Uma pesquisa realizada pelo AtlasIntel, divulgada na manhã desta quarta‑feira (23), revelou que 36% dos brasileiros responsabilizam o atual governo Lula IV pela maior disseminação das apostas online no país. O levantamento foi feito entre 17 e 22 de setembro, com 5.015 eleitores de todas as regiões. Os resultados apontam para uma percepção negativa da população em relação à gestão das bets.
Contexto da pesquisa e metodologia
O estudo foi conduzido por telefone e por entrevistas presenciais, garantindo representatividade nacional. A margem de erro é de um ponto percentual, com nível de confiança de 95%, o que confere robustez aos números apresentados. Os entrevistados foram selecionados de forma aleatória, abrangendo diferentes faixas etárias, gêneros e classes sociais.
Além das perguntas sobre responsabilidade, o questionário incluiu questões sobre benefícios e prejuízos das apostas, bem como sobre a opinião da população quanto à tributação e publicidade das plataformas. O objetivo foi mapear não apenas quem é culpado, mas também como a sociedade percebe o impacto econômico e social das bets.
- Data da coleta: 17 a 22 de setembro
- Tamanho da amostra: 5.015 eleitores
- Margem de erro: ±1 ponto percentual
- Nível de confiança: 95%
Percepções dos eleitores sobre responsabilidade
Quando questionados sobre quem deveria ser responsabilizado pela expansão das apostas, 36% dos entrevistados apontaram o governo Lula IV como o principal agente. Em segundo lugar, 25,4% responsabilizaram o governo Bolsonaro, enquanto 16,5% citaram o Congresso Nacional como culpado.
Esses números refletem a memória institucional dos eleitores, que associam a legalização das bets ao governo de Michel Temer (2018) e a falta de regulamentação ao mandato de Jair Bolsonaro (2019‑2022). O governo Lula III, por sua vez, sancionou a lei que estrutura a taxação e as regras operacionais das plataformas no final de 2023.
Apesar de o atual governo ter aprovado a regulamentação, a maioria dos entrevistados ainda vê Lula como responsável pela difusão, possivelmente por acreditar que a implementação das normas ainda é insuficiente para conter o crescimento do setor.
- Lula IV – 36%
- Bolsonaro – 25,4%
- Congresso – 16,5%
Impactos das bets e demandas da população
A pesquisa também mediu a percepção sobre os efeitos das apostas na sociedade. A maioria dos respondentes avaliou o impacto como negativo, indicando preocupação com problemas como vício, endividamento e acesso de menores de idade.
Quando perguntados sobre medidas desejáveis, 84% dos eleitores defenderam o aumento de impostos sobre as empresas de apostas. Além disso, 79% apoiam a limitação de publicidade, e 75% defendem a proibição total das bets no território nacional.
Os dados revelam ainda que 66% dos entrevistados acreditam que menores de 18 anos têm acesso facilitado às plataformas, e 88% consideram que as apostas não podem ser vistas como complemento de renda para as famílias brasileiras.
- 84% – Aumento de impostos
- 79% – Limitar publicidade
- 75% – Proibir bets
- 66% – Acesso de menores
- 88% – Não ser complemento de renda
Essas demandas apontam para um clamor social por maior controle estatal, fiscalização rigorosa e políticas de proteção ao consumidor. Os entrevistados também sugeriram a criação de campanhas educativas para alertar sobre os riscos das apostas.
Em termos de regulação, a lei sancionada em 2023 estabeleceu alíquotas de tributação, requisitos de licenciamento e mecanismos de monitoramento, mas ainda enfrenta desafios de aplicação prática. Muitos críticos apontam que as empresas conseguem driblar as regras por meio de offshore e de estratégias de marketing digital.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) registrou a pesquisa sob o número BR-04739/2026, garantindo sua validade jurídica e possibilitando que partidos políticos e candidatos utilizem os resultados em campanhas eleitorais.
Com a proximidade das eleições de 2026, esses números podem influenciar a agenda dos candidatos, que precisarão responder ao sentimento de insatisfação da população quanto à gestão das apostas. A pressão por reformas mais rígidas pode se tornar um ponto central nos debates parlamentares.
Em síntese, a pesquisa AtlasIntel evidencia que, embora a responsabilidade legal da regulamentação recaia sobre o governo Lula III, a percepção popular coloca o governo atual como principal culpado pela disseminação das bets. Essa discrepância entre responsabilidade institucional e percepção pública abre espaço para discussões sobre transparência, eficácia das políticas públicas e o papel do Estado na proteção dos cidadãos.








