Neste domingo, 4 de outubro, os brasileiros vão às urnas para escolher 513 deputados federais e dois terços dos 81 senadores. O pleito define quem terá o poder de legislar e influenciar decisões cruciais para o país. O foco do debate gira em torno do Orçamento federal e das disputas institucionais entre o Congresso e o Executivo.
O papel do Congresso nas eleições e nas decisões estratégicas
O Congresso Nacional, composto pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal, exerce a função legislativa, mas sua influência vai além da criação de leis. Cada deputado e senador eleito traz consigo projetos e prioridades que podem mudar a alocação de recursos públicos.
Além de aprovar leis, o Senado tem a responsabilidade de confirmar indicações presidenciais para o Supremo Tribunal Federal, o que pode impactar decisões judiciais de longo prazo. Também cabe aos senadores iniciar processos de impeachment contra ministros da Corte, reforçando o peso político da Casa.
Com a renovação de grande parte dos parlamentares, surgem novas alianças e confrontos que podem redefinir o equilíbrio de poder entre os três Poderes.
As emendas parlamentares individuais impositivas e seu peso no Orçamento
Desde 2015, as chamadas emendas parlamentares individuais impositivas (EPI) passaram a ter execução obrigatória, garantindo que parte dos recursos do Orçamento seja destinada conforme a vontade dos parlamentares. Essa mudança aumentou a capacidade de negociação do Congresso frente ao Palácio do Planalto.
As EPIs têm crescido de forma consistente. Projeções apontam que, até 2027, elas representarão cerca de 20% do total de verbas disponíveis para o governo federal, o que significa uma parcela significativa do orçamento nacional.
Esse cenário cria um ambiente de disputa intensa, já que o Executivo precisa conciliar suas prioridades de política pública com as demandas regionais e setoriais dos legisladores.
- Maior autonomia para parlamentares definirem investimentos locais.
- Pressão sobre o Executivo para atender às exigências das EPIs.
- Possibilidade de uso político das emendas como moeda de troca.
Entrevista com a cientista política Lara Mesquita
No episódio do podcast O Assunto, a apresentadora Natuza Nery conversa com Lara Mesquita, professora da Escola de Economia da FGV-SP. Mesquita analisa como as emendas parlamentares influenciam a redistribuição de poder dentro da República.
Segundo a pesquisadora, a correlação entre o volume de EPIs e a força política dos partidos é direta: quanto mais recursos um grupo controla, maior sua capacidade de negociar acordos e influenciar políticas públicas.
Mesquita também destaca que a concentração de recursos nas mãos de poucos parlamentares pode gerar desequilíbrios regionais, favorecendo áreas com maior representatividade política em detrimento de regiões menos representadas.
Para mitigar esses efeitos, a cientista propõe maior transparência na destinação das emendas e a criação de mecanismos de controle que assegurem a aplicação dos recursos conforme critérios de necessidade social e desenvolvimento econômico.
Impactos da crise institucional entre os Poderes
A tensão entre o Legislativo e o Executivo não se limita ao Orçamento. Questões como a nomeação de ministros, a condução de políticas de saúde e educação, e a resposta a crises econômicas são frequentemente objetos de disputa.
Quando o Congresso se opõe ao governo, pode bloquear projetos importantes, atrasar reformas estruturais ou exigir concessões que alterem o rumo de políticas públicas.
Por outro lado, um Executivo que ignore as demandas parlamentares corre o risco de enfrentar impasses legislativos, dificultando a aprovação de leis e a implementação de medidas emergenciais.
Essa dinâmica de “jogo de xadrez” institucional é intensificada nas fases eleitorais, quando parlamentares buscam demonstrar resultados concretos aos eleitores, utilizando as EPIs como ferramenta de campanha.
Em síntese, o cenário atual revela que o futuro das políticas públicas brasileiras dependerá da capacidade de negociação e do equilíbrio de poder entre os três Poderes, especialmente diante das próximas eleições.








