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Anvisa analisa 13 relatos de neuropatia óptica ligados a canetas de agonistas GLP‑1

Em julho de 2024, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) iniciou a investigação de 13 notificações de suspeita de neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica (NOIA) em pacientes que utilizavam canetas de medicamentos agonistas de GLP‑1, indicados para diabetes e obesidade. As notificações foram registradas em diferentes estados do Brasil e estão sendo avaliadas para entender possíveis relações entre o uso desses fármacos e a perda de visão.

O que é a NOIA e como ela se manifesta

A NOIA é uma lesão rara no nervo óptico que funciona como um infarto no tecido que liga o olho ao cérebro. Quando os pequenos vasos que irrigam a parte frontal do nervo ficam obstruídos, parte das células nervosas morre, provocando uma queda súbita da visão em um dos olhos, geralmente sem dor e, em muitos casos, de forma permanente.

Os sintomas costumam aparecer de forma abrupta, com a pessoa percebendo que a visão está embaçada ou escurecida em um olho. Como o processo não envolve inflamação, o tratamento costuma ser limitado e a recuperação completa é rara.

Essa condição tem sido observada em pacientes que já apresentam comorbidades, como diabetes, hipertensão e dislipidemia, fatores que também podem comprometer a circulação ocular.

Contexto das investigações e respostas das empresas

A investigação ganhou destaque após a divulgação de processos judiciais nos Estados Unidos contra a fabricante Novo Nordisk, que produzem a semaglutida, e alegam risco de perda de visão associado ao uso da caneta. A reportagem do The Wall Street Journal trouxe à tona esses casos, gerando preocupação entre pacientes e profissionais de saúde.

A Novo Nordisk, ao ser consultada, afirmou que análises internas de seus ensaios clínicos não identificaram aumento significativo de casos de NOIA entre os usuários de semaglutida, mantendo que o balanço entre benefícios e riscos permanece favorável. A Eli Lilly, responsável pelo Mounjaro (tirzepatida), declarou que monitora continuamente os dados de segurança, inclusive questões oftalmológicas, e que ainda não há evidência conclusiva de associação causal.

Um estudo publicado na revista JAMA Ophthalmology analisou mais de 1.600 prontuários e encontrou um risco quatro a sete vezes maior de NOIA entre pacientes que receberam semaglutida comparado a quem utilizou outras medicações. Contudo, os autores ressaltaram que a observação não estabelece causa‑efeito, já que a maioria dos pacientes também apresentava diabetes, condição que por si só pode predispor à lesão óptica.

No Brasil, desde junho de 2025, a Anvisa incluiu a NOIA na bula da semaglutida como reação adversa muito rara, seguindo as diretrizes de transparência e informação ao paciente.

Detalhes das notificações e panorama da farmacovigilância

As 13 notificações analisadas referem‑se a 12 casos envolvendo semaglutida e um caso envolvendo tirzepatida. Elas fazem parte de um conjunto maior registrado desde 2018, quando o painel de farmacovigilância da Anvisa contabilizou 24 suspeitas de neuropatia isquêmica óptica, abrangendo diversas classes de medicamentos, como imunomoduladores, quimioterápicos, outros antidiabéticos e fármacos oftalmológicos.

Os relatos chegam à Anvisa por meio de pacientes, médicos e das próprias farmacêuticas. Cada notificação é tratada como suspeita até que a agência conclua se há ou não relação causal com o fármaco. Até o momento, a Anvisa não encontrou evidência suficiente para confirmar que as canetas são a causa direta da NOIA.

  • 12 notificações de semaglutida
  • 1 notificação de tirzepatida
  • 24 suspeitas totais de NOIA desde 2018
  • Outras classes envolvidas: imunomoduladores, quimioterápicos, antidiabéticos diversos, medicamentos oftalmológicos

Especialistas consultados pelo g1 destacam que, embora o alerta seja importante, os benefícios das canetas para controle glicêmico e perda de peso superam os riscos potenciais, desde que o tratamento seja acompanhado por avaliação médica rigorosa.

O uso responsável desses medicamentos inclui monitoramento regular da pressão arterial, exames oftalmológicos periódicos e orientação clara sobre sinais de alerta, como perda súbita de visão ou alterações visuais.

Recomendações para pacientes e profissionais de saúde

Para quem já utiliza agonistas de GLP‑1, a recomendação principal é não interromper o tratamento sem orientação médica. Caso ocorram sintomas como visão turva, escurecimento de um olho ou dor ocular, o paciente deve buscar atendimento oftalmológico imediatamente.

Os profissionais de saúde devem registrar qualquer evento adverso suspeito no sistema de farmacovigilância da Anvisa, contribuindo para a coleta de dados que podem esclarecer a real frequência e gravidade da NOIA.

Além disso, é fundamental que médicos avaliem o histórico clínico do paciente, especialmente a presença de diabetes de longa duração, hipertensão e outras doenças vasculares, antes de prescrever agonistas de GLP‑1.

Em resumo, a investigação da Anvisa reforça a importância da vigilância contínua e da comunicação transparente entre pacientes, profissionais de saúde e órgãos reguladores, garantindo que os benefícios dos novos tratamentos sejam aproveitados com segurança.

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