a votar.
Flávio Bolsonaro chegou ao município como candidato à reeleição ao Senado, buscando ampliar sua base no interior paulista. Já o presidente Lula, candidato à reeleição à Presidência da República, buscava manter o apoio tradicional dos eleitores católicos.
O histórico eleitoral da região mostrou preferência por candidatos de direita nas últimas duas décadas, mas a presença da padroeira sempre gerou debates sobre identidade religiosa e política.
A origem e a disseminação da fake news
A controvérsia começou quando o humorista Antonio Tabet publicou uma mensagem nas redes sociais insinuando que “a família miliciana” odiava “tanto mulher preta que resolveu atacar Nossa Senhora Aparecida”. A frase gerou indignação e rapidamente foi compartilhada.
Em seguida, usuários lembraram um projeto de lei apresentado há 20 anos por um deputado que propunha mudar o título de Nossa Senhora Aparecida de “padroeira do Brasil” para “padroeira dos brasileiros católicos”. O projeto foi arquivado, mas acabou sendo usado como base para uma nova narrativa.
O mesmo parlamentar, anos depois, assessorou o ex‑presidente Jair Bolsonaro, o que alimentou a ideia de que a família Bolsonaro teria interesse em modificar o status da santa.
Com esses elementos, surgiu a versão de que a vitória de Flávio Bolsonaro levaria à revogação do título de padroeira do Brasil. A desinformação foi impulsionada por perfis ligados ao PT e rapidamente se espalhou nas redes.
- Postagem original de Antonio Tabet
- Referência ao projeto de lei antigo
- Ligação do parlamentar ao governo Bolsonaro
- Difusão da teoria conspiratória nas redes sociais
A campanha de Flávio Bolsonaro recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para solicitar a retirada das postagens falsas. O pedido resultou em uma série de liminares que envolveram ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do próprio TSE.
Após a decisão do TSE, as publicações contendo as alegações infundadas foram removidas, mas o dano à imagem do senador já havia sido causado.
Repercussões políticas e jurídicas
O presidente Lula, em comícios em Belém e Fortaleza, utilizou imagens da padroeira ao lado de aliados, reforçando a mensagem de que a santa seria protegida durante seu mandato. Em declaração, Lula afirmou: “Enquanto eu for presidente da República, ninguém vai avacalhar Nossa Senhora Aparecida”.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, também exibiu uma imagem de Nossa Senhora Aparecida em um comício, comparando o boato sobre a revogação do título ao atentado sofrido por seu pai, Jair Bolsonaro, em 2018.
A disputa judicial entre o TSE e o STF evidenciou a complexidade de lidar com fake news em períodos eleitorais. O caso serviu de alerta para partidos e candidatos sobre a necessidade de monitorar informações falsas em tempo real.
No segundo turno da eleição presidencial, Bolsonaro – então candidato – venceu em Aparecida do Norte com 62,89% dos votos, reforçando a tendência conservadora da cidade.
Especialistas em comunicação política apontam que a estratégia de desinformação pode ter efeitos colaterais, como o desgaste da credibilidade dos atores envolvidos. A reação rápida das instituições eleitorais ajudou a conter a propagação, mas o episódio demonstra a vulnerabilidade das campanhas diante de narrativas manipuladas.
Em síntese, apesar da tempestade de notícias falsas, Flávio Bolsonaro consolidou seu apoio em Aparecida do Norte, mantendo a base eleitoral que o favoreceu nas urnas. O caso reforça a importância de mecanismos de verificação e da atuação proativa dos tribunais em períodos críticos.








