Antes das urnas se abrirem no Brasil neste domingo, 4 de outubro, milhares de brasileiros que vivem no exterior já haviam registrado seus votos. A votação começou às 8h, horário local, em 186 cidades distribuídas por 134 países, totalizando quase um milhão de eleitores habilitados. Esses eleitores podem escolher apenas presidente e vice‑presidente, mas seu peso pode influenciar o resultado nacional.
Cenário geral da votação no exterior
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informa que o eleitorado brasileiro no exterior representa pouco mais de 0,5% da população total do país, mas o número cresceu 358% desde 2010. Essa expansão reflete a crescente mobilidade internacional dos brasileiros, que agora podem exercer o direito ao voto em quase todas as regiões do globo. A apuração preliminar já revelou diferenças marcantes entre as preferências dos eleitores em continentes distintos.
Nas primeiras cidades a encerrar a votação, como China, Austrália, Nova Zelândia e Filipinas, os resultados já estão disponíveis e mostram um panorama dividido. Enquanto o candidato do Partido dos Trabalhadores mantém a maioria em várias nações da Ásia e Oceania, o candidato aliado ao presidente Jair Bolsonaro tem vantagem em países onde a comunidade brasileira é numerosa e mais conservadora.
Desempenho de Lula nas regiões da Ásia e Oceania
Segundo a apuração do colunista Nelson de Sá, do UOL, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conquistou mais de 70% dos votos nas três seções eleitorais da China, totalizando 268 votos contra 98 de Flávio Bolsonaro. Essa vantagem se repete em outras nações da região, onde o petista também lidera.
- China
- Austrália
- Nova Zelândia
- Coreia do Sul
- Malásia
- Singapura
Em cada um desses países, a maioria dos eleitores optou por Lula, refletindo uma combinação de fatores como a presença de trabalhadores brasileiros em setores de serviços e a identificação com políticas sociais anunciadas pela candidatura. Além disso, a campanha digital do PT no exterior tem sido intensiva, utilizando redes sociais e grupos de WhatsApp para mobilizar os eleitores.
A vantagem de Flávio em países asiáticos
No Japão, onde a comunidade brasileira é uma das maiores da Ásia, a apuração parcial indica que Flávio Bolsonaro está à frente, com mais de 80% dos votos contabilizados. Esse resultado parcial já supera a soma dos votos de Lula naquele país, sugerindo uma preferência por candidatos que enfatizam a segurança e a ordem pública.
As Filipinas apresentam um padrão semelhante: Flávio lidera a contagem, indicando que a mensagem de continuidade do governo anterior ainda ressoa entre os brasileiros que trabalham como profissionais liberais ou em empresas de tecnologia. Em ambos os casos, a presença de sindicatos e associações de brasileiros que apoiam a agenda conservadora tem sido decisiva.
- Japão
- Filipinas
Esses resultados ressaltam a importância de entender as especificidades regionais. Enquanto o PT tem forte apelo em comunidades que dependem de programas de assistência social, a base de Flávio se concentra em grupos que valorizam a estabilidade econômica e a manutenção de políticas de segurança.
Perfil demográfico dos eleitores brasileiros no exterior
O TSE divulga que as mulheres representam 57% do eleitorado brasileiro registrado no exterior, enquanto os homens correspondem a 43%. Essa diferença pode influenciar a inclinação de voto, já que as mulheres tendem a apoiar candidatos com propostas de saúde, educação e direitos sociais.
Além do gênero, a faixa etária dos eleitores também varia conforme a região. Na Austrália e Nova Zelândia, a maioria dos votantes tem entre 25 e 40 anos, enquanto no Japão predomina o público acima de 45 anos, que costuma ter maior poder aquisitivo e preferências políticas distintas.
Outro ponto relevante é a distribuição profissional: muitos brasileiros na Ásia trabalham em setores de tecnologia, engenharia e comércio internacional, enquanto na Oceania há grande presença de profissionais de saúde e educação. Essas diferenças de ocupação refletem nas prioridades de campanha de cada candidato.
Por fim, a participação dos eleitores no exterior tem se mostrado crescente não apenas em número, mas também em engajamento. Grupos comunitários organizam encontros, palestras e sessões de esclarecimento sobre o processo eleitoral, contribuindo para que o voto seja exercido de forma consciente e informada.
Com a votação ainda em andamento em alguns países, o cenário pode mudar até o fechamento das urnas às 22h (horário de Brasília). Contudo, as tendências observadas até agora indicam uma divisão clara entre as preferências de Lula nas nações da Ásia e Oceania e a liderança de Flávio em países como Japão e Filipinas. O resultado final será fundamental para analisar o impacto do voto externo nas eleições brasileiras.








