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EUA revogam vistos de 27 autoridades latino-americanas por suspeita de corrupção e narcotráfico

O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou, nesta segunda‑feira, 28 de setembro de 2026, a revogação de vistos de 27 autoridades e ex‑autoridades latino‑americanas, bem como de alguns de seus familiares. A medida foi tomada em Washington, D.C., e faz parte de uma campanha mais ampla contra corrupção e narcotráfico na região. O governo Trump afirmou que a ação visa proteger a governança democrática em todo o hemisfério.

Motivações e contexto da decisão

A administração Trump tem usado o controle de vistos como ferramenta de pressão diplomática desde o início de seu mandato, buscando coibir práticas que considera prejudiciais à segurança dos Estados Unidos. Segundo o comunicado oficial, as revogações foram determinadas “para cumprir os compromissos de defender a governança democrática em todo o nosso hemisfério contra a corrupção e o narcotráfico”.

O Departamento de Estado explicou que a lista inclui autoridades de quatro países: Bolívia, Colômbia, Equador e Peru. Cada um desses Estados enfrenta desafios específicos relacionados ao tráfico de drogas, ao financiamento ilícito de campanhas e à interferência nas instituições judiciais.

  • Bolívia – mais de 20 promotores e juízes
  • Colômbia – um empresário e um parlamentar
  • Equador – dois cidadãos
  • Peru – um juiz

Os documentos divulgados pelos EUA apontam que 12 dos indivíduos já possuíam vistos americanos, que serão imediatamente anulados, enquanto nove terão futuros pedidos de visto recusados. Essa abordagem dupla demonstra a intenção de impedir tanto a entrada quanto a permanência de suspeitos nos Estados Unidos.

Especialistas em relações internacionais destacam que a medida pode ser vista como uma resposta direta a denúncias de corrupção que surgiram nos últimos anos, principalmente após investigações multilaterais que envolveram o tráfico de cocaína e a lavagem de dinheiro.

Perfis dos indivíduos afetados

Entre os nomes mais proeminentes está Roger Mariaca, procurador‑geral da Bolívia, eleito em 2024 para um mandato de seis anos. O governo dos EUA acusa Mariaca de utilizar sua posição para solicitar e aceitar propinas em troca de facilitar operações ligadas ao narcotráfico, além de ajudar criminosos violentos a escapar da justiça.

Outros casos incluem dois parlamentares colombianos, um dos quais foi investigado por suposto financiamento de grupos armados ilegais. No Equador, os dois cidadãos listados são associados a empresas que, segundo autoridades americanas, serviram como fachada para movimentação de recursos provenientes do tráfico de drogas.

O juiz peruano citado na lista teria presenciado processos judiciais críticos ao combate ao narcotráfico e, supostamente, teria adotado decisões favoráveis a organizações criminosas em troca de benefícios pessoais.

Além dos funcionários públicos, a medida alcança familiares próximos, como cônjuges e filhos, que também tiveram seus vistos revogados ou terão seus pedidos negados. Essa extensão reflete a política de “responsabilidade familiar” adotada pelos EUA para aumentar a pressão sobre os alvos principais.

Repercussões regionais e respostas oficiais

Os governos dos países mencionados ainda não emitiram declarações oficiais detalhadas, mas fontes diplomáticas indicam que as nações estão avaliando a possibilidade de contestar as decisões em fóruns internacionais. A Bolívia, por exemplo, já sinalizou que poderá levar o caso à Organização dos Estados Americanos (OEA) para discutir a legitimidade das sanções.

No Brasil, o G1 tentou obter esclarecimentos do Departamento de Estado, mas não recebeu resposta até a última atualização da reportagem. Analistas apontam que a ausência de menção a autoridades brasileiras pode indicar que o foco da ação está restrito a países com maior incidência de denúncias recentes.

Organizações de direitos humanos alertam que a revogação de vistos, embora legalmente permitida, pode violar princípios de devido processo e de presunção de inocência, sobretudo quando as acusações ainda não foram julgadas em tribunais nacionais.

Entretanto, o governo americano sustenta que a medida é preventiva e visa impedir que indivíduos envolvidos em corrupção e tráfico de drogas utilizem o território dos EUA como refúgio ou base de operações.

Observadores regionais ressaltam que a estratégia de usar vistos como arma diplomática pode gerar efeitos colaterais, como o endurecimento de relações bilaterais e a intensificação de retóricas anti‑americana em países que se sentem alvo de sanções unilaterais.

Ao mesmo tempo, a medida pode incentivar reformas internas nos países afetados, já que a perda de acesso a um dos principais destinos de viagens de negócios e estudo pode pressionar elites políticas a adotar políticas de transparência e combate à corrupção.

Em suma, a revogação de vistos de 27 autoridades latino‑americanas representa um capítulo novo na política externa dos Estados Unidos sob a liderança de Donald Trump, combinando questões de segurança nacional, combate ao crime organizado e promoção de valores democráticos.

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