O Hospital Geral de Vila Penteado, referência no tratamento de queimaduras na zona norte de São Paulo, destaca neste domingo (27) o papel vital da doação de pele para pacientes com lesões graves. A iniciativa ocorre no contexto do Dia Nacional do Doador de Órgãos, reforçando a necessidade de ampliar o conhecimento sobre a doação de tecidos.
A relevância da doação de pele no combate às queimaduras
Segundo a Sociedade Brasileira de Queimaduras, cerca de 70 mil internações por queimaduras são registradas anualmente no Sistema Único de Saúde. Esses números revelam a magnitude do problema e a urgência de recursos terapêuticos eficazes.
Quando grandes áreas da pele são comprometidas, a barreira natural do organismo se rompe, expondo o paciente a infecções, perda de líquidos e desequilíbrios térmicos. A pele doada funciona como uma cobertura temporária, permitindo que o corpo inicie a cicatrização enquanto reduz o risco de complicações.
O Hospital Geral de Vila Penteado utiliza esse tecido para:
- Proteger áreas queimadas contra agentes externos;
- Manter a hidratação e temperatura corporal;
- Facilitar a integração de enxertos autólogos posteriores.
Essas práticas aumentam significativamente as taxas de sobrevivência e melhoram a qualidade de vida dos pacientes após a alta hospitalar.
Desafios e mitos que cercam a doação de tecidos
Apesar dos benefícios comprovados, a doação de pele ainda enfrenta resistência. Grande parte das recusas decorre da falta de informação clara sobre o processo e dos receios relacionados ao tratamento pós‑mortem.
Na prática, a doação de pele segue protocolos rígidos estabelecidos pela Central de Transplantes do Estado de São Paulo. O procedimento inclui avaliação da viabilidade do tecido, preservação em condições estéreis e distribuição para unidades de queimados credenciadas.
Os principais mitos que precisam ser desmistificados são:
- “A doação de pele altera a aparência do doador” – o tecido é removido de áreas que não comprometem a estética.
- “A família perde o direito de decidir” – a autorização depende exclusivamente do consentimento familiar, que deve ser informado previamente.
- “O processo é doloroso para o doador” – a retirada ocorre após a morte encefálica, sem sofrimento.
David Ribeiro, coordenador da Unidade de Queimados, enfatiza que a educação contínua pode transformar dúvidas em decisões conscientes. Ele afirma que “a maioria das famílias aceita a doação quando compreende a importância do tecido para salvar outras vidas”.
Como a comunidade pode apoiar e salvar vidas
O engajamento da população é essencial para ampliar a disponibilidade de pele doada. Existem passos simples que qualquer pessoa pode adotar:
- Registrar a vontade de ser doador em documentos oficiais ou aplicativos de saúde;
- Conversar abertamente com familiares sobre a decisão;
- Divulgar informações corretas nas redes sociais, evitando boatos;
- Participar de campanhas de conscientização organizadas por hospitais e ONGs.
Além disso, o Estado de São Paulo tem investido em campanhas de sensibilização que destacam os números recentes: até agosto, foram contabilizados 700 doadores de órgãos e 6.099 captações de órgãos e córneas. Em 2025, os transplantes somaram 8.875 procedimentos, um aumento de 6,8% em relação a 2024.
Esses dados demonstram que, embora o cenário esteja melhorando, ainda há muito espaço para crescimento, especialmente no que tange à doação de tecidos como a pele.
Para quem deseja contribuir, a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo recomenda registrar a vontade de ser doador ainda em vida e orientar os familiares sobre a importância da decisão. Essa atitude pode reduzir o tempo de resposta das equipes de transplante e garantir que o tecido esteja disponível quando necessário.
Em síntese, a doação de pele representa um recurso médico indispensável para o tratamento de queimaduras graves. Cada doador potencial pode ser a diferença entre a vida e a morte de um paciente que luta contra as consequências devastadoras de um acidente ou de um incêndio.
Ao celebrar o Dia Nacional do Doador de Órgãos, reforçamos a mensagem de que a solidariedade não termina com a doação de órgãos internos; ela se estende aos tecidos que mantêm a integridade do corpo e possibilitam a recuperação de quem mais precisa.








