Na manhã desta terça‑feira, 29 de outubro, as campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva e de Flávio Bolsonaro ocuparam o horário eleitoral gratuito para lançar mensagens dirigidas a eleitores que ainda não definiram sua escolha. O objetivo foi ampliar o alcance além das bases tradicionais, tentando conquistar o segmento dos eleitores independentes que, segundo pesquisas, pode decidir o resultado do primeiro turno.
Estratégias de Lula para conquistar eleitores fora da base
A peça veiculada por Lula iniciou com a promessa de acabar com a escala 6×1 sem reduzir salários, reforçando a ideia de proteção ao trabalhador. Em seguida, o candidato destacou três medidas econômicas que, segundo a campanha, trarão alívio imediato ao bolso das famílias.
- Zerar os impostos sobre a cesta básica, permitindo que alimentos essenciais fiquem mais baratos.
- Ampliar o programa Pé‑de‑meia, garantindo renda extra para idosos e pessoas em situação de vulnerabilidade.
- Manter o controle da inflação por meio de políticas fiscais responsáveis.
Além das propostas, a propaganda criticou a gestão anterior, apontando desemprego, recessão e salários abaixo da inflação como marcas do governo de Jair Bolsonaro. O discurso buscou criar contraste entre o passado e o futuro prometido.
Um dos trechos mais marcantes foi narrado pela atriz Débora Bloch, que reforçou a credibilidade da mensagem ao associar a voz conhecida a um apelo emocional. A narração também destacou a recente proibição das apostas esportivas (bets), apresentando a medida como mais um passo da administração para proteger o cidadão.
Para atrair eleitores que não se identificam com o PT, a campanha utilizou uma linguagem menos partidária, enfatizando resultados concretos e benefícios diretos ao cotidiano. O tom foi de convite: “Vamos construir juntos um país mais justo e seguro”.
A proposta de Flávio Bolsonaro e o foco na segurança
A propaganda de Flávio Bolsonaro começou com o slogan “Agora vai começar o programa Brasil Real”, sinalizando um posicionamento de mudança de rumo. A narração questionou a situação atual do país, abordando violência, alta de preços, aumento dos feminicídios e a presença de facções criminosas.
Em seguida, foram exibidos depoimentos de eleitores que admitiram ter votado em Lula nas eleições anteriores, mas que afirmaram não repetir a escolha. Essa estratégia visou mostrar que a mudança de voto é possível e desejável.
Um segmento da campanha trouxe à tona dúvidas sobre a viabilidade de outras candidaturas. Um eleitor disse: “Pensei em votar no Caiado, mas ele não tem força para tirar o Lula do poder”; outro questionou: “O que adiantaria votar no Cury ou no Caiado?”. Esses comentários foram inseridos para reforçar a ideia de que o voto em Flávio seria a alternativa mais eficaz.
Na área de segurança pública, a proposta de Flávio incluiu a criação do programa “Brasil Sem Medo”. O plano prevê:
- Classificar o PCC, o Comando Vermelho e milícias como organizações narcoterroristas.
- Quadruplicar a pena para roubo de celular.
- Reduzir a maioridade penal, medida que depende de aprovação no Congresso.
Para ilustrar o impacto econômico das políticas, Flávio foi filmado em um mercado, mostrando o que seria possível comprar com R$ 100,00. O objetivo foi conectar a proposta de segurança a uma percepção de melhoria no custo de vida.
Ao final, a propaganda reforçou a mensagem de que o Brasil precisa de um governo que combata a criminalidade de forma rigorosa e que, ao mesmo tempo, garanta estabilidade econômica.
O papel dos eleitores independentes na disputa presidencial
Segundo a pesquisa da Quaest, os eleitores que não se identificam nem como de esquerda nem como de direita representam entre 24 % e 36 % do eleitorado nos estados. Esse bloco, conhecido como “independente”, tem potencial para balançar a balança nas urnas.
Ambas as campanhas dedicaram recursos significativos para falar diretamente a esse público. Enquanto Lula enfatizou políticas de renda e controle de inflação, Flávio apostou na segurança pública e na sensação de ordem.
Os analistas apontam que a eficácia dessas mensagens depende da credibilidade percebida pelos eleitores. A presença de personalidades reconhecidas, como Débora Bloch, pode aumentar a confiança na narrativa.
Além das propostas, as campanhas também utilizaram dados de pesquisas para segmentar a comunicação. Por exemplo, nas regiões onde a violência urbana é mais alta, a mensagem de Flávio recebeu maior frequência; nas áreas com maior vulnerabilidade econômica, a propaganda de Lula foi priorizada.
Outro ponto relevante é a estratégia de timing. O horário eleitoral gratuito ocorre em dias específicos, e o rodízio entre os candidatos garante que cada um tenha tempo limitado para transmitir sua mensagem. Por isso, a escolha das palavras e dos recursos visuais é ainda mais crítica.
Os eleitores independentes costumam buscar informações em múltiplas fontes, incluindo redes sociais, debates e entrevistas. As campanhas, conscientes desse comportamento, investiram também em conteúdo digital complementar, como vídeos curtos e posts patrocinados.
Em termos de conteúdo, a campanha de Lula destacou a continuidade de programas sociais, enquanto a de Flávio enfatizou a ruptura com políticas consideradas “soft” em relação à criminalidade. Essa dicotomia cria um cenário de escolha clara para quem prioriza segurança versus quem prioriza assistência econômica.
Observa‑se ainda que a questão da legalidade das apostas esportivas (bets) ganhou destaque nas últimas semanas, e a proibição anunciada por Lula foi utilizada como prova de ação decisiva contra práticas consideradas nocivas. Flávio, por sua vez, evitou comentar diretamente o tema, focando em outras áreas de sua agenda.
Os especialistas em comportamento eleitoral ressaltam que, ao abordar temas de uso cotidiano – como o preço dos alimentos ou a segurança nas ruas – as campanhas conseguem criar uma conexão emocional que vai além da ideologia partidária.
Em resumo, a disputa está se consolidando em duas linhas principais: a defesa de políticas de proteção social e econômica versus a promessa de ordem e combate ao crime. O eleitor independente, ao avaliar esses contrastes, terá que ponderar qual conjunto de propostas melhor atende às suas necessidades imediatas.
Com o primeiro turno se aproximando, a corrida presidencial ganha novos contornos, e as estratégias de comunicação adotadas neste horário eleitoral gratuito podem ser decisivas para definir quem avançará para o segundo turno.








