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Xi Jinping visita os EUA: da fazenda de Iowa ao poder máximo da China

O presidente da China, Xi Jinping, chegou a Washington nesta quarta‑feira (23) para a sua primeira visita oficial ao país em 11 anos. O encontro acontece num momento de tensões comerciais, tecnológicas e militares entre Pequim e a capital americana. A viagem marca também um retorno simbólico ao primeiro contato que Xi teve com os Estados Unidos, há quatro décadas, quando estudou agricultura no meio‑oeste americano.

Primeiros contatos de Xi com os EUA

Nos anos 1970, ainda como funcionário municipal no norte da China, Xi foi enviado a uma missão de estudos ao estado de Iowa. Lá, passou vários dias em uma fazenda local, aprendendo sobre técnicas agrícolas e convivendo com uma família anfitriã que lhe ofereceu hospitalidade.

A imprensa estatal chinesa destacou a experiência como prova dos laços de amizade entre os dois países. O governador de Iowa na época, Terry Branstad, chegou a estreitar ainda mais o vínculo ao tornar‑se embaixador dos EUA em Pequim durante a administração Trump, ressaltando a relação pessoal que mantinha com Xi.

Hoje, porém, a dinâmica entre Washington e Pequim está longe de ser de camaradagem. As duas potências disputam influência global, impõem tarifas recíprocas e competem por supremacia tecnológica e militar.

Da infância marcada pela Revolução Cultural à ascensão política

Xi Jinping nasceu em Pequim, em 1953, como sexto filho de Xi Zhongxun, um veterano revolucionário que ajudou a fundar a República Popular da China. Seu pai chegou a ocupar cargos de destaque, como vice‑primeiro‑ministro, antes de ser denunciado durante a Revolução Cultural.

Com apenas 15 anos, Xi foi enviado ao campo, conforme a política de Mao Tsé‑tung que enviava jovens urbanos para aprender com os camponeses. Ele passou sete anos na aldeia remota de Liangjiahe, na província de Shaanxi, vivendo em um yaodong escavado na encosta de uma colina.

O futuro líder descreveu a experiência em entrevista de 2004: “Todos no trem choravam. Eu era o único que sorria. Se não tivesse saído dali, teria chorado. Se tivesse ficado, nem sei se ainda viveria”.

Durante esse período, Xi realizou tarefas árduas como transporte de esterco, construção de valas e colheita manual, enfrentando fome e picadas de pulgas. Ele encontrou algum alívio nas pausas para fumar antes do almoço.

Com 22 anos, Xi retornou à cidade para estudar engenharia química na Universidade Tsinghua, uma das instituições mais prestigiadas da China. Após a formatura, iniciou sua carreira como funcionário local nas províncias costeiras de Fujian e Zhejiang, regiões que mais tarde se tornariam motores econômicos do país.

O caminho até o topo do Partido Comunista

A reabilitação política de seu pai após a morte de Mao abriu portas para Xi no governo central e nas Forças Armadas. Ele começou a ocupar cargos cada vez mais relevantes, consolidando uma rede de aliados dentro do Partido Comunista.

Alguns marcos da trajetória de Xi podem ser resumidos da seguinte forma:

  • 1999: nomeado vice‑governador de Fujian.
  • 2002: transferido para Zhejiang como secretário do partido.
  • 2007: eleito membro do Comitê Permanente do Politburo.
  • 2012: eleito secretário‑geral do Partido Comunista da China.
  • 2013: assumiu a presidência da República Popular da China.

Em 2018, a Constituição chinesa foi alterada para remover o limite de mandatos presidenciais, permitindo que Xi permaneça no poder indefinidamente. Desde então, ele tem promovido uma agenda de centralização de autoridade, reforço da identidade nacional e expansão da influência chinesa no exterior.

Na vida pessoal, Xi casou‑se em 1979 com Ke Lingling, filha de um ex‑embaixador chinês no Reino Unido, mas o casamento terminou em divórcio três anos depois. Em 1987, ele se casou com Peng Liyuan, famosa cantora de ópera popular, que hoje exerce um papel de primeira‑dama com forte presença em eventos diplomáticos.

Desafios atuais e a visita de 2024

A visita de Xi a Washington ocorre num cenário de crescente rivalidade entre as duas superpotências. As questões mais urgentes incluem disputas comerciais, restrições a empresas de tecnologia chinesas, acusações de espionagem e a competição por influência na região Indo‑Pacífica.

Durante a agenda oficial, Xi deverá se reunir com o presidente dos EUA, discutir a cooperação em mudanças climáticas e segurança global, e participar de um jantar de Estado. Analistas esperam que o líder chinês use a ocasião para enfatizar a necessidade de “respeito mútuo” e “não interferência” nos assuntos internos de cada país.

Ao mesmo tempo, a visita serve como um lembrete simbólico da trajetória pessoal de Xi: de um jovem enviado ao campo durante a Revolução Cultural, passando por uma temporada estudando fazendas de Iowa, até chegar ao cargo mais poderoso da China nas últimas gerações.

O mundo observa atentamente como o encontro entre Xi e os líderes americanos influenciará a agenda global nos próximos meses, especialmente em áreas como comércio, tecnologia, direitos humanos e segurança internacional.

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