Uma forte tempestade que varreu a costa leste dos Estados Unidos no sábado, 26 de setembro, trouxe à tona fragmentos de madeira na praia sul de Nantucket, em Massachusetts. Os vestígios, descobertos após a erosão da faixa de areia, podem pertencer a uma escuna que afundou há mais de 140 anos. A descoberta reacendeu o interesse de arqueólogos e historiadores marítimos.
O contexto histórico do naufrágio
A escuna em questão era conhecida como Warren Sawyer, uma embarcação de três mastros que navegava entre Nova Orleans e Boston. Em 22 de dezembro de 1884, durante uma violenta tempestade, o navio encalhou nas areias de Nantucket, deixando para trás uma carga valiosa de algodão e sucata de metal.
Segundo registros do Conselho de Recursos Arqueológicos Subaquáticos de Massachusetts, a carga incluía 1.115 fardos de algodão e cerca de 28 toneladas de sucata metálica. O capitão e os sete tripulantes foram resgatados com vida, mas a embarcação permaneceu quase intacta na praia por duas semanas.
Durante esse período, moradores locais aproveitaram a oportunidade para retirar aproximadamente 700 fardos de algodão, usando trenós puxados por bois. Em 6 de janeiro de 1885, outra tempestade violenta destruiu o que restava do casco, espalhando destroços e carga por mais de 800 metros ao longo da costa.
A tempestade de 2024 e a nova exposição dos destroços
No sábado, 26 de setembro, a forte erupção de ventos e chuvas provocou uma erosão significativa da faixa de areia que cobria a costa sul da ilha. Quando a areia recuou, surgiram pedaços de madeira que lembravam as estruturas vistas em descobertas anteriores.
Jason Graziadei, editor‑chefe do jornal local Nantucket Current, foi um dos primeiros a registrar as peças expostas. Em suas fotos, a localização e o aspecto das madeiras sugerem uma forte semelhança com os fragmentos analisados em 2022 e 2023.
Embora ainda não haja confirmação oficial, a hipótese de que os destroços pertençam ao Warren Sawyer ganhou força entre os especialistas. O Egan Maritime Institute enviou um arqueólogo ao local para coletar amostras e iniciar uma avaliação preliminar.
Esta não é a primeira vez que a areia de Nantucket revela partes da escuna. Em dezembro de 2022, um trecho de cerca de 13 metros do casco apareceu na mesma região, e em fevereiro de 2023, um segmento de 4,5 metros foi novamente descoberto antes de ser soterrado pela areia.
Perspectivas de investigação e preservação
David Robinson, diretor do Conselho de Recursos Arqueológicos Subaquáticos de Massachusetts, destacou que as primeiras imagens indicam semelhanças notáveis entre os novos fragmentos e os analisados nos anos anteriores. Contudo, ele alertou que o material também poderia ser proveniente de outra embarcação, já que a região é conhecida como um dos maiores “cemitérios do Atlântico”.
Para garantir a integridade dos achados, o instituto solicitou que visitantes e curiosos não toquem nos destroços. A legislação estadual proíbe a remoção, dano ou deslocamento de recursos arqueológicos subaquáticos, sob pena de multa e processos judiciais.
Os próximos passos incluem a catalogação detalhada das peças, análise de madeira por datação por radiocarbono e comparação com registros históricos da construção naval da época. O objetivo final é produzir um relatório técnico que será encaminhado aos arqueólogos do estado e, possivelmente, a instituições acadêmicas.
Além do valor histórico, a descoberta traz à tona questões sobre a vulnerabilidade das áreas costeiras a eventos climáticos extremos. A erosão que expôs os fragmentos é um lembrete de como tempestades cada vez mais intensas podem revelar vestígios do passado, ao mesmo tempo em que ameaçam patrimônios culturais.
Com a temporada de tempestades ainda em curso, autoridades locais monitoram a costa para evitar novos deslizamentos de areia que possam comprometer tanto a segurança pública quanto a preservação dos achados arqueológicos.
- Data da tempestade que revelou os destroços: 26/09/2024.
- Local da descoberta: praia sul de Nantucket, Massachusetts.
- Possível origem dos fragmentos: escuna Warren Sawyer, naufragada em 22/12/1884.
- Carga original do navio: 1.115 fardos de algodão e 28 toneladas de sucata metálica.
- Instituições envolvidas: Egan Maritime Institute e Conselho de Recursos Arqueológicos Subaquáticos de Massachusetts.
Enquanto os especialistas aguardam a análise laboratorial, a comunidade local permanece curiosa e orgulhosa de ter, mais uma vez, uma peça importante da história marítima à sua frente. O caso reforça a importância de monitorar as mudanças costeiras e de investir em pesquisas arqueológicas que possam esclarecer episódios ainda envoltos em mistério.
Em suma, a tempestade de setembro de 2024 não apenas trouxe chuvas e ventos fortes, mas também desenterrou um fragmento da memória coletiva dos navegadores que cruzaram o Atlântico há mais de um século. A expectativa agora é que, com estudo cuidadoso, esses pedaços de madeira possam contar a história completa de um naufrágio que marcou a região e que, até hoje, continua a fascinar pesquisadores e moradores.








