Um novo manual publicado pelo Projeto RS Biodiversidade, do Rio Grande do Sul, ensina como transferir enxames de abelhas sem ferrão para a colmeia definitiva, reduzindo ao máximo a perturbação dos insetos. O guia, disponível a partir da página 72, traz instruções detalhadas para apicultores e conservacionistas que desejam manejar esses importantes polinizadores. A iniciativa foi lançada em 2023 e já está circulando entre comunidades rurais e urbanas.
Por que as abelhas sem ferrão são essenciais
As abelhas sem ferrão são responsáveis por mais de 80% da polinização de flores e frutos em ecossistemas naturais e agrícolas, o que as torna peças-chave para a segurança alimentar. Elas apresentam comportamento menos agressivo que as abelhas europeias, facilitando o manejo e permitindo a criação em áreas urbanas e periurbanas. Essa característica tem impulsionado projetos de apicultura sustentável em todo o Brasil.
Além da polinização, essas abelhas contribuem para a diversidade genética de plantas nativas, favorecendo a resistência a pragas e doenças. Estudos apontam que regiões com maior presença de abelhas sem ferrão apresentam colheitas mais produtivas e menores custos de insumos agrícolas. Por isso, governos e ONGs têm incentivado a sua conservação como estratégia de biodiversidade e desenvolvimento rural.
No âmbito econômico, a criação de abelhas sem ferrão gera renda para pequenos produtores, especialmente no Agreste nordestino, onde a produção de mel, própolis e cera tem se tornado fonte de subsistência. O manual do Projeto RS Biodiversidade também destaca oportunidades de mercado, como a comercialização de mel orgânico e a prestação de serviços de polinização para agricultores locais. Essa perspectiva de apicultura lucrativa tem atraído novos adeptos ao setor.
Passo a passo para transferir o enxame
O procedimento de transferência segue uma sequência lógica que garante a segurança das abelhas e a eficácia do manejo. Cada etapa foi testada por apicultores experientes e está descrita de forma clara, permitindo que iniciantes também apliquem o método sem riscos. A seguir, apresentamos o fluxo completo, desde a preparação da caixa definitiva até a observação final.
Antes de iniciar a transferência, é fundamental preparar a caixa definitiva. Ela deve estar limpa, ventilada e conter os materiais necessários para receber o enxame. Prepare os seguintes itens:
- Caixa de madeira ou poliestireno com tampa ventilada
- Quadros vazios com base de cera
- Suporte de cera para estabilizar os quadros
- Ferramenta de corte ou espátula de plástico
- Luvas de proteção e máscara facial
Etapa 1 – Identificar a isca: localize a caixa de isca onde o enxame está temporariamente alojado. Verifique se as abelhas estão calmas e se há presença de alimento (pólen ou mel). Marque a posição da caixa para facilitar a movimentação posterior.
Etapa 2 – Acionar a caixa definitiva: posicione a caixa definitiva a cerca de 30 cm da isca, alinhando os quadros vazios com a direção de entrada das abelhas. Abra suavemente a tampa da caixa de isca, permitindo que as abelhas percebam o novo espaço.
Etapa 3 – Transferir os quadros: com a ferramenta de corte, retire delicadamente os quadros contendo crias e alimentos da caixa de isca. Transfira-os imediatamente para os quadros vazios da caixa definitiva, mantendo a orientação original. Evite agitar os quadros para não desorientar as abelhas.
Etapa 4 – Selar e observar: feche as tampas das duas caixas, garantindo ventilação adequada. Deixe a caixa definitiva em local sombreado e protegido de ventos fortes. Observe o comportamento das abelhas nas próximas 24 horas, verificando se elas se estabeleceram e continuam a trabalhar.
Dicas para minimizar o estresse das abelhas
Manter o estresse baixo durante a manipulação aumenta a taxa de sucesso da transferência e protege a saúde da colônia. Use movimentos lentos e evite ruídos bruscos ao abrir ou fechar as caixas. A presença de fumaça leve, proveniente de material natural, pode acalmar as abelhas sem causar danos.
Escolha o horário ideal: manhãs amenas ou final da tarde são períodos em que as abelhas estão menos ativas, facilitando o manejo. Evite dias de alta temperatura (>30 °C) ou de chuva forte, pois essas condições podem intensificar a defensividade dos insetos.
Utilize luvas de proteção e roupas claras para não assustar as abelhas, que reagem melhor a cores neutras. Mantenha a caixa definitiva em superfície estável para impedir vibrações que possam desorientar a colônia.
Após a transferência, monitore a produção de mel e a presença de crias nas primeiras duas semanas. Caso note redução na atividade ou sinais de agressividade, reavalie a ventilação e a disponibilidade de alimento na nova colmeia. Ajustes rápidos garantem a recuperação plena da colônia.
Em resumo, o manual do Projeto RS Biodiversidade oferece um roteiro prático e científico para quem deseja integrar abelhas sem ferrão à produção apícola de forma sustentável. Seguindo as etapas descritas e aplicando as dicas de manejo, apicultores podem ampliar sua produção, contribuir para a conservação da biodiversidade e gerar renda adicional. A adoção desses procedimentos representa um avanço significativo para a apicultura brasileira no século XXI.








