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Especialista em ciência política aponta risco de captura das instituições diante de escândalos em Brasília

Em entrevista ao programa VEJA em Foco, transmitido em setembro de 2024, o cientista político Leandro Consentino alertou sobre a prática de “sequestro” das instituições brasileiras em meio a uma série de escândalos que envolvem o Banco Master, membros do Congresso e do Ministério Público. O especialista destacou que autoridades estariam usando esses órgãos como escudos para se protegerem de investigações e questionamentos públicos. O alerta foi feito na capital federal, onde os fatos têm repercussão nacional.

Contexto dos escândalos que abalam a confiança pública

Nos últimos meses, documentos vazados e mensagens eletrônicas revelaram ligações suspeitas entre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o ex‑banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. As trocas apontam para possíveis favorecimentos e acordos que fogem à transparência exigida pelos cidadãos. A divulgação desses materiais gerou um intenso debate sobre a necessidade de prestação de contas por parte dos agentes públicos.

Além do caso no Legislativo, o Conselho Superior do Ministério Público decidiu manter o procurador‑geral da República, Paulo Gonet, à frente da investigação sobre o Banco Master, arquivando pedidos de apuração de sua conduta. Essa decisão foi interpretada por Consentino como mais um indicativo de que instituições estão sendo manipuladas para proteger seus membros. Segundo o especialista, a continuidade de tais decisões alimenta a percepção de impunidade.

O cenário se complica quando diferentes esferas do poder – executivo, legislativo e judicial – apresentam indícios de colaboração estreita em situações que deveriam ser objeto de controle independente. Essa interdependência dificulta a identificação de responsáveis e enfraquece os mecanismos de fiscalização previstos na Constituição. O resultado é um ambiente onde a confiança da população nas instituições democráticas se deteriora rapidamente.

A crítica ao uso institucional como escudo de proteção

Consentino argumenta que o fenômeno observado pode ser descrito como “sequestro institucional”, termo que ele utiliza para indicar que autoridades se apropriam dos órgãos públicos para se blindarem contra investigações. Ele ressalta que tais práticas vão além de simples conflitos de interesse; tratam‑se de estratégias organizacionais que visam preservar privilégios e impedir o acesso da sociedade a informações relevantes.

Para ilustrar a lógica de proteção, o cientista político citou a frase: “Eu brindo os meus pares aqui porque amanhã eu posso ter um problema também e eu também serei blindado”. Essa declaração evidencia a existência de um pacto tácito entre agentes de diferentes instituições, que se apoiam mutuamente para evitar consequências legais ou políticas. O efeito colateral é a erosão da accountability, ou seja, da responsabilidade perante a sociedade.

Em sua análise, Consentino destaca que o problema central reside na dificuldade de separar quem investiga de quem é investigado quando os mesmos nomes aparecem em múltiplas frentes. Essa sobreposição cria um círculo vicioso onde a própria estrutura de fiscalização se torna parte do problema, ao invés de ser a solução.

  • Autoridades usando instituições como escudos;
  • Decisões judiciais que favorecem agentes políticos;
  • Falta de transparência nos processos de investigação;
  • Risco de corporativismo institucional;
  • Desconfiança crescente da população.

Implicações para a democracia e caminhos para a restauração da confiança

O especialista alerta que, se não houver mudanças estruturais, o sequestro das instituições pode levar a uma crise de legitimidade democrática. Quando o público percebe que os mecanismos de controle são manipulados, a participação cidadã tende a diminuir, alimentando o descontentamento e a polarização.

Para reverter esse quadro, Consentino propõe a adoção de medidas que reforcem a independência dos órgãos de fiscalização. Entre as recomendações estão a criação de comissões independentes para investigar casos de conflito de interesse, a implementação de regras mais rígidas de transparência e a garantia de que processos judiciais sejam conduzidos sem interferência política.

Além disso, o cientista político enfatiza a importância de uma imprensa livre e de veículos de comunicação que possam investigar e divulgar informações de forma imparcial. O papel da sociedade civil também é fundamental, pois a pressão popular pode forçar mudanças legislativas e institucionais que restabeleçam a confiança nas instituições.

Em síntese, o alerta de Consentino serve como um convite à reflexão sobre o estado atual das estruturas democráticas no Brasil. O sequestro institucional, conforme descrito, representa um risco real para a estabilidade política e para a credibilidade do sistema de governança. Somente com ações coordenadas entre poder público, sociedade e mídia será possível restaurar a integridade das instituições e garantir que elas cumpram seu papel de servir ao interesse coletivo.

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