Em decisão provisória proferida nesta semana, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região autorizou que mercados, supermercados e hipermercados funcionem em feriados sem a necessidade de negociação coletiva. A medida foi concedida pela desembargadora Mônica Nobre, após ação ajuizada pela Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS). O julgamento ocorreu em Brasília, mas tem efeito em todo o território nacional.
Entenda a decisão judicial
A liminar suspende temporariamente a regra do Ministério do Trabalho que exigia acordo entre sindicatos e empregadores para a abertura em datas comemorativas. Com isso, volta a valer o modelo anterior, que permitia a operação sem negociação específica, até que o processo seja concluído.
A ação foi movida pela ABRAS depois que a Justiça Federal de primeira instância negou o pedido de suspensão da nova norma. A entidade alegou tratamento desigual, já que outros ramos do comércio continuam autorizados a funcionar sem acordo.
A magistrada destacou que a mudança repentina poderia gerar efeitos práticos negativos, como dificuldade de organização de turnos e risco de desabastecimento. Por isso, a decisão busca preservar a continuidade do serviço essencial à população.
Impactos para o setor e consumidores
Para os supermercados, a possibilidade de abrir em feriados significa manutenção das vendas de produtos de primeira necessidade, como alimentos, higiene e limpeza. Muitos estabelecimentos já operam em regime de plantão, e a suspensão da exigência de negociação evita a necessidade de renegociar contratos de trabalho a cada feriado.
Do ponto de vista dos consumidores, a medida garante acesso a itens básicos em datas em que outras lojas podem estar fechadas. Em regiões onde o comércio local tem menor oferta, a presença de grandes redes pode ser decisiva para evitar filas e falta de estoque.
Entretanto, trabalhadores podem enfrentar jornadas mais extensas sem a compensação prevista em acordos coletivos. A ABRAS argumenta que a empresa pode organizar escalas internas, mas sindicatos apontam a falta de garantias formais.
- Benefício para o abastecimento da população;
- Redução de custos administrativos para as redes varejistas;
- Possível aumento da carga de trabalho sem compensação adequada.
Reações de sindicatos e do governo
A União Geral dos Trabalhadores (UGT) manifestou preocupação, ressaltando que a negociação coletiva protege direitos como pagamento de horas extras, folgas compensatórias e condições de segurança. Em nota, a entidade afirmou que pretende acionar a União e o Ministério Público Federal para reverter a liminar.
O Ministério do Trabalho e Emprego ainda não se pronunciou oficialmente sobre a decisão, embora tenha sido contactado pelo g1. A falta de resposta oficial mantém a incerteza sobre possíveis medidas regulatórias futuras.
Outros sindicatos do comércio também acompanharam o caso, avaliando o risco de precedentes que possam afetar categorias como vestuário, eletrodomésticos e serviços de alimentação.
Próximos passos e perspectivas
O processo ainda está em fase de instrução. A União e o Ministério Público Federal deverão ser ouvidos, e o tribunal poderá reexaminar a liminar com base nas manifestações apresentadas.
Se a decisão for mantida, o modelo atual pode se consolidar como padrão até que o Congresso ou o Ministério do Trabalho edite nova legislação. Caso contrário, a exigência de negociação coletiva poderá ser restabelecida, exigindo novos acordos entre empregadores e sindicatos.
Enquanto isso, redes de supermercados já estão ajustando seus planejamentos operacionais, preparando escalas de plantão e comunicando clientes sobre a continuidade do atendimento em feriados.
A situação ilustra a tensão entre a necessidade de garantir abastecimento e a proteção dos direitos trabalhistas, tema recorrente em debates sobre flexibilização das leis trabalhistas no Brasil.








