Em entrevista ao programa Ponto de Vista, exibido em 30 de setembro de 2024, o professor Rodrigo Prando, especialista em ciência política pelo Mackenzie, analisou a última pesquisa da Datafolha sobre as intenções de voto na corrida presidencial. O estudo revelou que, apesar da consolidação dos principais candidatos, ainda há espaço para migrações de eleitores que podem beneficiar Flávio Bolsonaro na reta final da disputa.
Cenário atual das intenções de voto
Os números divulgados pela pesquisa apontam Lula com 42% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro registra 38%. Ambos avançaram dois pontos percentuais em relação à rodada anterior, mantendo uma diferença de quatro pontos entre si, dentro da margem de erro de dois pontos. Essa proximidade coloca a disputa em um empate técnico que pode mudar rapidamente.
Entre os candidatos de menor expressão, Augusto Cury aparece com 4% das preferências, seguido por Ronaldo Caião e Renan Santos, cada um com 3%. Romeu Zema e Samara Martins somam 1% cada, enquanto 5% dos entrevistados se declararam brancos, nulos ou sem intenção de voto. Os indecisos representam apenas 2% do total, indicando que a maior parte do eleitorado já definiu sua escolha.
Na simulação de segundo turno, Lula sobe para 48% e Flávio mantém 45%, novamente dentro do intervalo de erro que caracteriza um empate técnico. Os eleitores que não escolheriam nenhum dos dois candidatos aumentam para 6%, e os indecisos caem para 1%, reforçando a ideia de que o eleitorado está se polarizando cada vez mais.
O levantamento foi realizado com 2.506 entrevistas entre 28 e 30 de setembro, com nível de confiança de 95%, o que confere robustez estatística aos resultados apresentados.
Possíveis migrações de eleitores
Prando destacou que há um potencial fluxo de eleitores provenientes de candidaturas menores que pode favorecer Flávio Bolsonaro. Ele citou especificamente eleitores de Ronaldo Caiado, Romeu Zema e parte dos apoiadores de Augusto Cury como grupos que podem migrar para o candidato bolsonarista.
O professor também mencionou Renan Santos, embora reconheça que a migração desse eleitorado seja menos provável devido ao perfil mais específico dos eleitores desse candidato.
- Ronaldo Caiado – 3% das intenções de voto
- Romeu Zema – 1% das intenções de voto
- Augusto Cury – 4% das intenções de voto
- Renan Santos – 3% das intenções de voto
Essas movimentações podem ocorrer tanto na reta final do primeiro turno quanto em uma eventual segunda fase, segundo a análise do cientista político. Ele alerta que, embora o voto útil seja um fenômeno recorrente em eleições apertadas, ele depende de fatores como alianças partidárias, campanhas de mídia e a percepção de viabilidade dos candidatos.
A consolidação das preferências entre os eleitores de Lula e Flávio, no entanto, reduz o espaço para mudanças abruptas. Conforme Prando, a proximidade da data da votação diminui a quantidade de eleitores indecisos e torna as escolhas mais resistentes a choques externos, como escândalos ou novas propostas de campanha.
Projeções para o segundo turno e análise de risco
Ao analisar a possibilidade de um segundo turno, o professor Rodrigo Prando acredita que o cenário mais provável seja uma disputa extremamente acirrada, com margens de vitória muito estreitas. Ele descreve a situação como “um segundo turno apertadíssimo”, indicando que pequenos movimentos de voto podem definir o vencedor.
Prando também avaliou o impacto de anúncios governamentais e da circulação de fake news, como a que envolve Nossa Senhora Aparecida, na vantagem numérica de Lula. Embora reconheça que esses fatores podem ter contribuído para o aumento momentâneo das intenções de voto do presidente, ele enfatiza que isso não elimina a possibilidade de Flávio Bolsonaro captar eleitores de outros candidatos.
De acordo com a leitura do cientista político, a eleição pode permanecer indefinida até a conclusão da apuração, já que as preferências já consolidadas e a baixa taxa de indecisos mantêm a disputa em aberto. Ele alerta que, caso o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tenha que declarar o vencedor com base em margens matemáticas, a decisão poderá ser influenciada por pequenas variações nas urnas.
Em síntese, a pesquisa Datafolho evidencia um panorama de alta competitividade, onde a mobilização de eleitores de candidaturas menores e a estratégia de voto útil podem ser decisivas. O cenário ainda é incerto, mas a tendência apontada pelos especialistas indica que a corrida presidencial de 2024 deve se estender até o último instante da contagem.








